Três razões para a derrota de Hitler

POR:
Aurélio Amaral
Navio americano afunda em Pearl Harbor. Foto: Wikimedia Commons
Navio americano afunda em Pearl Harbor. Foto: Wikimedia Commons

A reportagem "O Homem do Século" (Veja 2411, 4 de fevereiro de 2015) traz detalhes do filme O Jogo da Imitação (Morten Tyldum, Inglaterra/Estados Unidos, 2014). A produção, que concorre ao Oscar de 2015 em oito categorias, conta a história do matemático britânico Alan Turing (1912-1954), cujo trabalho foi fundamental para quebrar o Enigma - código com que os alemães se comunicavam durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Estima-se que, ao interceptar e decifrar as mensagens que revelavam táticas de combate, os aliados (Estados Unidos, Inglaterra, França e União Soviética) conseguiram abreviar em cerca de dois anos o fim do conflito. Veja a seguir três razões que levaram à derrota de Adolf Hitler (1889-1945).

1. Erro de cálculo geoestratégico
O exército alemão, preparado para as blitzkrieg - batalhas relâmpago, caracterizada por ataques rápidos e de surpresa - não previu, ao decidir invadir a União Soviética, os percalços oferecidos pelas condições geográficas na região. O rigoroso inverno russo fez com que armamentos e combustíveis congelassem, aviões não pudessem decolar e combatentes não resistissem ao frio. Assim, as forças alemãs capitulam pela primeira vez na Batalha de Stalingrado, em 31 de janeiro de 1943. O Exército Vermelho abriria caminho até Berlim, terminando com a guerra na Europa e dando a vitória aos aliados em 1945.


2. Má condução de alianças
O triunfo na guerra depende da construção de da manutenção de alianças. Contrariando o conselho de seus generais, Hitler resolve atacar a União Soviética, quebrando o Pacto Ribbentrop-Molotov, ou Pacto de Não Agressão Germano-Soviético. A decisão surpreendeu Moscou, que não esperava que o Reich estivesse disposto a assumir duas frentes de guerra.
A cúpula nazista também não foi capaz de explorar o pacto Anticomintern, assinado em 1936 com o Japão, que previa a cooperação entre os dois países. Hitler, por exemplo, não mostrou interesse em que o Japão participasse da Operação Barbarossa, que rompeu o Pacto Ribbentrop-Molotov. O Japão tampouco comunicou a Alemanha sobre o iminente ataque a Pearl Harbor.

3. A entrada da guerra nos Estados Unidos

Em dezembro de 1941, a Alemanha declarou guerra aos EUA em apoio ao Japão, que havia atacado a base norte-americana de Pearl Harbor. Antes disso, os EUA já haviam apoiado forças britânicas contra submarinos alemães e criado o Lend-Lease Act, que apoiava os países em combate contra a Alemanha. Redes de espionagem informavam Berlim sobre o debate que dividia os formadores de opinião na guerra. Havia a suspeita de que a corrente intervencionista - que apoiava a entrada no conflito - se imporia aos isolacionistas - que acreditavam que, com a distância geográfica, as redefinições de poder na Eurásia não abalariam a América. Com o ataque a Pearl Harbor, ficou mais fácil para Washington construir o consenso de que a intervenção seria a melhor alternativa. A entrada dos norte-americanos no conflito injetou recursos financeiros e bélicos nas investidas dos aliados - o que contribuiu para a reversão do processo.

Fonte: Rodrigo Medina Zagni o Professor de História das Relações Internacionais da Escola Paulista de Política, Economia e Negócios (EPPEN) e na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

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