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10 dúvidas dos pais sobre alfabetização

Eles querem saber se o filho está aprendendo a ler e escrever a contento. Veja como explicar

POR:
Daniele Pechi

Alunos no plano de fundo escrevem sentados juntos em volta de uma mesa, lápis coloridos no primeiro plano

Quem é alfabetizador já sabe: todos os anos é preciso incluir na rotina conversas com as famílias, que sempre estão cheias de perguntas a respeito do processo de aprendizagem dos filhos. "Se os pais se preocupam com a vida escolar das crianças, a escola deve ser pontual ao responder às dúvidas", afirma Beatriz Gouveia, coordenadora de projetos do Instituto Avisa Lá.

Para demonstrar de forma clara o compromisso em oferecer as condições que permitem o avanço dos pequenos nessa fase, é necessário contar aos responsáveis como eles aprendem. "Apresentar os registros das atividades e as sequências didáticas é de grande ajuda nesse processo", explica Yara Maria Miguel, pedagoga e formadora do programa Ler e Escrever, da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. Yara lembra ainda a importância de esclarecer a concepção de trabalho da instituição, já que a maioria dos familiares foi alfabetizada de uma forma diferente, por meio de cartilhas e da cópia, por exemplo. Hoje, as crianças são estimuladas a refletir sobre a escrita e a ler, mesmo sem saber, para aprender.

NOVA ESCOLA perguntou aos pais quais eram as dúvidas mais frequentes sobre o tema e aos professores quais as questões que mais ouviam das famílias dos alunos. Com a consultoria de Yara e de Beatriz, respondemos às dez principais.

1 Por que algumas crianças, da mesma idade e classe, conseguem ler e escrever e outras não?
Porque o processo de aprendizagem é individual. Apesar de os professores darem várias orientações coletivas em sala, a trajetória de cada aluno é singular. Para tranquilizar os pais, apresente a eles a proposta pedagógica da escola, bem como as sequências didáticas desenvolvidas em sala. Informe sua preocupação em trabalhar as diferentes habilidades das crianças em atividades desenvolvidas em grupo e dupla, além das individuais, nas quais são abordadas necessidades específicas. Ao conhecer as situações propostas, eles devem compreender que a turma está sendo sempre desafiada com objetivos relacionados à leitura e à escrita. Esse progresso fica mais claro quando você mostra os registros de cada um dos estudantes desde o início do ano e explica como foi a evolução deles.

2 Meu filho de 5 anos está na pré-escola e ainda não reconhece as sílabas simples. Isso é comum?
Sim. Conte que nessa etapa de ensino a escola está mais preocupada com a inserção das crianças em práticas sociais de linguagem. Com esse trabalho, elas são desafiadas a escrever da forma que sabem para, aos poucos, entenderem como funciona o sistema de escrita convencional. Explique que durante muito tempo a alfabetização foi feita por meio do treino e da memorização de sílabas, mas que hoje o trabalho é realizado de um modo mais eficaz. Nessa concepção, o fundamental é dar aos pequenos a oportunidade de pensar sobre a forma como se escreve em atividades de leitura e escrita com um sentido prático. Isso ocorre, por exemplo, quando ouvem você lendo um conto e refletem sobre as menores unidades da escrita vendo a lista de nomes dos colegas.

3 Meu filho escreve as palavras coladas umas nas outras. Por quê?
O nome dado a isso é hipossegmentação. Trata-se de um fenômeno temporário e bastante comum na alfabetização, quando a garotada procura reproduzir no papel o que escuta e fala. Nem sempre, no entanto, essa estratégia funciona. O problema se dá porque as crianças ainda não reconhecem o espaço entre as palavras como um sinal gráfico, o que vai ocorrer à medida que continuarem a ser desafiadas a ler e escrever. Explique que é comum também a hipersegmentação - separar o que deve ser escrito junto - e que existe uma série de propostas didáticas para que os pequenos compreendam a separação correta das palavras (disponível aqui e aqui). Conte aos pais que durante as aulas você tem feito intervenções para ajudar as crianças a superar isso, e dê alguns exemplos.

4 Por quê a turma do 3º ano leva para casa textos com erros ortográficos? Não há correção?
Esclareça que no planejamento você elenca conteúdos diversos a serem ensinados. Assim, foca em determinados aspectos da língua em alguns momentos, não exigindo tanto com relação a outros, dependendo da sua intenção. Por exemplo, se o objetivo da atividade for a produção textual, considerando a capacidade de escrever convencionalmente e de comunicar bem as ideias, a correção ortográfica pode não ser avaliada naquela hora. É importante explicar a razão: os alunos não teriam condições de coordenar os dois desafios, isto é, o processo de textualização e o rigor ortográfico. Reitere que escrever corretamente do ponto de vista ortográfico é importante e que esse é um conteúdo cobrado em outros dias.

5 Qual é o melhor jeito de estimular as crianças em casa para o aprendizado?
As maneiras são muitas. Conte aos pais que para os pequenos adquirirem o gosto pela leitura desde cedo é fundamental que a palavra escrita esteja presente. Cabe aos familiares, então, deixar à disposição dos filhos livros, suplementos de jornais, gibis e revistas. O material deve estar em prateleiras baixas, ao alcance deles, proporcionando a livre exploração. Além disso, incentive-os a levar a criança à biblioteca mais próxima. Lá, a primeira coisa a fazer é a inscrição dela. Com a carteirinha em mãos, ela vai poder escolher as obras que mais a agradam para ler ali mesmo ou levar para casa. Outra boa dica é permitir que os pequenos usem o computador. Hoje em dia, eles aprendem as letras pelo manuseio do teclado. Deixar sempre à mão canetas, lápis e papéis é um convite à escrita.

6 Minha filha tem 5 anos e já sabe ler, mas seus colegas não. O que é feito para não desestimulá-la?
A escola entende que a diversidade de saberes é uma característica de todas as turmas, e vê nisso vantagens pedagógicas. Diga aos pais que as crianças também são fonte de informações e saberes e que na troca entre elas ocorrem novas aprendizagens. Conte que a forma de organizar o tempo didático já prevê situações nas quais aquelas que estão em níveis de aprendizagens distintos vão receber desafios diferentes. Isso significa que todas serão convidadas a participar das aulas, cada uma de acordo com a contribuição que pode dar naquele momento. Por isso, você inclui no planejamento situações em que os conhecimentos de cada aluno são valorizados. Dê exemplos de propostas que apresentou à menina, como ler em voz alta para os colegas ou indicar para eles um livro de que tenha gostado. Esclareça ainda que, por estar mais avançada, ela está aprendendo outros conteúdos, como a ortografia.

7 É comum os pequenos escreverem as letras ao contrário?
Sim, durante um período determinado, na alfabetização inicial, eles podem grafar as letras de forma espelhada. Isso ocorre em algumas situações e em outras não. Conte para os pais o motivo: as crianças estão em contato com muitos signos diferentes e novos para elas, tendo, inclusive, que diferenciar letras de números. Uma informação sobre a nossa língua pode ajudá-los a compreender essa situação. Explique que a direcionalidade da escrita é arbitrária. No caso do português, ela é feita da esquerda para a direita, mas nem todas são assim. Quando o aluno escreve da direita para a esquerda, ele acaba fazendo a rotação das letras. Fale que o processo vai se aprimorando à medida que você lança desafios, faz intervenções, reforça a direção da escrita e corrige a rotação dela por meio do uso de referências, como o alfabeto que está sempre disponível para as crianças na parede da sala de aula ou a lista com os nomes de todos da turma. Assinale, por fim, que nos momentos da leitura, você mostra que lê da esquerda para a direita.

8 Existe uma idade e um ano corretos para aprender a ler?
Espera-se que até o fim do 1º ou do 2º ano as crianças estejam lendo e escrevendo convencionalmente e compreendendo a função comunicativa da língua. Aprender a ler é um processo que pode ser iniciado desde muito cedo, quando as oportunidades são dadas. Deixe claro para as famílias o que isso significa: os pequenos precisam se relacionar com as práticas de leitura e escrita e com a cultura escrita, participar das aulas, se aproximar da função comunicativa da língua e, assim, aos poucos construir conhecimentos. Muitos já chegam à escola sabendo ler e escrever e outros nem sequer tiveram contato com livros ou textos de naturezas diversas antes de frequentar a instituição. Por isso, informe que você leva essas diferenças em consideração na hora de planejar as atividades da turma.

9 Quando deve ser iniciado o trabalho com a letra cursiva?
Apenas após as crianças alcançarem a escrita alfabética, fase em que já possuem organizada a lógica do sistema (assista ao vídeo). Nesse momento, elas mesmas demonstram o desejo de escrever com a letra cursiva e, com orientação e algum treino, em pouco tempo, todas aprendem. Esclareça aos pais que, na alfabetização inicial, os pequenos trabalham pensando em quais e quantas letras são necessárias para escrever as palavras. As de fôrma maiúsculas são as ideais para essa tarefa, já que têm traçado simples - diferentemente das cursivas, que são emendadas umas às outras. O importante, reforce, não é só a conquista de uma escrita legível mas também ganhar rapidez, essencial para ter agilidade nas anotações. Isso será útil tanto nas tarefas escolares como em outras situações ao longo da vida.

10 Meu filho pede que eu escreva o nome dele para que copie. Posso fazer isso?
Sim. Aprender a escrever o nome próprio é uma das formas mais significativas de iniciar a alfabetização. Tal aprendizagem começa com a cópia de um modelo. A regularidade da forma dos nomes permite entender que a escrita fixa a língua falada. Toda vez que os pequenos reencontram o seu, notam que ele tem as mesmas letras e, assim, vão construindo um repertório com significado. Trabalhar com a grafia desse termo também é relevante para a reflexão sobre o sistema de escrita. Por meio da lista de nomes da turma, você problematiza semelhanças e diferenças entre eles em momentos como o da chamada. Outras opções são o bingo de nomes, a forca e a colocação do nome da criança em seus pertences. Saiba mais sobre o tema.

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