Culpar a família pelo desempenho do aluno

Assim não dá!

POR:
Beatriz Santomauro

A ligação entre o mau desempenho escolar e "famílias desestruturadas" não é automática. Todos têm condições de se desenvolver e aprender, mesmo os que são criados por parentes, são filhos de pais separados ou os de baixa renda - situações normalmente vistas como definidoras para o fracasso. Se dinheiro no bolso e pais morando em uma mesma casa fossem garantias de sucesso, estudantes nessas condições, sem exceção, deveriam ter um desempenho excepcional. 

Relacionar uma questão externa à escola ao desempenho dos alunos só é válido quando existe uma vulnerabilidade real e é necessário o professor fornecer orientação à criança. Essas situações são as que envolvem riscos devido à má qualidade da moradia ou à violência. Quando o professor identificar alguns dos alunos sofrendo com esses problemas no cotidiano, deve buscar orientação com seus colegas de escola para que um encaminhamento correto seja feito junto a outros órgãos. 

Se não são essas as questões enfrentadas pelo aluno, a responsabilidade pelo aprendizado e pelo consequente bom desempenho recai, sim, sobre a escola. Para que ela dê conta de alcançar resultados satisfatórios, pode promover um apanhado de ajustes, como a formação continuada de professores, o entrosamento entre a equipe de educadores, diretores e coordenadores, a melhoria da estrutura física, a aplicação das propostas previstas e ainda o constante intercâmbio com a família.


Consultoria Cleuza Repulho, secretária de Educação e Cultura do município de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.

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