Ao mestre curioso

Este Guia do Professor (do latim professore, "aquele que faz declaração, manifestação") Curioso (do latim curiosu, "que tem cuidado, cuidadoso, ávido de saber") vai ajudá-lo a descobrir de onde vêm algumas das palavras que fazem parte do dia-a-dia

POR:
Ricardo Prado

Giz
Aqueles pedaços de calcário reduzidos a pó e transformados em bastão, principal instrumento de trabalho, vêm do grego gypsos, que quer dizer gesso.

Diretor
O mesmo que "guia", segundo a origem latina directore. A palavra surgiu de rectu, "direito, reto, conforme a regra".

Diploma
De origem grega, díploma queria dizer "papel dobrado". O diploma de fato é grande, mas ninguém tem coragem de dobrá-lo, talvez porque seja tão difícil conquistá-lo.

Airtmética/Algarismo
O substantivo grego que designava número, arithmós, surgiu do verbo árthmo, "unir-se, conjuntar-se". Da arte de juntar os números, que os gregos sabiam fazer tão bem, surgiu a palavra arithmetiké.
Algarismo sofreu outra influência, a dos árabes, mestres na Matemática. Segundo alguns estudiosos, é proveniente do nome do matemático Al-Huuarizmi, que viveu no século 9.

Educação
Do latim educare, significa "conduzir para fora". Sem dúvida, é uma boa definição do ato de preparar uma pessoa para a vida.

Bedel
Teria origem no francês antigo bedel, "oficial de justiça". A mesma palavra teria originado, no alemão, Büttel, "sargento, arqueiro", e, no inglês antigo, bydel, "mensageiro". Com efeito, o bedel de escola não deixa de ser uma mistura de sargento, mensageiro e oficial de justiça.

Lápis
Vem do latim lapis, pedra. Há notícias de seu uso desde o século 16, na Itália. Os lápis nessa época eram feitos de um mineral chamado plombagina, proveniente da Inglaterra. Quando a França entrou em conflito com os ingleses, a matéria-prima tornou-se rara. Comprovando que a necessidade é o grande combustível das invenções, o químico Nicolas-Jacques Conté conseguiu fabricar lápis usando uma mistura de grafite, pólvora e terra argilosa.

Cola
O produto (para colar papéis) tem origem grega, kólla, que significa "goma". Mas a origem da gíria escolar parece estar no francês colle, que tem o sentido duplo de "cola, grude" e "dificuldade, problema a resolver". Quem não estudou para uma prova está, de fato, com um problema, e pode ser tentado a resolvê-lo colando.

Grêmio
A origem é latina, com grafia idêntica ao português, significando "regaço, seio, proteção".

Baderna/Bagunça/Faniquito
Por volta de 1850, uma bailarina italiana chamada Marietta Baderna despertou muitas paixões no Rio de Janeiro. Seus admiradores, apelidados de "os badernas", provocavam tamanha confusão nas apresentações que o sobrenome da bailarina entrou para nosso vocabulário no próprio século 19, pelas mãos do dicionarista Antônio Joaquim de Macedo Soares.
Já a origem da palavra bagunça é, literalmente, uma bagunça. Há quem diga que veio do celta baga, combate. Outros defendem a origem no francês bagarre, tumulto, barulho, motim. Uma terceira versão relaciona com a palavra bagaço, termo usado em Minas Gerais para caracterizar desordem, ao qual se juntou a terminação unça. Bagunça pode ser também uma máquina de mover aterro (pense no caos provocado por ela). Mas quando um aluno tiver um faniquito, você pode interrompê-lo explicando que o que ele(a) está tendo vem do árabe annicd, que significa "desfeito em pedaços".

Xerox/Mimeógrafo
De origem grega, kserós, "seco", identifica o tipo de reprodução que se dá por fotocondutividade, em oposição à cópia úmida produzida pelo mimeógrafo, cuja origem não tem a ver com o processo, mas com a imitação da escrita. A palavra vem do grego mimese, "imitação", mais graphos, "escrita".

Escola/Liceu
Alguns alunos podem até duvidar, mas antigamente a escola era encarada como uma bela diversão.
Na Grécia Clássica, estudar era uma atividade possível apenas para aqueles privilegiados que não precisavam trabalhar. Daí que o nome scholé, depois schola no latim, designava lazer, descanso ou alguma atividade feita na hora do descanso, como... estudar!
Do que se fazia nessa hora derivou o local onde as pessoas se divertiam, quer dizer, estudavam. Portanto, quando fazemos da sala de aula um lugar prazeroso, estamos, de fato, retornando às origens.
Já a palavra liceu se refere ao local onde Aristóteles ministrava suas aulas, o lykeion. Durante o Império Romano, lycaeu ganhou o sentido de "escola onde os jovens podiam dominar alguns ofícios". A mesma idéia prevaleceu no Brasil, como prova o Liceu de Artes e Ofícios.

Pedagogo
Na Grécia Antiga, o escravo encarregado de levar a criança para as escolas era chamado de paidagogus. Curiosamente, a mesma palavra gerou também o adjetivo "pedante", embora o verdadeiro educador não deva ser nem escravo nem pedante.

Nota
Uma nota ruim pode marcar o aluno e, muitas vezes, está por trás da evasão quando essa marca se repete.Você certamente viu esse veredicto em muitos livros e ouviu em palestras de educadores. Pois o mal já estava detectado na origem latina.
Nota tanto pode designar "sinal, marca" como "tatuagem, marca feita com ferro em brasa".

Merenda/Lanche/Refeitório/Cantina
Do latim merere, "merecer", veio a palavra merenda. Lanche nasceu do inglês lunch, almoço rápido. Refeitório surgiu de refectorius, o lugar de refeição nas comunidades religiosas durante a Idade Média. E cantina veio do italiano e significava "caverna". Era o lugar onde os militares guardavam vinho durante as campanhas. Falando em comida, você sabia que a palavra "paladar" vem do latim palatum porque os romanos acreditavam que era no céu da boca (o palato) que os sabores eram identificados, e não na língua?

Reprovação
Vem do latim reprobare, sinônimo de "rejeitar, recusar".

Problema
Etimologicamente, significa "lançar-se à frente", pois surgiu do prefixo grego pró, "diante, à frente", mais bállein, "pôr, colocar, lançar". Daí o sentido de algo que precisa ser transposto, o que gerou, inclusive, o termo geográfico "promontório". No latim, gerou propositum (pro, com o mesmo significado do grego, e positum, "posto, colocado").

Quadro-negro/Lousa
O primeiro vem do latim quadru, quadrado (embora seja retangular e, na maioria dos casos, verde em vez de negro). A origem da palavra lousa está no tipo de material usado na fabricação, e não no formato. Lausiae, em latim, identifica pedra lisa semelhante à ardósia utilizada na construção de lápides e, claro, de lousas.

Computador
A origem do nome desse equipamento, criado em 1946 (olha só, parece tão moderno e já tem quase meio século!), está no latim computare, "calcular, contar".

Cadeira
Sua origem está no grego káthedra, local de assento. A palavra "catedral", ou seja, o lugar onde fica a mais alta autoridade eclesiástica de uma região, tem a mesma origem. Fazendo analogia, quando alguém conhece algum assunto "de cátedra" é porque é uma autoridade no tema.

Desenhar
Do latim designare, "marcar, representar, ordenar, arranjar".

Sirene
Aquele estridente sinal que indica o fim da aula vem da palavra latina sirena e significa "sereia". Nada mais distante de um canto de sereia que uma sirene de escola, não é?

Papel almaço
Esse papel era fabricado em maços e o nome vem do português antigo a lo maço.

Biblioteca
Na origem grega queria dizer uma grande caixa (theké) de livros (biblion). Assim, as escolas que mantêm caixas de livros nas salas de aula podem, de fato, se orgulhar de ter uma biblioteca em cada classe.

Palmatória
O instrumento "educativo" de tortura, felizmente extinto, tem origem na expressão latina palmatoria ferula, que significa varinha de palmeira. Os "bolos" eram dados na palma das mãos, mas a origem da expressão remete à árvore.

Aula
Vem do grego aulé, palácio ou corte, pois as primeiras escolas funcionavam em construções anexas aos prédios de reis e religiosos. Do local onde se dava veio o nome da prática. Alguns filólogos admitem que aulé também valia para os pátios das residências, o que torna a origem da palavra menos imponente e mais prosaica.

Escrever
Scribere, em latim, quer dizer "traçar, marcar com estilo".

Caligrafia
Surgiu do grego kalligraphía, indicando uma "escrita bela, estilo admirável".

Gincana
Do inglês gymkhana, com provável origem no hindustani gend khana, "casa de bolas".

Jogral
O provençal joglar (ou juglar) vem de joculare, que motivou o adjetivo latino jocularis, "divertido, engraçado, ridículo".

Livro/Cartilha
Do latim libru, indica a casca das árvores, chamada de líber, na qual antigamente se escrevia. Já a palavra cartilha surgiu do grego khártes, "folha de papiro", de onde vieram também carta e carteira.

Você sabia?

Você sabia que uma caneta tem carga suficiente para escrever uma linha de até 3 quilômetros de extensão?

Inventada em 1938 por Ladislao Biro, a caneta esferográfica ganhou o mundo quando o francês Marcel Bich fez dela um objeto descartável.

A primeira escola brasileira foi fundada no arraial do Pereira, no Recôncavo Baiano, em abril de 1549, pelos jesuítas comandados por Manuel da Nóbrega. Nela o primeiro professor foi Vicente Rodrigues, 21 anos, o Rijo.

As primeiras escolas femininas de Portugal surgiram apenas em 1815, mais de dois séculos e meio após uma solicitação do governador-geral do Brasil, Tomé de Souza, a pedido do padre Manuel da Nóbrega. A corte de Lisboa, encabeçada justamente por uma mulher, a rainha Dona Catarina, nem sequer se dignou a responder a "tão extravagante solicitação".

Quer saber mais?

Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, Antonio Houaiss e outros, 2922 págs., Ed. Objetiva, tel. (21) 2556-7824; 140 reais

Word Origins and Their Romantic Stories, de Wilfred Funk, 432 págs., Ed. Bell, EUA

Dicionário de Provérbios, Locuções, Curiosidades Verbais, Frases Feitas, Etimologias Pitorescas e Citações, de Raimundo Magalhães Jr., 366 págs., Ed. Ediouro, (disponível só em bibliotecas)

Dicionário Etimológico Nova Fronteira, de Antonio Geraldo da Cunha, 839 págs., Ed. Nova Fronteira, tel. (21) 2537-0770, 101 reais

Dicionário de Etimologias da Língua Portuguesa, de R. F. Mansur Guérios, 206 págs., Ed. Nacional/Ibep, tel. (11) 6099-7799 (disponível em bibliotecas)

Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado, 5 volumes, Ed. Livros Horizonte, Portugal

A Casa da Mãe Joana, de Reinaldo Pimenta, 250 págs., Ed. Campus, tel. 0800-265340, 29,90 reais

De Onde Vêm as Palavras, de Deonísio da Silva, 255 págs., Ed. Mandarim, tel. (11) 3649-4716, 24 reais

O Guia dos Curiosos, de Marcelo Duarte, 535 págs., Ed. Cia. das Letras, tel. (11) 3167-0801, 38 reais

História da Educação, de Paul Monroe, 394 págs., Ed. Nacional/Ibep (disponível só em bibliotecas)

Primórdios da Educação no Brasil, de Luis A. Mattos, 306 págs., Ed. Aurora (disponível só em bibliotecas) 

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