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Como o status do professor afeta o desempenho do aluno

Pesquisa da Varkey Foundation mostrou que Brasil está em último lugar no ranking de prestígio dos docentes

POR:
Flavia Nogueira
Professora em meio aos alunos com mãos levantadas em sala de aula
Foto: Getty Images

A instituição beneficente Varkey Foundation divulgou o Índice Global de Status de Professores (Global Teacher Status Index – GTSI) de 2018 e, entre as conclusões, está a de que existe uma ligação entre o prestígio do professor na sociedade e o desempenho dos estudantes na escola.

A pesquisa é sequência da GTSI de 2013 e trata-se do estudo mais abrangente sobre a opinião da sociedade sobre os professores em 35 países ao redor do mundo.

E o Brasil está no último lugar do ranking do prestígio dos professores. Aqui o status do professor é inferior àquele de qualquer um dos 35 países pesquisados. A posição do Brasil no índice de 2018 mostra que o país caiu desde a primeira pesquisa, há cinco anos. Em 2013 o país ficou em 20º lugar entre os 21 países pesquisados.

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De acordo com os pesquisadores, além dos índices desanimadores para o Brasil, a GTSI também demonstrou esta conexão entre a valorização dos docentes e o bom desempenho dos estudantes: os países que apresentaram níveis mais baixos de prestígio dos professores, em geral apresentam também as pontuações mais baixas no Programa Internacional de Avaliação dos Alunos (PISA), a avaliação para alunos de 15 anos promovida pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Na última edição do PISA, cujos resultados foram divulgados em 2016 e que contou com 72 países, o Brasil ocupou a 59ª posição em leitura, 66ª em Matemática e ficou com o 63º lugar em Ciências. O ranking do PISA é organizado da seguinte forma: 1 equivale à maior pontuação e 35, a menor pontuação. O Brasil obteve a pontuação 28. Já a China, primeira colocada no ranking de prestígio do professor na sociedade, conseguiu a pontuação 7 no último PISA. Taiwan, que ficou em terceiro no ranking de prestígio do professor, obteve a pontuação 3,5 no PISA.

“Este índice finalmente oferece provas acadêmicas para algo que sempre soubemos instintivamente: a ligação entre o status dos professores na sociedade e o desempenho das crianças na escola. Agora podemos afirmar, sem sombra de dúvida, que respeitar os professores não é apenas um dever moral importante, é essencial para os resultados do sistema educacional de um país”, diz Sunny Varkey, fundador da Varkey Foundation.

Para Sunny, o primeiro GTSI em 2013 já foi alarmante.

“Quando realizamos o Índice Global de Status de Professores cinco anos atrás, ficamos alarmados com o peso das provas que indicavam o baixo prestígio dos professores em todo o mundo. Foi isso que nos inspirou a criar o Global Teacher Prize, que destaca o trabalho extraordinário que os professores fazem no mundo todo.”

Na contramão

Para se chegar a este índice, a Varkey Foundation fez a pesquisa GTSI em 35 países entrevistando mil pessoas com idades entre 16 e 64 anos em cada um deles e cerca de 200 professores em quase todos os 35 países pesquisados.

Na primeira pesquisa do GTSI, em 2013, o Brasil estava em penúltimo lugar no índice de prestígio do professor. Apesar de, em geral, o status dos professores estar aumentando globalmente, o Brasil está na contramão e registrou a queda para o último lugar do ranking. A China ficou em primeiro lugar.

De acordo com a pesquisa, menos de um em cada dez (9%) dos brasileiros ouvidos acha que os alunos respeitam os professores, o menor número entre os 35 países pesquisados. Para comparar, na China 81% dos pesquisados acreditam que os estudantes respeitam seus professores, mais do que em qualquer outro país pesquisado. E esta situação não mudou no Brasil nos últimos cinco anos, quando a primeira pesquisa do GTSI (com 21 países) foi realizada e mostrou que os entrevistados brasileiros eram mais propensos a sentir que os alunos não respeitavam os professores.

Em 2018, o Brasil ficou atrás de outros países da América Latina como a Argentina, que ocupa o 31º lugar no ranking, Colômbia, em 26º lugar, Peru (25º lugar) e Panamá (15º).

Os brasileiros pesquisados também acreditam que seu sistema de ensino está em um nível inferior ao de praticamente qualquer um dos 35 países pesquisados, com um índice de 4,2 em uma pontuação máxima de 10. Atrás do Brasil neste aspecto está apenas o Egito, com uma pontuação de 3,8.

Os brasileiros acreditam que os professores trabalham bem menos do que eles realmente trabalham. O público pesquisado estima que os docentes trabalham 39,2 horas por semana, mas os professores entrevistados relataram que estão trabalhando 47,7 horas por semana.

Ordem de respeito

A pesquisa também mediu a ordem de respeito pela profissão do docente. Foi pedido aos entrevistados que classificassem 14 profissões, incluindo médico, enfermeiro, bibliotecário e assistente social, em ordem de respeito. Os pesquisados do Brasil classificaram os professores e diretores do Ensino Médio em uma posição inferior à daqueles de qualquer outro país pesquisado. Já os professores do Ensino Fundamental ficaram na terceira posição mais baixa por país, depois de Gana e Uganda.

Entre os pesquisados brasileiros 29% acreditam que a profissão mais comparável à de professor é a de bibliotecário, a mesma comparação feita em 2013. Outros 23% afirmaram que é a de assistente social. Apenas a China, Rússia e Malásia compararam os professores aos médicos.

E a profissão de docente também não é a mais popular entre os ouvidos pela pesquisa. Apenas 20% dos pesquisados incentivaria os filhos a serem professores. Esta é a sétima posição mais baixa de todos os países pesquisados.

 

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