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A hora e a vez das ferramentas digitais na escola

A professora Débora Garofalo conta como usar a tecnologia como ferramenta de engajamento da turma

POR:
Débora Garofalo
Crédito: Acervo pessoal/Débora Garofalo

Recentemente passei por uma experiência inesquecível ao participar e ser uma das vencedoras em âmbito nacional, da categoria “Temáticas Educacionais”, em “Uso de Tecnologias de Informação e Comunicação no processo de inovação”, da 11ª edição do Prêmio Professores do Brasil.

Outros 49 professores de diversas regiões do país estiveram presentes. Um ponto em comum em todas as práticas apresentadas foi o uso tecnologias (TIC´s) como propulsora da aprendizagem. Elas embasaram trabalhos como criação de rádio, construção de ambientes virtuais de aprendizagem (AVA), discussão sobre extermínio, Educação empreendedora, cultura de paz, combate à violência contra a mulher, feminicídio, registros de memória, produções de revistas e muitos outros trabalhos incríveis.

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Em muitos lugares, o celular foi o destaque para que as atividades propostas ocorressem. Em outros, foi uma escolha dos alunos, em que o professor topou o desafio e apoiou a decisão do grupo. Sem dúvida, este é o primeiro passo para motivar a aprendizagem e inserir tecnologia na escola!

Da sala de aula à gestão escolar 

O incentivo da adoção de ferramentas digitais em sala de aula não se restringe apenas à sala de aula. É necessário que envolva os diferentes atores da escola, incluindo a gestão escolar, que tem também o papel de auxiliar a empregá-las da melhor maneira possível. Outros professores que possuem mais familiaridade com as tecnologias também podem liderar esses momentos de formação.

Muitos docentes ainda possuem dúvidas de como usar pedagogicamente essas ferramentas. Por isso, ao oferecer treinamentos e suporte, além de preparar melhor os docentes para esse uso, a gestão transmite segurança e pode acompanhar a relação de cada um com os instrumentos adotados a fim de diagnosticar problemas, receber e ofertar feedbacks promovendo troca entre os pares.

Os nossos jovens nasceram neste novo tempo e estão familiarizados com as programas e softwares disponíveis. Importante salientar que mesmo assim, é necessário cuidar e ter um planejamento com objetivos claros permitindo o foco no aprendizado e desmistificando o uso para fins de entretenimento e atividades que podem ser realizada fora da sala de aula. Precisamos desmistificar a ideia de que o uso intenso das crianças e jovens com as tecnologias é a mesma coisa de um bom uso e consciente. Nós, professores, também podemos nos apropriar dessas ferramentas e usá-las a nosso favor.

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Para facilitar este processo, elencamos abaixo alguns passos importantes para garantir motivação e engajamento no uso de tecnologias em sala de aula:

1) Compreenda as demandas dos alunos

Para aproveitar os benefícios que as tecnologias oferecem é importante que o professor pesquise e entenda as principais demandas dos estudantes. Vale investigar com a turma, por exemplo, quais tipos de aparelhos tecnológicos os alunos usam fora a sala de aula, bem como quais programas, qual a familiaridade com os recursos e o que eles gostariam de aprender. A partir deste diagnóstico inicial é possível compreender e dimensionar o planejamento.

2) Adote as tecnologias na aula

Além do diagnóstico realizado, é importante observar em sala de aula, quais são as dificuldades no dia a dia, em que momentos falta de motivação e quais desses podem ser revertidos com a adoção de novas práticas de ensino. A partir desta observação, podem-se estudar recursos disponíveis para escolher aqueles que melhor atendem as demandas e traçar planos de melhoria ao longo prazo.

3) Acompanhe a novidade

Nas primeiras semanas após a utilização das tecnologias em sala, é importante manter o acompanhamento dos estudantes a fim de verificar se os objetivos estão sendo supridos. É natural que ao adotar uma prática nova, nem tudo saia exatamente como o planejado. Por isso, a observação pode te ajudar a identificar pontos que podem ser aprimorados ou necessitem de alguma intervenção.

4) Continue se aprimorando

Tratando de tecnologias, as mudanças ocorrem com uma velocidade muito grande, sendo fundamental neste processo que a formação continuada faça parte da vida docente. Assim, o professor pode estar por dentro de descobertas e tendências educacionais mais atuais.

Ao se familiarizar com as tendências relacionadas ao uso das TIC’s na Educação, os professores entrarão em contato com novas formas de ensinar e de lidar com os conteúdos. É uma oportunidade de rever suas práticas, ganhar flexibilidade, aprendendo a lidar com novas questões, melhorando o seu tempo e gerenciamento da sala de aula. Além de ser um facilitador de interação entre professor e aluno.

5) Faça uso consciente e reflexivo das ferramentas digitais 

A utilização destes recursos auxilia também no diálogo e sensibilização para utilizar as TIC´s em seu próprio benefício. Ser crítico em relação ao papel das tecnologias no planejamento reduz o uso não-pedagógico e aumenta a habilidade de lidar com eles de forma correta. Esse movimento também ajuda a desenvolver o senso crítico dos alunos sobre as relações com o mundo digital, podendo ser, por exemplo, um propulsor para abordar temas como cyberbullying e reduzir uso inadequado de celulares.

6) Explore formas e metodologias de ensino

O professor pode fazer uso de metodologias de ensino diversificadas, como a metodologia ativa, que visa trabalhar com foco na resolução de problemas, e do ensino híbrido, que combina a Educação tradicional e o uso de tecnologia.

Importante ressaltar que qualquer metodologia adotada pelos professores deve ser compartilhada com seus pares ou em outros fóruns, para aprender e solucionar possíveis obstáculos e dificuldades.  Para que a tecnologia não se torne um fim em si mesma, é preciso estudar melhores formas de empregá-las, de forma que proporcione benefícios para professores e alunos e motive ambos no processo de ensino e aprendizagem.

E você, querido (a) professor (a), como engaja os alunos com uso das ferramentas digitais? Conte aqui nos comentários e ajude a fomentar práticas docentes.

Um abraço,

Débora Garofalo. Professora da rede Municipal de Ensino de São Paulo, formada em Letras e Pedagogia, mestranda em Educação pela PUC-SP e colunista de Tecnologia para o site da NOVA ESCOLA. 

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