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Blog de Alfabetização

Troque experiências e boas práticas sobre o processo de aquisição da língua escrita.

Conselhos de uma alfabetizadora aos secretários de Educação

Como as redes de ensino podem melhorar o trabalho dos professores

POR:
Mara Mansani
Mulher segurando um megafone
Crédito: Getty Images

Dever cumprido. Talvez seja essa a expressão que melhor resume o ano letivo. Claro que há um esgotamento físico e mental, que se traduz em exaustão. Mas apesar de todo o cansaço, a satisfação vem quando percebemos, nas avaliações, que nossos alunos avançaram em suas hipóteses de escrita.

Como professora alfabetizadora, sei que não é nada fácil desenvolver um bom trabalho na Alfabetização. Até mesmo nas atribuições de aulas, escuto muitos professores que preferem pegar qualquer turma, de qualquer ano, desde que não seja de Alfabetização.

Mas compreendo essa atitude: nem sempre há apoio aos professores de maneira geral, muito menos a essa categoria que cuida de um processo tão importante que é o de aprender a ler e escrever.

Sei que devemos focar em soluções e não nos problemas, ou seja, levar em conta os fatores que facilitam e apoiam a alfabetização de nossos alunos nas escolas e nas redes de ensino, mas há alguns problemas que se repetem ano a ano na Alfabetização, e precisamos encará-los de frente. Por isso, depois de ouvir muitos colegas de profissão, fiz uma lista de recomendações aos responsáveis pelas redes de ensino por todo o país:

 

  1. Cuidado com o número de alunos em sala de aula. Salas lotadas, com mais de 30 alunos, já começam problemáticas, pois prejudicam o trabalho do professor alfabetizador. Não conseguimos dar o devido atendimento com intervenções pedagógicas pontuais, de acordo com as necessidades de aprendizagem de cada aluno. Na minha opinião e experiência, o ideal são turmas de até 15 alunos, apesar de saber que essa é uma realidade difícil de ser atingida, ou 20, no máximo;
  2. Em algumas redes, as aulas são atribuídas aos professores. Em outras, o professor escolhe a turma conforme sua posição na lista de classificação (que envolve pontuação em concurso, tempo de serviço, cursos realizados, entre outros elementos). Muitos professores pegam "a turma que sobrou", e não a que eles queriam. Esse é um ponto crítico, porque nem todo professor tem o perfil para ser alfabetizador, apesar de todos terem a mesma formação para atuar do 1º ao 5º ano. O ideal é levar em conta o perfil profissional do professor na atribuição das aulas, para contribuir no processo de alfabetização dos alunos. Se isso não for possível, que pelo menos haja um acompanhamento mais próximo desse professor para que ele receba formação adequada em serviço;
  3. Toda rede de ensino deveria ter uma equipe multiprofissional que apoiasse o trabalho dos professores nas escolas, como psicólogos, psicopedagogos, fonoaudiólogos, entre outros. Na verdade, deveria haver uma equipe dessa em cada escola, mas sei que é inviável para a absoluta maioria das redes. Essa equipe pode atuar em diagnósticos, na busca de soluções para os problemas de aprendizagem e na formação e orientação em serviço dos professores. Já trabalhei em redes que tinham esse apoio, e pude aprender práticas mais adequadas para atender alunos com deficiências e outras necessidades específicas;
  4. É necessário ter uma atenção ao ambiente das escolas, para criar um espaço favorável à Alfabetização. Pode parecer coisa simples e sem importância, mas uma sala preparada especialmente para a Alfabetização faz toda a diferença. Muitas vezes são ações simples, como a disposição adequada das carteiras, materiais como letras e números móveis, alfabeto de parece, livros para a biblioteca de classe, etc. As redes podem oferecer cursos de formação para seus professores, auxiliando-os na construção desses ambientes;
  5. Professor auxiliar em sala de aula. Esse item está sempre presente na fala dos professores, mas nem sempre na realidade das salas de aula. O professor auxiliar pode contribuir muito no processo de alfabetização dos alunos, com uma formação e orientação devidas. Para que a parceria funcione, é preciso também que o professor da turma receba o auxiliar e o aceite como um igual, não como um ajudante para as tarefas pequenas. Há, ainda, os professores que auxiliam os alunos com deficiência em sala de aula. Já fiz ótimas parcerias com colegas de profissão, outras vezes a dinâmica não foi tão boa, mas o papel da rede de ensino é oferecer esse apoio, coordenar e orientar a ação.

Há, ainda, muitos outros itens. Sei que muitos dependem de legislação, verba, orçamento. Mas alguns requerem apenas boa vontade e gestão Muitas vezes, falta um diálogo franco e direto entre a rede de ensino e seus professores. Tenho certeza de que nós, que trabalhamos no chão da sala de aula, podemos contribuir muito com sugestões de melhoria estruturais para uma melhor gestão das redes.

E vocês, queridos professores, quais sugestões têm para dar às suas redes e seus secretários de Educação? Deixem aqui nos comentários!

Um grande abraço a todos e até a semana que vem,

Mara Mansani

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