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Pequeno dicionário amoroso da inclusão

Entenda o que significam alguns termos para ensinar seus alunos a usá-los de maneira adequada e também para você se informar

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NOVA ESCOLA
Foto: Getty Images

A chegada de uma criança com deficiência a uma turma de escola precisa ser construída com diálogo e muita empatia. Conversar com os alunos e explicar a eles que um novo coleguinha está chegando e que ele deve ser tratado com respeito é crucial. Da mesma forma, é importante ter cuidados com a linguagem.

O termo correto para se referir à criança é pessoa com deficiência. Usar “deficiente” ou “portador de deficiência” é incorreto. E vale a pena explicar aos alunos a razão: os dois termos resumem a pessoa à deficiência – e ela é muito mais do que isso. Pessoa com deficiência é o termo adequado e usado por diversas organizações, entre elas a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Instituto Rodrigo Mendes, que é referência no Brasil nesse assunto.

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O próprio IRM aponta a importância de evitar estereótipos de vulnerabilidade ou de superação para retratar experiências com estudantes com deficiência. “A avaliação positiva é importante, desde que mostre o personagem como uma pessoa comum”, diz o instituto em seu site.

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A seguir, veja algumas definições que podem ajudar a entender melhor alguns transtornos e deficiências, assim como lidar com crianças e adolescentes com deficiência.

Acolhimento. Criar espaços e oportunidades para que a família do aluno com deficiência e a própria pessoa com deficiência possam se reunir e trocar ideias é fundamental. Um dos exemplos de acolhimento é o projeto do Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (CIEJA) Campo Limpo, com sua experiência de realização de encontros para estudantes e familiares conversarem, trocando ideias e pontos de vista sobre autonomia, entre outros assuntos.

Asperger. Transtorno do espectro autista que pode afetar relações sociais.  É caracterizado pelo interesse em determinados temas, memorização de informações a respeito e mais dificuldade de interpretar relações não-verbais, como uso de ironia. As crianças não apresentam dificuldades cognitivas e podem avançar na aprendizagem – saindo-se muito bem em algumas áreas de maior interesse.

Autismo. Síndrome definida por alterações presentes desde idades muito precoces e que se caracteriza sempre por desvios qualitativos na comunicação, na interação social e no uso da imaginação. Não existe apenas um tipo de autismo pois o transtorno possui várias nuances, é um espectro

Deficiência auditiva. É a perda parcial ou total da audição, causada por má-formação (causa genética), lesão na orelha ou nas estruturas que compõem o aparelho auditivo. A criança com deficiência auditiva tem direito a intérprete de Libras e material de apoio na escola.

Deficiência física. São complicações que levam à limitação da mobilidade e da coordenação geral, podendo também afetar a fala, em diferentes graus. As causas são variadas – desde lesões neurológicas e neuromusculares até má-formação congênita - ou condições adquiridas, como hidrocefalia (acúmulo de líquido na caixa craniana) ou paralisia cerebral. As crianças com deficiência física, em geral, têm dificuldades para escrever, em função do comprometimento da coordenação motora. O aprendizado pode ser um pouco lento, mas a linguagem é adquirida com facilidade.

Deficiência intelectual. A criança tem dificuldades para compreender ideias abstratas, como valores monetários e noção do tempo, e resolver problemas. Tem dificuldade para estabelecer relações sociais, compreender e obedecer as regras estabelecidas, além de enfrentar problemas para realizar atividades cotidianas, como ações de autocuidado. Nas aulas e nas rodas de conversa, a capacidade de argumentação pode ser afetada, portanto é preciso estimular a criança para facilitar o processo de inclusão.

Deficiência múltipla. É a ocorrência de duas ou mais deficiências simultaneamente – sejam deficiências intelectuais, físicas ou a combinação das duas. Não existem estudos que comprovem quais são as mais recorrentes. O aprendizado de tarefas simples pode variar conforme o grau das deficiências e dos estímulos recebidos ao longo da vida.

Empatia. habilidade para perceber o estado emocional do outro. Para que ela exista, é preciso entender a perspectiva alheia e reconhecê-la como válida, sem julgamentos. O nível de empatia varia de pessoa para pessoa, mas é possível melhorá-lo, pois essa habilidade pode ser aprendida. E a escola é um ambiente riquíssimo para desenvolvê-la, pois é um local favorável para praticar o respeito às diferenças e para enxergar as situações pela perspectiva do outro. E esta visão de mundo pela perspectiva do outro, este respeito, é fundamental para a inclusão da pessoa com deficiência.

Envolvimento. Criar projetos que envolvam todos os alunos, desde um projeto em que todos os alunos aprendam escrita braille ou Libras, ou adaptar uma atividade física como um jogo, ou mesmo criar espetáculos de dança e teatro que envolvam todos os alunos. Não faltam exemplos de projetos simples que possam incluir todos os alunos

Inclusão. Uma escola inclusiva é uma escola que inclui a todos, sem discriminação, e a cada um, com suas diferenças, independentemente de sexo, idade, religião, origem étnica, raça, deficiência. É uma escola com oportunidades iguais para todos e estratégias diferentes para cada um, de modo que todos possam desenvolver seu potencial. A educação inclusiva é incondicional. Isto não ocorre com a integração. A integração precede a educação inclusiva em relação às políticas e práticas e seu modelo é baseado na busca pela "normalização", negando a questão da diferença. 

Paralisia cerebral. Lesão que afeta uma área do cérebro e danifica o funcionamento de diferentes partes do corpo, provocando alterações no tônus muscular e comprometendo a coordenação motora. Em alguns casos, há também problemas na fala, na visão e na audição.

Respeito. O respeito às características pessoais (físicas e culturais), a valorização das diferenças e também das semelhanças, a promoção do respeito às individualidades podem começar em um plano de aula logo no primeiro ano, ensinando os alunos a reconhecerem, aceitarem e respeitarem suas características e as dos colegas. E também evitando criar rótulos para as pessoas com deficiência.

Síndrome de Down. Trata-se de uma deficiência caracterizada pelo funcionamento intelectual inferior à média, que se manifesta antes dos 18 anos. Além do déficit cognitivo e da dificuldade de comunicação, a criança apresenta redução do tônus muscular (hipotonia) e em muitos casos tem problemas na coluna, na tireoide, nos olhos e no aparelho digestivo.

Síndrome de Rett. Doença neurológica que atinge, na maioria dos casos, crianças do sexo feminino. Caracteriza-se pela perda progressiva de funções neurológicas e motoras após meses de desenvolvimento aparentemente normal. Após esse período, as habilidades de fala, capacidade de andar e o controle do uso das mãos começam a regredir. A criança pode esquecer as palavras aprendidas e passa a ter dificuldade no contato social.

Síndrome de Williams. Transtorno que costuma causar hipersensibilidade auditiva e dificuldades para se alimentar. Problemas motores e falta de equilíbrio também são comuns. A criança, por outro lado, costuma desenvolver boa memória auditiva e muita facilidade na comunicação, além de utilizar gestos e manter contato visual para se comunicar.

Tecnologias assistivas. Área do conhecimento interdisciplinar que engloba recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços com objetivo de ampliar a participação de pessoas com deficiência, mobilidade reduzida. Ela visa garantir autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social da população com deficiência.

Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD). São distúrbios nas interações sociais recíprocas que se manifestam nos primeiros anos de vida. Caracterizam-se pelos padrões de comunicação estereotipados e repetitivos, assim como pelo estreitamento nos interesses e nas atividades. Englobam os diferentes transtornos do espectro autista, as psicoses infantis, a Síndrome de Asperger, a Síndrome de Kanner e a Síndrome de Rett.

 

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