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Censo Escolar: Educação Básica “perde” 1,3 milhão de alunos em quatro anos

A maior queda foi registrada no Ensino Médio; na Educação Infantil, principalmente nas creches, há espaço para crescer

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NOVA ESCOLA
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebon/Agência Brasil

O número de matrículas na Educação Básica registrou queda pelo segundo ano consecutivo. De acordo com dados do Censo Escolar 2018 divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), foram registradas 48,5 milhões de matrículas nas 181,9 mil escolas de Educação Básica da rede pública e privada. Isso representa uma redução frente às 48,6 milhões de matrículas em 2017, uma queda de 3,1%.

Entre 2014 e 2018, a Educação Básica (Educação Infantil, Ensino Fundamental 1 e 2, Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos – EJA) “perdeu” 1,3 milhão de alunos matriculados, apontam os dados do Inep. O Brasil tem cerca de 2 milhões de crianças e adolescentes de 4 a 17 anos fora da escola. As maiores concentrações estão na faixa de crianças com 4 anos de idade, com 341.925 crianças fora da pré-escola e aos 17 anos, com 915.455 jovens.

O Ensino Médio é a etapa que registrou maior recuo, com 220 mil jovens a menos de 2017 para 2018. Essa queda ficou mais evidente nas redes estaduais, com redução de 197,1 mil alunos. Nas escolas da rede privada, a retração foi de 40 mil matrículas, de acordo com o Censo. Em 2018 foram registradas 7,7 milhões de matrículas, uma queda de 7,1% desde 2014.

A explicação para esse recuo estaria na passagem do Fundamental 2 para o Ensino Médio: há uma queda nas matrículas já no 9º ano do Ensino Fundamental, o que levaria à diminuição dos alunos que vão para a etapa seguinte. A redução foi de 8,3% de 2014 a 2018.

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Na EJA, o total de matriculados foi de 3,5 milhões em 2018, o que representa uma queda de 1,5% com relação ao ano passado.

No Ensino Fundamental, a tendência de queda acompanha o movimento dos últimos cinco anos. Entre as etapas, essa é a que concentra mais alunos, com 27,2 milhões em 2018, o que representa 4,9% a menos do que em 2014.

A queda na taxa de matrículas é mais evidente nos anos finais (6° ao 9°). Nos anos iniciais (1° ao 3°), as escolas registraram 152,1 mil matrículas a menos com relação ao ano anterior, enquanto 4º e 5º anos tiveram uma pequena queda, com 11,9 mil alunos a menos. No período 2012-2018, o Ensino Fundamental 1 perdeu 628.714 alunos, enquanto o Fundamental 2 perdeu 758.828 alunos.

Na modalidade de tempo integral, os índices de matrículas também caíram, passando de 16,3% nas escolas públicas de Ensino Fundamental em 2017 para 10,9% em 2018.

O Censo Escolar 2018 mostra que a grande maioria das crianças e jovens está matriculada na rede pública: são aproximadamente 39,5 milhões, o que representa 81,44% do total. Esses alunos estão localizados majoritariamente na área urbana (88,7%).

Educação Infantil cresce

Na Educação Infantil, a tendência é inversa e aponta para crescimento. Mais de 8,7 milhões crianças estão matriculadas, com 236,4 mil crianças a mais em relação a 2017 – um crescimento de cerca de 2,8%. Esse crescimento foi puxado principalmente pelo aumento de matrículas em creches, que passaram de 3,4 milhões para 3,6 milhões de um ano para outro, um crescimento de 5,38%.

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Na faixa etária adequada à creche (até 3 anos de idade), o atendimento hoje atinge 32,7%, o que indica que ainda há muito espaço para ampliar a oferta nessa etapa. De acordo com os dados, 74,8% das creches estão localizadas na zona urbana, sendo 59,4% municipais e 40,4% privadas – sendo que 25% das creches privadas mantêm convênio com estados ou municípios.

O atendimento à pré-escola também aumentou, mas em uma taxa bem menor, de 5,101 milhões para 5,157 milhões de matrículas.

 

 

Distorção Idade-Série explica queda

Nos dados divulgados pelo Inep, a distorção idade-série aparece como explicação para a redução do número de crianças e jovens matriculados nas escolas. Segundo os números levantados pelo instituto, a taxa de distorção idade-série vai aumentando ao longo do Fundamental, passando de 11,2% nos anos iniciais para 22,3% nos anos finais, atingindo 28,2% no Ensino Médio.

Esse índice é maior na rede pública do que nas escolas do sistema privado. No Ensino Fundamental, a distorção idade-série é de 19,7% no sistema público e de 4,9% no privado. No Ensino Médio, o índice atinge 31,1% nas escolas públicas e 7,4% nas particulares.

Esse fenômeno está ligado ao baixo nível de aprendizagem, que seria resultado de uma série de fatores, incluindo qualificação do professor. Os resultados do Saeb apontam que o avanço da proficiência dos estudantes tende a desacelerar no Fundamental 2, o que leva ao aumento da reprovação e, em muitos casos, à evasão.

 

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