Ir ao conteúdo principal Ir ao menu Principal Ir ao menu de Guias

Faltam para:   

Conheça o mundo de carona

Os sites de expedições apresentam a História e a Geografia de um jeito que os livros nunca conseguiram mostrar

POR:
Ricardo Falzetta, Priscila Ramalho

Foi lendo as aventuras de Marco Polo que várias gerações conheceram os costumes, as paisagens e os mitos do Oriente. Os relatos do mercador veneziano em 24 anos de viagem foram ditados a um amigo, que os escreveu a mão. Sete séculos depois, esse espírito desbravador continua influenciando muitos exploradores de mares, estradas e trilhas. A diferença é que os aventureiros contemporâneos têm à disposição rádio, câmera e laptop para, conectados à internet, fazer as histórias chegar praticamente em tempo real a casas, jornais, empresas e... escolas.

Quem sai ganhando é você, que tem um material riquíssimo para as aulas, principalmente as de Geografia e História. Basta um clique no mouse para conhecer um cerimonial religioso na Polinésia, as geleiras da Antártida ou a vista magnífica da cordilheira dos Andes. "Minha idéia é usar a aventura como estratégia de incentivo para o aprendizado", diz o arquiteto mineiro Argus Saturnino, que desde dezembro do ano passado está dando a volta ao mundo com sua bicicleta (leia mais no quadro com sugestões de sites, abaixo).

A utilização pedagógica da web já ocorre em algumas escolas. Em Itajaí, a 95 quilômetros de Florianópolis, a 6a série do Colégio Salesiano Itajaí explorou, no ano passado, o site da família Schürmann. O objetivo era responder a uma série de questões sobre a rota do navegador Fernão de Magalhães, reproduzida pelos velejadores catarinenses entre 1997 e 2000.

"Trabalhamos com eixos temáticos e um deles são as grandes navegações", diz a professora Rose Moroni, de História. Ela explica que o assunto desperta grande interesse nos alunos, que se identificam com os conterrâneos. "Além disso, por morar no litoral, eles sempre tiveram uma relação íntima com o mar."

Para introduzir o assunto, Rose programou uma visita ao Museu Nacional do Mar, em São Francisco do Sul, onde estão expostos aparelhos e mapas de navegação e embarcações de diferentes períodos. O passeio até a cidade vizinha contribuiu para o cumprimento de um dos objetivos do trabalho: estabelecer uma comparação entre os navegadores de hoje e os de séculos anteriores. "O site forneceu muitas respostas que não encontraríamos em livros", diz a professora. "E nos permitiu focar a pesquisa no que nos interessava saber." Satisfeita com o resultado, ela marcou um chat com Amyr Klink, homenageado da próxima etapa do projeto.

Nova linguagem

Ernesta Zambioni, que leciona Metodologia e Prática do Ensino de História na Universidade Estadual de Campinas, lembra que os viajantes sempre foram parceiros dos historiadores. "Toda a pesquisa sobre o período colonial foi baseada em relatos", afirma.

A vantagem da internet é que ela possibilita o acesso a todas essas informações sem intermediários. Segundo a educadora, esse é um jeito interessante de captar diferentes olhares sobre um fato. "Só é necessário lembrar que se trata de uma visão subjetiva de alguém num determinado momento, não da verdade absoluta", alerta, sugerindo um cruzamento com diversas fontes de pesquisa.

Outra dica é ver em que a rede de computadores se diferencia dos outros recursos e explorar essas especificidades. "Usar a nova metodologia exige uma nova mentalidade", diz o geógrafo Celso Antunes, autor de livros didáticos e diretor do Colégio SantAnna Global, de São Paulo. Segundo ele, de nada adianta usar os sites como se fossem livros projetados na telinha.

Antes de acessar os sites de expedições, portanto, aprenda a ler essa mídia, desenvolvendo uma espécie de "alfabetização digital". Ou seja, domine a linguagem do computador para saber aquilo que ele pode proporcionar. Veja o exemplo das webcâmeras. Elas servem para transportar a turma até diferentes realidades ao vivo. "As imagens digitais são um excelente instrumento para ensinar o aluno a olhar decifrando ícones, percebendo detalhes, enxergando diferentes dimensões", sugere Antunes.

Ele acrescenta que, para tornar a aprendizagem mais significativa, é preciso ainda contextualizar as informações, aproximando-as do cotidiano dos estudantes. Noutras palavras, é delicioso conhecer a cultura do povo polinésio, mas esse saber só ganha sentido quando usado para estabelecer comparações com nosso modo de vida. A internet, não há dúvida, possibilita uma viagem virtual por um mundo no qual você nunca imaginou pisar. Mas o bom é voltar para casa ou melhor, para a sala de aula. 

Janelas indiscretas para outras realidades

? O mundo em duas rodas
Desde que saiu de Cordisburgo (MG), em dezembro do ano passado, Argus Caruso Saturnino abastece seu site a cada quinze dias com informações sobre os lugares por onde passa com sua bicicleta. São dados preciosos sobre a história de cada lugar, o dia-a-dia dos moradores, a arquitetura, o ambiente e o relevo mais curiosidades.
www.pedalandoeeducando.com.br

? Lições do pioneiro
Teste todos os recursos da internet na página de um dos pioneiros do mundo das expedições. Além de belíssimas fotos e notícias quentinhas sobre as últimas aventuras de Amyr Klink, você encontra vídeos com imagens dos lugares visitados e áudio com histórias, entrevistas, narrativas e boletins sobre as viagens.
www.amyrklink.com.br

? Mar, doce lar
Um endereço muito familiar. Apresentação de cada membro do clã Schürmann, diário de bordo escrito pela mãe, fotos, vídeos, informações sobre o barco e o percurso.

O site traz dados interessantes sobre a rota do navegador português Fernão de Magalhães, que os velejadores catarinenses reproduziram de 1997 a 2000.
www.schurmann.com.br 

Quer saber mais?

Colégio Salesiano Itajaí, R. Felipe Schmidt, 87, CEP 88301-011, Itajaí, SC, tel. (47) 348-2021,
site: www.salesianoitajai.g12.br 

Compartilhe este conteúdo:

Tags

Guias

Tags

Guias

Tags

Guias