Eles são os melhores de 2013

Conheça os Educadores Nota 10 deste ano e saiba mais sobre o planejamento, os projetos e os resultados que eles alcançaram

POR:
Wellington Soares, Bruno Mazzoco, Elisa Meirelles, NOVA ESCOLA, Beatriz Vichessi, Ana Ligia Scachetti, Fernanda Salla, Anna Rachel Ferreira, Larissa Teixeira, Bruna Nicolielo

A narrativa do movimento

 Carmem Machado. Foto: Manuela Novais. Ilustração Mãos de Ariadne
Carmem Machado | Escola EE Professor Benedicto Leme Vieira Neto, Salto de Pirapora, SP. | Disciplina Arte. | Conteúdo Dança e teatro. | Ano 6º.

Todo movimento tem um significado. E em geral, as pessoas o reproduzem sem refletir sobre ele. Pensando nisso, Carmem Machado, da EE Professor Benedicto Leme Vieira Neto, em Salto de Pirapora, a 130 quilômetros de São Paulo, resolveu investigar e trazer à tona como seus alunos do 6º ano se moviam. O trabalho foi inspirado nas obras da coreógrafa alemã Pina Bausch (1940-2009) e da pesquisadora norte-americana Viola Spolin (1906-1994), que a docente, graduada em Educação Artística, conheceu na pós-graduação em Pedagogia do Teatro. Durante o processo, ela apresentou referências da dança à turma e sugeriu vários exercícios corporais. "Quis criar uma dramaturgia em que todos se sentissem parte da narrativa construída."

Ao gosto do freguês

Elisangela Carolina Luciano. Foto: Manuela Novais. Ilustração Mãos de Ariadne
Elisangela Carolina Luciano | Escola EMEF Adirce Cenedeze Caveanha, Mogi Guaçu, SP.
Disciplina Alfabetização. | Conteúdo Produção de textos. | Ano 1º.

Ao assumir a turma, Elisangela Carolina Luciano constatou que no 1º ano da EMEF Adirce Cenedeze Caveanha, em Mogi Guaçu, a 164 quilômetros de São Paulo, apenas três das 23 crianças estavam alfabéticas. Resolveu, então, criar um contexto que favorecesse a evolução da classe, aproveitando um hortifrúti próximo à escola. A meninada criou 70 placas para informar aos clientes o preço e as qualidades de legumes e frutas. Em grupos, em duplas e individualmente, os alunos fizeram diversas revisões até alcançar a escrita convencional. "Isso contribuiu para que eles discutissem suas ideias com os colegas e reelaborassem as produções", diz Elisangela, que comparou os resultados com o diagnóstico inicial e comprovou que todos progrediram, sem exceção.

Ginástica para todos

Jacqueline Cristina Jesus Martins. Raoni Maddalena. Ilustração Mãos de Ariadne
Jacqueline Cristina Jesus Martins | Escola EMEF Tenente Alípio Andrada Serpa, São Paulo. | Disciplina Educação Física. | Conteúdo Ginástica. | Ano 5º.

A equipe da EMEF Tenente Alípio Andrada Serpa, em São Paulo, definiu como prioridade para o ano trabalhar valores como diversidade e cidadania. A professora de Educação Física Jacqueline Cristina Jesus Martins aliou esse objetivo aos Jogos Olímpicos de Londres, realizados em 2012. Com os aprendizados obtidos no Grupo de Pesquisas em Educação Física Escolar da Universidade de São Paulo (USP), ela desenvolveu um projeto que ampliou o conhecimento do 5º ano sobre diversos estilos de ginástica e promoveu discussões sobre o corpo e o respeito às diferenças. As atividades contemplaram a prática de modalidades como ginástica artística, ioga e até hidroginástica e a turma analisou aspectos como as mudanças que ocorrem no corpo devido à atividade física. "É um engano achar que eles só querem futebol."

Reavaliar as avaliações

Janaina Oliveira Barros. Marina Piedade. Ilustração Mãos de Ariadne
Janaina Oliveira Barros | Escola EM Professora Ivani Oliveira, Seabra, BA.
Área Coordenação Pedagógica. | Conteúdo Formação continuada. | Ano 6º ao 9º ano.

Após analisar os diagnósticos feitos com os anos finais do Ensino Fundamental, Janaina Oliveira Barros, coordenadora pedagógica da EM Professora Ivani Oliveira, em Seabra, a 456 quilômetros de Salvador, verificou que apenas cerca de 40% dos alunos tinham o aproveitamento esperado. Para melhorar o quadro, ela propôs um plano de formação continuada com foco nas avaliações. Ao longo de um semestre, os docentes levantaram hipóteses sobre o baixo desempenho, analisaram as provas que faziam e verificaram se elas estavam coerentes com as produções dos alunos. "Hoje, quando alguém elabora ou corrige uma prova, compartilha suas percepções comigo e com os colegas e pensamos juntos nas melhores intervenções."

A cidade ontem e hoje

João Paulo Pereira de Araújo. Raoni Maddalena. Ilustração Mãos de Ariadne
João Paulo Pereira de Araújo | Escola EE Justiniano Fonseca, Leopoldina, MG.
Disciplina História. | Conteúdo Escravidão. | Ano 6º.

O município de Leopoldina, a 323 quilômetros de Belo Horizonte, era o segundo em presença de mão de obra escrava no país nos anos que antecederam a Lei Áurea. Apesar de os desdobramentos desse fato serem visíveis, a turma do 6° ano da EE Justiniano Fonseca não relacionava o local onde vive com a escravidão. O professor João Paulo Pereira de Araújo resolveu mudar a percepção da garotada. Com pesquisas na internet, análise de documentos históricos e entrevistas com moradores antigos, os alunos recolheram evidências daquela época e identificaram os traços culturais decorrentes do período histórico. "Durante as aulas, reconheceram a influência dos grupos abolicionistas e dos negros no processo."

De olho na peçonha

Karina Drude Puga Rui. Marina Piedade. Ilustração Mãos de Ariadne
Karina Drude Puga Rui | Escola EE Maria Falconi de Felício, Pitangueiras, SP.
Disciplina Ciências. | Conteúdo Animais peçonhentos. | Ano 7º.

Era comum os alunos de Karina Drude Puga Rui na EE Maria Falconi de Felício dizerem ter encontrado escorpiões. Pitangueiras, a 369 quilômetros de São Paulo, sofre com os ataques do aracnídeo. Então, a docente resolveu focar nele suas aulas sobre animais peçonhentos para o 7º ano. Bióloga, Karina fez uma especialização e uma pós-graduação em Educação Ambiental. Os aprendizados sobre como usar sequências didáticas colaboraram para que ela desenvolvesse o trabalho. A turma logo entendeu a importância do conteúdo e se envolveu nas etapas de investigação, leitura e sistematização. "Os estudantes passaram a reconhecer áreas que podem ter escorpiões e a conversar com os pais e os vizinhos para que o entulho seja retirado delas."

Escutar a música do mundo

Lidiane Cristina Loiola Souza. Marina Piedade. Ilustração Mãos de Ariadne
Lidiane Cristina Loiola Souza | Escola EMEI Papa João Paulo II, São Paulo.
Área Educação Infantil. | Conteúdo Paisagem sonora. | Ano Pré-escola.

Professora de Educação Infantil formada em Artes Visuais, Lidiane Cristina Loiola Souza começou a se interessar pelo ensino de Música graças à pós-graduação em Linguagens da Arte e a cursos de formação. Nesses espaços, ela teve contato com a obra do compositor canadense Murray Schafer, criador do conceito de paisagem sonora. Lidiane se propôs, então, a levar as 35 crianças de 5 e 6 anos da EMEI Papa João Paulo II, em São Paulo, a desenvolver uma escuta mais atenta. Ela organizou etapas em que os pequenos exploraram os sons de dentro e de fora da escola, conheceram a música produzida pelo corpo e por objetos do cotidiano e propuseram maneiras de registrar o que ouviam. "Algum tempo depois, no parquinho, um garoto veio correndo e disse: ?Está ouvindo os passarinhos?? Isso é conhecer a paisagem sonora."

O grande livro dos felinos

Rosiane Ribeiro Justino. Marcelo Almeida. Ilustração Mãos de Ariadne
Rosiane Ribeiro Justino | Escola EM Doutor Sadalla Amin Ghanem, Joinville, SC.
Disciplina Língua Portuguesa. | Conteúdos Leitura e produção de textos informativos. | Ano 3º.

Rosiane Ribeiro Justino lançou uma missão para os 55 alunos do 3º ano da EM Doutor Sadalla Amin Ghanem, em Joinville, a 176 quilômetros de Florianópolis: escrever um livro informativo sobre os oito felinos brasileiros, que ficaria na biblioteca da escola. Como preparação, a professora explicou a todos as etapas previstas e os objetivos de cada uma delas. Em duplas, a turma iniciou a investigação sobre os animais. E, enquanto mergulhava na pesquisa, desvendou as características do gênero. Para chegar ao produto final, os estudantes passaram por várias etapas de escrita, revisão e reescrita, tudo mediado pela docente. "As crianças analisaram os próprios textos e os dos colegas, sempre tendo em mente os futuros leitores."

Definir o nosso lugar

 Silma Rabelo Montes. Roberto Chacur. Ilustração Mãos de Ariadne
Silma Rabelo Montes | Escola EM Professor Domingos Pimentel de Ulhôa, Uberlândia, MG. | Disciplina Geografia | Conteúdo Espaço. | Ano 6º.

Paisagem, orientação, lugar. Esses conceitos-chave da Geografia foram abordados por Silma Rabelo Montes com o 6º ano da EM Professor Domingos Pimentel de Ulhôa, em Uberlândia, a 555 quilômetros de Belo Horizonte. Durante quatro meses, os jovens estudaram as características da cidade em que vivem. Criaram gráficos, analisaram mapas e muito mais. Conforme novos conceitos surgiam, cada um dos 32 alunos os incluía em seu dicionário geográfico ilustrado, com sua definição para o que havia estudado. Quem tinha necessidades educacionais especiais (NEE) finalizava a tarefa com o apoio do Atendimento Educacional Especializado (AEE). "Eles participaram como os demais, produzindo os verbetes dentro de suas possibilidades."

Quem aprende ensina

Simone Carvalho da Silva. Manuela Novais. Ilustração Mãos de Ariadne
Simone Carvalho da Silva | Escola EM Ivo Silveira, Capinzal, SC. | Disciplina Matemática.
Conteúdo Monitoria. | Anos 6º ao 9º.

Simone Carvalho da Silva, professora de Matemática da EM Ivo Silveira, em Capinzal, a 378 quilômetros de Florianópolis, resolveu colocar a heterogeneidade das turmas a favor do aprendizado. Ela transformou estudantes em monitores aptos a ajudar aqueles com mais dificuldades. "Quando um aluno explica para o outro, usa uma linguagem mais simples e eles se entendem melhor", diz. Para cada classe do 6º ao 9º ano foram definidos cinco ou seis monitores. Os grupos - que incluem uma aluna surda e muda - se reúnem no contraturno duas vezes por semana para planejar o trabalho. E, durante as aulas, todos apoiam quem ainda não entendeu algo. "Nas reuniões, avalio com os monitores se vamos construir um novo jogo, usar um clássico ou propor outro exercício."

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