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Conhecimento, prática e engajamento: entenda a matriz de competências do professor na Base

O texto explora como o professor pode unir a prática de sala de aula ao compromisso com a aprendizagem dos alunos e seu desenvolvimento profissional

POR:
Soraia Yoshida
Foto: Getty Images

No texto da Base Nacional Comum de Formação Docente, um capítulo inteiro é dedicado às competências. O documento cita a necessidade de o professor desenvolver as competências gerais e as específicas para sua profissão.

O conceito de competência segue pensadores como Philippe Perrenoud e Lino de Macedo. Do sociólogo suíço Perrenoud, conhecido por suas ideias pioneiras sobre profissionalização da Educação e avaliação de alunos, vem a definição de que a competência contempla um saber-fazer - e que só existe competência em ação. Lino adota uma visão mais ampla. A competência é um conjunto de domínios. "Não basta que o professor tenha o saber conceitual ou a capacidade transmissiva, ele precisa desenvolver o domínio relacional, a habilidade de conviver na diversidade das situações de sala de aula e estar comprometido com o seu fazer profissional". 

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Três dimensões fazem parte da competência profissional do professor: conhecimento, prática e engajamento. Essas dimensões são articuladas e interagem entre si para a compreensão da competência profissional.

Conhecimento profissional. Está associado com a prática e se relaciona com o que existe na realidade concreta e com as experiências diretas de alunos e professores. Os conhecimentos estão na essência da competência e são imprescindíveis para a constituição delas.

Prática profissional. A prática traz a oportunidade de viver, ainda durante o curso de formação, os mesmos processos de aprendizagem que se quer ensinar ao professor em início de carreira e o profissional em formação continuada. 

Engajamento profissional. É o compromisso moral e ético do professor com os alunos, seus pares, a comunidade escolar e os diversos atores do sistema educacional. É a busca constante da melhoria da prática, do sentido do trabalho e do reconhecimento da sua importância. 

O documento explicita que tanto o professor em início de carreira quanto o formador precisam ter "sinergia e coerência entre aquilo que ensina e aquilo que o aluno [no caso, o estudante universitário] será capaz de ensinar".

Diz o texto: "O licenciando que se prepara para ser professor está vivendo o papel de aluno. O que torna a situação de formação uma inversão simétrica do exercício profissional". Ou seja, esse professor ainda em formação é capaz de perceber como é uma aula bem dada para reproduzir o processo quando chegar o momento.

A Base Docente afirma que “os conhecimentos estão no âmago da competência”. E reforça que na profissão docente, o conhecimento não está desvinculado da prática. “Por isso é tão importante focar o currículo de formação de professores naquilo que os (futuros) professores devem saber e ser capazes de fazer”.

Sobre as competências gerais, descritas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a Base Docente lembra que sua aplicação tem que estar alinhada às demandas da sociedade contemporânea. "No mundo de hoje, não é mais possível crivar verdades absolutas, sejam elas científicas, culturais, éticas ou políticas. É preciso preparar crianças, jovens e adultos para um mundo cada vez mais móvel e flexível, em que a instantaneidade pode trazer informações tanto rápidas quanto incertas”.

Ao professor cabe, portanto, “filtrar, selecionar e expandir conhecimentos”. A BNCC traz dez competências gerais para que a “nova geração possa viver num mundo mais equânime, mais justo e solidário”. E cita mais adiante: “O aluno, futuro professor, precisa desenvolver tais competências na sua formação para que possa formar seus alunos com os mesmos princípios.”

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