A educação vista pelos olhos do professor

FVC e Ibope entrevistaram professores de redes públicas de todo o país e concluíra: eles amam a profissão, mas só 21% estão satisfeitos com ela.

POR:
NOVA ESCOLA, Paola Gentile, Patrícia Cassi
Pesquisa FVC Ibope
Luis Carlos de Menezes. Foto: Daniel Aratangy

"As crianças são curiosas por natureza,
mas só aprendem se tiverem espaço
para a participação. E isso só existe
quando há conversa e argumentação
e não um ambiente de apatia."

Luis Carlos de Menezes,
Colunista de NOVA ESCOLA


Você conhece bem esta realidade: o professor adora a profissão,mas não está satisfeito com ela. Sabe que é parte de sua função preparar os alunos para um futuro melhor e gosta de ver as crianças aprendendo, porém se ressente por ter de providenciar a Educação global (valores, hábitos de higiene etc.) que a família não dá. NOVA ESCOLA e Ibope conversaram com 500 professores de redes públicas em todas as capitais brasileiras e os números são muito reveladores da situação em que se encontram nossos educadores.

53% têm no amor à profissão sua principal motivação.
63% trabalham no que gostam.
83% têm consciência da importância da profissão de professor.
80% já participaram de cursos de capacitação depois de formados.

Ao mesmo tempo, muitos se queixam do trabalho duro e (o pior) não reconhecido pela sociedade.

63% relatam viver em nível significativo de estresse.
48% sentem falta de mais segurança contra a violência.
54% estão descontentes com os benefícios,47% com o salário e 47% com a sobreposição de papéis (em relação à família dos alunos).


21% estão satisfeitos com a profissão (um número assustador: em pesquisas similares o índice oscila entre 40 e 60%, chegando a 80% em algumas áreas que podem ser chamadas de privilegiadas).

A pesquisa foi feita com o objetivo principal de investigar como os professores brasileiros se relacionam com o trabalho, os alunos e a escola e de que forma eles enxergam o futuro da profissão. Nesta reportagem, você vai encontrar diversos números - e também uma análise muito especial para refletir sobre alguns desses dados.Para debater os resultados obtidos, NOVA ESCOLA convidou um grupo de educadores de diferentes áreas, todos com contato direto com a sala de aula e com a formação inicial e continuada dos nossos docentes. São eles: Celso Favaretto, filósofo da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Lino de Macedo, pedagogo do Instituto de Psicologia da USP, Luis Carlos de Menezes, do Instituto de Física da USP, Maria Cristina Mantovanini, psicopedagoga do Instituto Vera Cruz, em São Paulo, Sônia Kruppa, socióloga da USP e da Fundação Santo André, Telma Weisz, especialista em Psicologia da Aprendizagem e assessora pedagógica da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, e Vera Trevisan, psicóloga da Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

Lino de Macedo. Foto: Daniel Aratangy

"A sociedade mudou e, hoje, o papel
de quem está à frente de uma sala de aula
também é educar e dar carinho. Se todos
perceberem que isso existe -
e não é um bicho-de-sete cabeças -,
a angústia diminui."

Lino de Macedo,
Professor da Psicologia da USP


Base frágil

As três maiores surpresas da pesquisa apareceram justamente nas questões sobre a relação do professor com seu público-alvo e com o ambiente de trabalho.

Os alunos são vistos como desinteressados e indisciplinados e são percebidos, junto com a família, como os principais problemas da sala de aula. "Quando o profissional não se sente capaz de cumprir sua tarefa - no caso, planejar, ensinar e fazer com que a maioria adquira conhecimento -, tende a responsabilizar fatores externos, apontando justamente para os lados mais frágeis do sistema", afirma Maria Cristina Mantovanini.

A formação inicial é apontada pela maioria como "excelente". Mas, ao mesmo tempo, reconhecem não estarem preparados para o dia-a-dia dentro da sala de aula."Como a relação entre a motivação e a prática de ensino quase não aparece, muitos provavelmente não se dão conta de como a graduação foi ineficiente", observa Telma Weisz.

As secretarias (municipais e estaduais) de Educação e o Ministério da Educação praticamente não aparecem como atores importantes da realidade do Magistério. É igualmente preocupante porque essas instituições deveriam ser as provedoras não só das políticas públicas mas também de toda a infra-estrutura e das condições gerais para que a aprendizagem ocorra. "O professor não se enxerga como parte do sistema e, por isso, se sente tão sozinho na difícil tarefa de ensinar", enfatiza Sônia Kruppa. 

A PESQUISA

AMOSTRA
500 professores das redes públicas municipais,est adual e federal

IDADE
De 25 a 55 anos

TÉCNICA DE PESQUISA
Entrevistas individuais, com questionário estruturado, realizadas de 20 de junho a 19 de julho de 2007

DISTRIBUIÇÃO REGIONAL
50% Sudeste
21% Nordeste
11% Norte
10% Centro-Oeste
8% Sul

Pesquisa FVC Ibope

DE QUEM É A RESPONSABILIDADE
PELA EDUCAÇÃO RUIM???

Uma das perguntas do questionário tinha 23 itens. Entre eles, a falta de didática e de metas de aprendizagem. Mas, na hora de listar os principais problemas do dia-a-dia dentro da sala de aula, os 500 professores entrevistados colocaram os seguintes três: a não-participação dos pais no dia-a-dia da escola, a desmotivação dos alunos e a indisciplina dentro da classe (e o primeiro está fora da sala).

Por que a família é vista tão mal? Ao comparar a escola pública com a particular, os professores dão algumas pistas: 72% dizem que quem leciona na rede pública faz também o papel de assistente social, enquanto apenas 3% apontam que quem está na privada tem essa mesma função (será mesmo?). O termo mais usado é sobreposição. Para 25% da amostra,"a escola está no lugar da família". E outros 38% reforçam que, na escola pública,"o professor não ensina, mas ajuda o aluno a sobreviver". Em outra resposta, 64% afirmam que o nível socioeconômico das crianças intervém no aprendizado (negativamente, no caso da pública, e positivamente, no caso da particular).

Regina Scarpa. Foto: Daniel Aratangy

"Já passou da hora de os coordenadores
pedagógicos assumirem sua
responsabilidade pela qualidade
do ensino na escola. Eles precisam
se colocar no papel de formadores
do corpo docente."

Regina Scarpa,
Consultora pedagógica da FVC


 

As causas do problema

"Durante décadas, o professor montou uma representação-padrão de estudante,
projetando o desejo de que ele venha de casa educado, com os parentes providenciando todos os requisitos básicos para que eles convivam em sociedade e aprendam. Esse quadro não existe", diz Lino de Macedo. Da mesma forma, é fictícia a concepção de família ideal. Pai e mãe trabalham fora e nem sempre moram na mesma casa - e os dois fatores levam à diminuição do tempo dedicado às crianças Me, com isso, dos momentos de "formação doméstica".

A tendência é fazer, inconscientemente, o que Luis Carlos de Menezes chama de enquadramento social: "A ampliação da escolarização no Brasil fez com que crianças e jovens de comunidades antes excluídas entrassem no sistema. Equivocadamente, o professor acha que a origem cultural do garoto e da mocinha os impede de aprender. Além disso, como não quer assumir a função de formá-los, ele desiste de ensinar". Houve consenso entre os debatedores: não é a família que tem de ser responsabilizada pelo insucesso da garotada, mas a escola, que precisa rever sua missão e seu projeto pedagógico para atender a todos, com ou sem problemas socioeconômicos.

Além das transformações sociais, existem as culturais, políticas, econômicas e tecnológicas - que, de maneira geral, a escola não acompanha. Ao longo dos anos, a defasagem do currículo e dos conteúdos, a falta de relação com a realidade e uma série de outros fatores tiveram reflexos na não-aprendizagem. O professor acredita que sua responsabilidade sobre a Educação é muito grande, mas as notas ruins nos testes de avaliação levam a sociedade a repetir que o ensino vai mal."Sentindo-se impotente, ele procura causas externas, criando uma situação que o prende: já que não pode mudar a família do aluno, ele acha que não é possível ensinar", analisa a psicopedagoga Maria Cristina Mantovanini.

Maria Cristina Mantovanini. Foto: Daniel Aratangy

"Sentindo-se impotente, o professor
procura as causas em fatores externos
e cria uma situação que o prende: já que
não pode mudar a família do aluno, ele
acha que não é possível ensinar."

Maria Cristina Mantovanini,
Psicopedagoga do Instituto Vera Cruz


 

Para refletir

Sim, a participação da família é fundamental para que a criança se desenvolva como estudante.Por isso, ela deve ser motivo de preocupação. "Não dá para correr atrás de resultados de ensino sem pensar em reeducar os pais, que não conhecem a proposta pedagógica da escola, o que ela oferece aos filhos e como eles aprendem", diz Maria Cristina.Reuniões de pais e atividades conjuntas nos fins de semana podem ser planejadas especialmente para promover essa integração.

Uma saída é conscientizar-se de que o novo papel do professor inclui atender o aluno que não vem pronto de casa para adquirir conhecimento. Lino de Macedo acredita que, ao perceber que a sociedade mudou e que agora é preciso fazer isso, sem esquecer de ensinar conteúdos, você se preocupa também em dar o exemplo. Assim, a angústia diminui: "Com menos ressentimento, fica mais fácil aproximar-se, melhorar a relação com o estudante e, em conseqüência, as condições de aprendizagem".

Em conjunto, redes de ensino, direção e corpo docente deveriam estar preocupados com a definição do currículo."Ninguém vai se sentir motivado a conhecer algo que não tem relação nenhuma com a vida", ressalta Menezes. "É necessário levar para a escola a cultura da comunidade e voltar a prática para a formação total do aluno. O que não dá é ficar esperando que ele saia correndo atrás dos conteúdos para dominá-los."Outro caminho para diminuir a tal desmotivação é deixar de lado o vício pedagógico de buscar sempre a passividade do educando: "As crianças são curiosas por natureza e gostam de fazer perguntas, mas elas só aprendem se tiverem espaço para a participação. E isso existe quando há conversa, fala,movimentação e argumentação e não um ambiente de apatia", ressalta Menezes (leia mais na coluna Pense Nisso, na página 90).

Nunca é demais lembrar que só consegue motivar quem conhece (e utiliza) boas práticas de ensino. chegamos assim à segunda contradição apontada pela pesquisa: o professor acha que foi bem formado, mas acaba admitindo não estar preparado para o dia-a-dia em classe nem saber como enfrentar os problemas da sala de aula, como o famoso desinteresse e a não menos decantada indisciplina.

Pesquisa FVC Ibope

POR QUE A FORMAÇÃO NÃO PREPARA PARA O DIA-A-DIA?

A maioria dos entrevistados não tem dúvida: para 64%, a formação inicial foi excelente. Porém 49% reconhecem que não estão preparados para a realidade da sala de aula. E isso porque 90% se declaram satisfeitos com a própria didática. Contraditório, não? O simples fato de freqüentar uma universidade e ter a chance de ler, estudar e debater as teses de grandes nomes da Pedagogia mundial é, sem dúvida, uma experiência interessante. No entanto, é possível que muitos professores não questionem a qualidade desses cursos. Estudar as teorias de Jean Piaget, Lev Vygotsky e Henri Wallon, entre muitos outros, é fundamental, mas não basta. A capacitação inicial tem variadas (e complexas) dimensões e a faculdade é o primeiro lugar para um profissional se apropriar das ferramentas para ensinar - e, com isso, poder enfrentar as dificuldades do dia-a-dia na escola (como a desmotivação, a indisciplina e as diferentes realidades sociais e culturais dos alunos). O que não dá é para não aceitar essa realidade.

Telma Weisz. Foto: Daniel Aratangy

"Sem explorar e ensinar corretamente
as didáticas específicas, é como
se as faculdades vendassem o futuro
professor e o soltassem no mundo.
É óbvio que, nessa situação, não dá para
saber o que fazer."

Telma Weisz,
Especialista em Aprendizagem


 

As causas do problema

Só recentemente as faculdades de Educação e Pedagogia começaram a se preocupar com as especificidades da formação docente. Por muitos anos, tanto os futuros professores como os futuros diretores, orientadores e supervisores recebiam os mesmos conteúdos.

Os especialistas reunidos por NOVA ESCOLA concordam: as didáticas específicas de cada área deveriam ser a principal matéria-prima dos cursos de formação inicial. O currículo deveria ter por obrigação contemplar a didática da alfabetização, a da Matemática, a da leitura e da escrita, a das Ciências e assim por diante. Dentro de cada uma delas estariam os conteúdos, os processos de aprendizagem (que envolvem o conhecimento sobre como as crianças transformam informação em saber e o que elas pensam quando estão em contato com os problemas escolares) e, claro, as intervenções pedagógicas mais adequadas para garantir que todos aprendam.

"Sem explorar e ensinar corretamente as didáticas específicas, é como se as faculdades colocassem um lenço nos olhos e vendassem o futuro professor e o soltassem no mundo. É óbvio que, nessa situação, não dá para saber o que fazer", afirma Telma Weisz. Na opinião de Regina Scarpa, só a certeza de dominar os conteúdos e as melhores maneiras de ensiná-los fará com que o educador enfrente com tranqüilidade a dura realidade da sala de aula: "Toda criança gosta de aprender de maneira desafiadora".

O problema persiste quando os cursos de capacitação continuada, em vez de oferecerem atualização nas áreas específicas, tentam suprir as deficiências da faculdade. Segundo a pesquisa, 48% dos entrevistados acreditam que esses programas interferem positivamente no ensino e o surpreendente índice de 80% disse já ter participado de algum curso desse tipo. Mas nem por isso se sentem mais preparados para a rotina escolar. "A maioria dos cursos de formação continuada não leva em conta as necessidades cotidianas do professor. É por isso que fica a sensação de que nada se resolve depois de freqüentá-los", analisa Vera Trevisan.

Vera Trevisan. Foto: Daniel Aratangy

"A maioria dos cursos de formação
continuada não leva em conta as
necessidades cotidianas do professor.
É por isso que fica a sensação
de que nada se resolve depois de
freqüentá-los."

Vera Trevisan,
Professora da Psicologia da PUC


 

Para refletir

A mudança de foco dos cursos de formação inicial é um processo longo, mas nem por isso pode ser esquecida pela categoria. Num prazo menor, dizem os analistas, o ideal é apoiar-se mais fortemente na coordenação pedagógica. Os próprios entrevistados começam a perceber isso: 21% acreditam que a coordenação colabora muito, e 42%, o suficiente para melhorar o ensino.Porém 34% ainda se sentem desamparados, dizendo ter pouco ou nenhum apoio."Já passou da hora de os coordenadores pedagógicos assumirem sua responsabilidade pela qualidade do ensino na escola. Eles precisam se colocar no papel de formadores do corpo docente", exige Regina Scarpa.

Organizar momentos de formação em serviço (nos horários de trabalho pedagógico coletivo), com troca de experiências e reflexão sobre a prática, é muito eficiente para resolver problemas cotidianos. A formação de grupos de trabalho preocupados em melhorar as ações em sala de aula é viável e necessária. Já para aperfeiçoar os cursos de formação continuada, uma saída é chamar os alunos em potencial para ajudar na elaboração do programa, pois só eles conseguem expor suas necessidades. Vera Trevisan alerta ainda para a importância de haver uma pessoa que coordene essa formação, principalmente quando um pequeno grupo é convidado a participar - para depois socializar o aprendizado com os colegas.

Infelizmente, quem está à frente da sala de aula não tem poder sobre as políticas públicas e a definição de rumos da Educação - nos sistemas municipais, estaduais e federal. O problema, como veremos a seguir, é que essas entidades estão cada vez mais distantes do discurso do professorado brasileiro.

Pesquisa FVC Ibope

CADÊ O ESTADO? NINGUÉM SABE, NINGUÉM VIU...

As pesquisas revelam muitas informações pelo que é dito, mas também pelo não dito.Um dos tópicos que mais chamaram a atenção dos analistas foi a ausência do Estado (Ministério e secretarias estaduais e municipais) quando o assunto é qualidade do ensino e quem é responsável por isso. Ele só aparece enquanto empregador (aquele que paga salário e benefícios e proporciona estabilidade no emprego e liberdade de ação em sala de aula - o que significa não cobrar resultados). O curioso é que os entrevistados não vêem no poder público o papel de elaborar as políticas e de providenciar a estrutura necessária para o processo de ensino e aprendizagem. No ranking sobre as influências negativas no ensino - o mesmo em que alunos e famílias surgem nas primeiras posições -, os itens associados ao orçamento e às diretrizes da Educação são citados nas últimas colocações.

"Ao responsabilizar os alunos e as famílias pelo fracasso escolar, o educador deixa de analisar o papel da escola e as possibilidades que ele tem de agir como o agente público que de fato é, como membro de uma instituição igualmente pública - a escola - que precisa se relacionar com o sistema para funcionar com eficiência", analisa Sônia Kruppa.

Sônia Kruppa. Foto: Daniel Aratangy

"Ao responsabilizar os alunos e as
famílias pelo fracasso escolar, o educador
deixa de analisar o papel da escola e as
possibilidades que ele tem de atuar como
o agente público que de fato é."

Sônia Kruppa,
Professora da Sociologia da USP


 

As causas do problema

"O docente simplesmente não enxerga o Estado porque ele é omisso em vários aspectos da vida dele", ressalta Luis Carlos de Menezes.O sistema não é cobrado pelas deficiências e também não aparece quando uma experiência dá certo: "Se a escola vai bem, o mérito é de uns poucos mestres dedicados ou da direção eficiente". Nem é preciso lembrar que sucessos isolados não levam à melhoria da Educação como um todo.

O filósofo Celso Favaretto acredita que a escola perdeu a confiança nela mesma e, com isso, deixou de se posicionar como instituição: "Ao perder a exclusividade de divulgadora do conhecimento - papel que hoje compartilha com os meios de comunicação -, ela não consegue mais enxergar sua missão original, que é debater e realizar o bem comum e as políticas sociais, culturais e educacionais".

O professor também entra nesse compasso e cada vez mais se sente à parte, isolado Sônia Kruppa acredita que essa ruptura tem origem no que ela chama de falta de vínculo: todos os anos há mudanças no quadro docente e fica difícil organizar e implantar um projeto em conjunto. Ao ser removido, o professor não se sente pertencente nem à escola e à comunidade nem à instituição e ao sistema.

Celso Favaretto. Foto: Daniel Aratangy

"Os professores assumiram o discurso
infundado de que a escola não tem mais
valor e agora têm dificuldade em ver a
instituição como responsável pela seleção
e formalização do conhecimento."

Celso Favaretto,
Professor da Educação da USP


 

Para refletir

A Educação é um processo coletivo, que se dá em determinado espaço, uma instituição chamada escola. Essa, por sua vez, é regida por políticas públicas, que deveriam ter como objetivo a realização do bem comum para responder às demandas imediatas e as de longo prazo da sociedade."A relação educacional não se resume ao dueto professor/aluno", lembra Vera Trevisan. Existem ainda os agentes de ensino das secretarias, o diretor, o coordenador pedagógico e todos os colegas." Como o professor pode se sentir sozinho e tomar para si toda a responsabilidade?", questiona ela.

Para Sônia Kruppa, só o grupo pode assumir a formação do educando e, para que esse coletivo se forme, é preciso haver permanência na escola e continuidade nas políticas públicas.Com isso, ela acredita ser possível a comunidade construir um projeto pedagógico democrático para atender à população tal qual ela é.

Pesquisa FVC Ibope

PROTAGONISTAS DO PROCESSO

Um sistema educativo deve ser entendido como a articulação de três subsistemas: o escolar (a escola e todas as instâncias envolvidas com ela), o sociocultural (espaços como bibliotecas, ludotecas, cinemas, teatros etc.) e o familiar (que tem o dever de valorizar os outros dois e propiciar o acesso a eles). Essa tríplice aliança é a chave do sucesso da rede de ensino da Finlândia, primeira colocada
nas principais avaliações internacionais. "Mesmo com todas as deficiências apontadas, o subsistema escolar brasileiro tem as condições necessárias para proporcionar as experiências educacionais e culturais de que as crianças necessitam. Por isso, é muito bom observar que, na pesquisa, 83% dos professores se vêem como protagonistas desse processo", afirma Regina Scarpa.

A "desistência"da escola, enquanto instituição, e o desânimo do professor poderiam significar um desastre a longo prazo. Com a divulgação (e análise) desses números,NOVA ESCOLA acredita estar contribuindo para uma ref lexão coletiva que aponte caminhos para melhorar ainda mais a Educação, em especial na rede pública de nosso país.

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