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Como usar as ferramentas digitais a favor das competências socioemocionais

Essenciais ao mundo contemporâneo, as competências socioemocionais são transversais ao currículo escolar

POR:
Débora Garofalo
Crédito: Getty Images

Estamos vivendo novos tempos na Educação!  A aprovação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) definiu um norte aos currículos brasileiros e tornou a tecnologia uma competência de ensino que deve atravessar todas as áreas do conhecimento.

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Dentro deste cenário, ouvir os nossos estudantes é o primeiro passo para a mudança em sala de aula. Em 2016, uma pesquisa promovida pelo Porvir, chamada Reconstrução da Escola ouviu 132.000 alunos. Um dos pontos mapeados pela pesquisa são os pedidos de mudanças no processo de ensino – entre os quais, que a tecnologia seja inserida nas aulas.

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No entanto, é importante salientar que inserir ferramentas digitais nas aulas não significa inovar na Educação. É necessário que a inserção seja acompanhada de mudanças de práticas com novos fazeres pedagógicos. É preciso também que estas atividades tenham objetivos claros, potencializando o ensino e abordando novas maneiras de trabalhar o currículo proposto, sendo um importante suporte para desenvolver competências essenciais ao mundo contemporâneo, como empatia, colaboração e habilidades socioemocionais.

Nossos alunos são seres humanos complexos, assim, como cada um de nós. Para desenvolvê-lo, é necessário incorporar estratégias de aprendizagens flexíveis, que permitam conectá-lo com o mundo contemporâneo, vivenciando e experienciando atitudes socioemocionais.

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As ferramentas digitais podem colaborar e muito para este processo. Os estudantes aprendem a colocar em prática atitudes e habilidades para controlar emoções e sentimentos, resolver problemas, demostrar empatia, manter relações sociais e agir com colaboração, reflexão e ética, exercitando ainda na escola, situações para a vida toda.

As competências socioemocionais são divididas em cinco eixos principais:

  • Abertura ao novo (curiosidade para aprender, imaginação criativa e interesse artístico);
  • Consciência ou autogestão (determinação, organização, foco, persistência e responsabilidade);
  • Extroversão ou engajamento com os outros (iniciativa social, assertividade e entusiasmo);
  • Amabilidade (empatia, respeito e confiança); e
  • Estabilidade ou resiliência emocional (autoconfiança, tolerância ao estresse e à frustração)

Como trabalhar em sala de aula

 O caminho deve contemplar o diálogo, rodas de conversa e estudos de casos, dentro de atividades e suportes de ferramentas digitais. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) sugere um aprendizado pautado em quatro pilares:

Para trabalhar com os pilares acima, é importante que o socioemocional esteja presente, justamente com o desenvolvimento cognitivo. É preciso estabelecer um elo com os diferentes contextos de aprendizagem que envolvem a escola, família, comunidade e indicadores de bem-estar, como a saúde, qualidade de vida e segurança.

Algumas ferramentas digitais de fácil acesso – e algumas delas até são velhas conhecidas nossas – são excelentes suportes para trabalhar com os alunos e propícias para o desenvolvimento das competências socioemocionais.

Google sala de aula: é uma ferramenta de colaboração e, por isso, possibilita nesse ambiente virtual e interativo trabalhar o eixo das competências socioemocionais relacionadas ao engajamento com os outros. Entenda mais sobre o funcionamento da ferramenta aqui.

Redes Sociais: que tal criar um grupo no Facebook com os estudantes, trazendo exemplos de questões socioemocionais e no final pedir para os alunos utilizar os emoctions para expressar os seus sentimentos? Este é um bom exercício para trabalhar com o tema, além de aproximar o aprendizado da realidade dos alunos.

Mapas mentais: excelente oportunidade para explorar o tema a partir da perspectiva socioemocional, um destes temas podem ser o cyberbullying, onde os alunos deverão encontrar soluções. Entre os existentes, destaco Mind Node, Free mind, Ree Plane e Coggle.

Sites: já é possível trabalhar com o desenvolvimento das habilidades a partir de alguns sites também. Recomendo dois: o Instructables e o DIY. O  Instructables que nasceu das experiências do MIT Media Lab,  o laboratório de inovação do Massachusetts Institute of Technology (MIT), um dos mais importantes institutos de tecnologia, nos Estados Unidos. A equipe do laboratório criou uma plataforma para trocar experiências e projetos internos que pudessem impactar o mundo. Restauração, culinária, marcenaria, moda e vários outros temas inspiram as pessoas a compartilhar suas habilidades.

Já o DIY oferece mais de 100 habilidades motoras para serem desenvolvidas e compartilhadas. Ator, Biólogo, mecânico, detetive e produtor de vídeos são apenas algumas das possibilidades de criação. 

E você, querido professor, como trabalha as competências socioemocionais em sala de aula? Conte aqui nos comentários e ajude a fomentar práticas docentes.

Um abraço,

Débora Garofalo

Professora da rede Municipal de Ensino de São Paulo, formada em Letras e Pedagogia, mestranda em Educação pela PUC-SP e colunista de Tecnologia para o site da NOVA ESCOLA.