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Mergulhe no universo dos livros

Os contos infantis de um jeito que você não imaginava

Todas aquelas histórias que ouvimos quando crianças e vimos eternizadas em adaptações cinematográficas

POR:
Anna Rachel Ferreira

Contos de fadas, populares e fábulas. Todas aquelas histórias que ouvimos quando crianças e vimos eternizadas em adaptações cinematográficas ficam escondidas no fundo de nossas mentes quando nos tornamos adultos. Parece que só podem ser úteis para os pequenos. Sua fofura e lições morais seriam mais adequadas a essa faixa etária. Então, só as retomamos para contá-las a outros pequerruchos.  Isso é um triste engano.

Digo isso porque elas podem ser muito mais instigantes do que eu me lembrava. Cheguei a essa conclusão porque, no ano passado, redescobri os clássicos infantis com Contos Maravilhosos Infantis e Domésticos, dos irmãos Jacob e Wilhelm Grimm (672 págs., ed. Cosac Naify, tel.: 11/3218-1497, 99 reais). Eu comecei a pesquisar o tema e me lembrei de ter ouvido falar sobre as versões desses irmãos alemães que, no século XIX, contavam as famosas histórias de um jeito muito diferente do que costumamos ouvir. Uma das narrativas que mais me chamou a atenção foi a da Branca de Neve. Fiquei surpresa quando descobri que a rainha má que tenta assassinar Branca é ninguém menos que sua mãe — que é a madrasta da princesa na versão mais conhecida— e que a princesa se torna vingativa ao final dessa jornada e condena a monarca a caminhar com pantufas de ferro em brasa até a morte. Além desse há outros momentos tensos nos escritos dos Grimm, como quando as filhas da madrasta de Cinderela cortam um pedaço grande do dedão para tentar calçar o sapatinho ou quando a mãe de João e Maria quer deixá-los na floresta para não dividir a pouca comida. Ler essa coletânea é rever a literatura da nossa infância e ressignificá-la.

No último mês, conheci o livro Contos da Mamãe Gansa, do francês Charles Perrault (176 págs., ed. Cosac Naify, tel.: 11/3218-1497, 59 reais), que contava clássicos como Chapeuzinho Vermelho e Cinderela no século XVII de modo diferente das versões famosas, porém mais leves do que as apresentadas pelos Grimms. No texto de Perrault, a menina, que foi levar bolinhos e um pote de manteiga para a vovó, não é salva das garras do lobo mau por um caçador. A edição também traz, ao final de cada história, a explicação da moral contida em cada narrativa, o que nos faz refletir mais atentamente sobre ela. Esta é a da Chapeuzinho:

“Aqui se vê que os inocentes,
Sobretudo se são mocinhas
Bonitas, atraentes, meiguinhas
Fazem mal em ouvir todo tipo de gente.
E não é coisa tão estranha
Que o lobo coma as que ele apanha.
Digo o lobo porque nem todos
São da mesma variedade;
Há uns de grande urbanidade,
Sem grita ou raiva, e de bons modos,
Que, complacentes e domados,
Seguem as jovens senhorinhas
Até nas suas casas e até nas ruinhas;
Mas todos sabem que esses lobos tão bondosos
De todos eles são os mais perigosos.”

O livro também traz alguns contos que eu desconhecia como Riquet, o Topetudo que narra a história de Riquet, um príncipe muito feio, porém inteligente e com a capacidade de tornar também sabida a pessoa por quem se apaixonar. Já adulto, ele se encontrará com uma princesa belíssima, porém muito tola e que desconhece o seu poder de dar beleza a quem desejar.

Fui investigar esses títulos e descobri que a editora Cosac Naify os reuniu a mais duas publicações sobre fábulas, Esopo – Fábulas Completas (Esopo, 564 págs., ed. Cosac Naify, tel.: 11/3218-1497, 69,90 reais) e Fábulas selecionadas de La Fontaine (Jean de La Fontaine, 160 págs., tel.: 11/3218-1497, 39 reais)em um kit para a venda.  Você pode comprá-los junto ou separados. Todos valem muito a pena!

Espero que tenham gostado da dica. Vocês já leram algum desses livros e se surpreenderam com as versões apresentadas? Conte a sua experiência aqui nos comentários.

Até o próximo post!

Anna Rachel

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