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Saiba | Coluna Felipe Bandoni


Por: Felipe Bandoni

Como utilizar a diversidade ao seu favor em sala de aula?

Dado o fato de que ninguém é igual, vamos usar a diversidade a nosso favor?

No fim de 2018, assisti a uma apresentação sobre produção de textos, em que a professora responsável mostrou grande surpresa com a heterogeneidade da turma. Apesar do ótimo desempenho dos alunos, a docente enfatizou como as diferenças entre eles atrapalharam seu planejamento inicial: “Enquanto alguns ainda estavam no início da atividade, outros já haviam terminado”, relatou. A surpresa da professora chamou minha atenção. Afinal, essa diversidade não era esperada?

Sempre que entramos em uma sala de aula, deveríamos lembrar que estamos diante de seres humanos com diferentes histórias, aptidões e interesses. Certamente, não deveríamos esperar que todos fossem iguais! Ao propormos uma atividade, é natural, portanto, que certos alunos se sintam engajados, enquanto outros encontrem dificuldades. Não deveríamos estranhar isso.

Nós, professores e professoras do século XXI, carregamos a herança de uma escola que tratava os alunos como se todos tivessem as mesmas habilidades e interesses. Muitas vezes, ainda nos comportamos assim. Um exemplo são aquelas questões de prova que permitem só uma resolução. Alguns conteúdos podem ser abordados assim, mas a maioria deles, não: problemas podem ser resolvidos por diversos caminhos – sem falar nos infinitos pontos de vista.

Não nego que a diversidade da turma seja um aspecto decisivo. Contudo, devemos encará-la com naturalidade e planejar nossas aulas de modo a usá-la a nosso favor.
Na Educação de Jovens e Adultos, tenho turmas nas quais os ritmos dos alunos são muito diferentes. Para dar conta dessa diversidade, valorizo propostas em que um grupo de alunos tem algo a ensinar a outro.

Recentemente, em uma atividade sobre violência doméstica, enquanto os mais velhos recordaram casos em que o agressor alegava “defesa da honra”, os mais jovens pesquisaram a legislação atual. Em conjunto, a turma aprofundou-se no tema, todos aprenderam e conseguimos fazer uma ótima discussão. As turmas são sempre diversas – ponto final. Já é tempo de reconhecermos esse dado da realidade e o considerarmos para estruturar nossas propostas.

Felipe Bandoni é professor de Ciências na Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Colégio Santa Cruz, em São Paulo

Crédito: Tomás Arthuzzi/Nova Escola