Ir ao conteúdo principal Ir ao menu Principal Ir ao menu de Guias
Aprendizagem | Educação Financeira


Por: Paula Salas

Você sabe ensinar seus alunos a gerir dinheiro?

Educação Financeira será obrigatória, a partir de 2020, para ensinar alunos a gastar e a poupar de forma responsável

Créditos: Eduardo Marques
ORÇAMENTO
Valor da cesta básica e gastos da família são explorados por Carla com a turma do 5º ano

Quanto gastar com alimentação, livros e jogos? Se quiser algo especial, como conseguir? A mesada costuma ser o primeiro contato dos alunos com o dinheiro e ela é, sem dúvida, um ponto de partida para aprender a gerir gastos. Não é o único, porém. A partir de 2020, com os novos projetos pedagógicos da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), educar financeiramente será obrigatório e vai além da óbvia contabilidade da mesada.

A Educação Financeira será um dos temas transversais do Ensino Fundamental e o assunto, que antes era associado apenas à Matemática, poderá ser abordado em diferentes componentes ou em projetos que visam trabalhar habilidades socioemocionais e reforçar a conexão entre o ensino e a realidade das crianças. A ideia é que os alunos aprendam sobre a finitude do dinheiro e adquiram competências que os levem a tomar decisões conscientes que permitam melhorar o bem-estar e o futuro. Uma das instituições envolvidas na nova proposta é a Associação de Educação Financeira (AEF-Brasil).“Queremos apresentar a temática e que ela possa se encaixar de forma integradora e transversal nas disciplinas”, comenta Cláudia Forte, superintendente da AEF. Algumas instituições já têm bons projetos nesse sentido.

A EDUCAÇÃO FINANCEIRA COMO TEMA TRANSVERSAL
Confira como abordá-la em diversos componentes




Matemática
Para Fernando Barnabé, diretor da Orez Educação, abordar o tema em Matemática implica em fazer um trabalho de leitura de informações; construção de tabelas e gráficos; cálculo de porcentagem, principalmente, ao falar de lucro e descontos; e análise de dados.



Língua Portuguesa

Além de interpretação de livros e outros materiais, o site Meu Bolso Feliz disponibiliza tirinhas da Turma da Mônica que trazem como temática a Educação Financeira, sendo que cada uma foca em um aspecto específico ( disponível aqui).



História

Aqui é possível estudar a história do dinheiro, conhecer as mudanças ao longo do tempo das moedas e cédulas, investigar como era o consumo e a produção e comparar como é hoje. Saber desse histórico permite entender melhor o dinheiro.




Geografia

É possível compreender o consumismo e seus desdobramentos na sociedade, também cabe abordar para falar dos processos de produção, circulação e consumo. Nas aulas sobre globalização, dá para falar sobre relações comerciais e o mercado financeiro internacional.

É o caso da EM Professora Eladir Skibinski, em Joinville (SC), uma das escolas selecionadas pela AEF para formar. A professora do 5º ano Carlas Pawluk está no projeto desde 2015 e atualmente compartilha sua experiência em formações da rede municipal de Joinville. Para iniciar, ela faz um diagnóstico do que os alunos já sabem sobre o assunto e pergunta sobre suas curiosidades. Entre as atividades desenvolvidas, está uma pesquisa de preços dos itens da cesta básica em estabelecimentos próximos à escola. Para discutir planejamento e poupança, a professora trabalha com planilhas, nas quais simulam situações com os gastos da família. Nesses momentos, Carlas apresenta dicas que os alunos levam para casa.

Para introduzir os alunos em termos financeiros, a educadora apresentou as diferenças entre cartão de crédito e débito, contou como funcionam as faturas, como preencher um cheque, qual é a importância da nota fiscal e discutiu os impostos. Carlas compartilhou o material com a professora do 4º ano Camilla Oliveira. “No começo, fui bem resistente, porque não sabia como desenvolver ou como os alunos iam receber o assunto. Mas os alunos estavam entusiasmados e levavam o que aprendiam para o dia a dia”, conta.

Com base em leituras coletivas, produções textuais, rodas de conversa e vídeos, a turma de Camilla estudou a história do dinheiro. Uma das atividades foi a troca de objetos. A curiosidade da turma adiantou a discussão sobre orçamento familiar. Juntos, eles entenderam como isso acontecia em cada família, classificaram as despesas e conversaram sobre consumo.“Mexeu muito com os alunos, porque começaram a ver o que os pais gastavam”, lembra.

No Fundamental 2, como seria?

Desde 2015, Patricia Paes Martins Bitencourt, professora de Matemática do Fundamental 2, desenvolve projetos de Educação Financeira. Este ano, ela criou um aplicativo para divulgar o trabalho que desenvolveu com os alunos de 6º, 7º e 8º ano sobre uso consciente de água. Durante o projeto, ela incluiu temas programáticos da disciplina como montagem de tabela, gráficos, média aritmética, sistemas de medidas, números decimais e suas operações e cálculo de área de diferentes formas geométricas. A professora já havia previsto relacionar o tema com conceitos da Educação Financeira – como entender o impacto do desperdício de água no orçamento familiar –, mas os alunos, que já estavam familiarizados com o tema, identificaram a possibilidade e perguntaram para a professora se não trabalhariam o assunto no projeto.“Eles trouxeram o conhecimento que já haviam construído.” Como suas colegas, neste ano,

Marilú Bonessi da Silva decidiu incluir nas aulas de Ciências temas como custo de produção, lucro e economia ao criar um projeto sobre tratamento de lixo e os 5 Rs (refletir, recusar, reduzir, reutilizar e reciclar). Ela propôs às turmas de 6º e 7º ano reutilizar o óleo de cozinha para produzir sabão. À princípio, o produto seria apenas enviado às famílias junto com a receita para incentivar a produção, mas surgiu uma demanda da comunidade escolar, então, no contraturno, os alunos continuaram o projeto. Parte do dinheiro arrecadado é utilizado na produção e, por decisão dos alunos, a outra é para comprar materiais para o laboratório.

Antes de conversar sobre Educação Financeira, os professores passam por um processo semelhante de aprendizagem. “Fez diferença na minha vida. Hoje eu repenso diante de uma compra, organizo o orçamento familiar, vi a importância de ter uma reserva. Quanto antes, mais fácil é criar esses hábitos”, diz Carlas. O envolvimento com os pais é essencial. “Antes de começar, sugiro uma conversa entre pais e professores para admitir que é um assunto difícil para todos. A escola precisa ter uma postura de aprender e discutir”, explica Cássia D’Aquino, especialista no assunto há mais de 20 anos, autora de livros e representante do Brasil na Global Financial Education Program, iniciativa de programas de Educação Financeira com populações de baixa renda.

DEIXE AS CONTAS EM ORDEM
Doutor em Educação Financeira, Reinaldo Domingos criou a metodologia DSOP para impactar nosso comportamento diante das finanças



1. Diagnosticar
No primeiro momento, a proposta é fazer uma fotografia da vida financeira, ou seja, registrar o que recebe e gasta por um mês, de maneira a que no final seja possível saber para onde vai esse dinheiro e traçar estratégias de redução de gastos.


2. Sonhar
Seja em família ou com a turma, a proposta é pensar nos sonhos individuais e coletivos e traçar ações para cumprir esses objetivos. A ideia aqui é que, com planejamento e independentemente da renda, as pessoas possam realizar seus sonhos.

3. Orçar
Disponibilização de ferramentas para criar um orçamento financeiro, então colocar os gastos em ordem de prioridades. Ele diz que, em primeiro lugar, deve estar quanto é necessário guardar para realizar o sonho.


4. Poupar

Ao reduzir os gastos, parte do que é poupado vaipara os sonhos de curto, médio e longo prazo. Faz parte da Educação Financeira entendera importância de saber investir, ou seja,potencializar esse dinheiro.