Manoel de Oliveira: um dos grandes cineastas dos séculos 20 e 21

Falecido em abril de 2015, ele começou a filmar na época do cinema mudo e lançou seu último trabalho em 2014

POR:
NOVA ESCOLA
Crédito: Gorupdebesanez (wikicommons
O cineasta na Mostra de Cinema
de Veneza, em 1991

Ele foi considerado o cineasta mais longevo do mundo e um dos mais ativos, tendo produzido 60 filmes. É o que mostra a reportagem Morre aos 106 anos o diretor de cinema Manoel de Oliveira, publicada no site de Veja em 2 de abril de 2015.

Conhecer um pouco da carreira de Manoel de Oliveira é mergulhar na história do cinema e na de Portugal também. Proponha à turma do Ensino Médio estudar um pouco da filmografia produzida por ele na aula de Arte.

O fato de a cultura portuguesa ser bastante periférica e inexpressiva no mundo colaborou muito para que Oliveira não tenha sido tão assistido se comparado a outros grandes nomes do cinema, como Ingmar Bergman e Godard. Ainda assim, ele é um dos grandes nomes dos séculos 20 e 21. "Seus filmes mais recentes influenciaram e muito a linguagem cinematográfica das últimas duas décadas", diz Ângela Prysthon, professora do programa de pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Ela destaca algumas de suas principais obras:

  • Aniki-Bóbó (1942): é o primeiro longa de ficção que Oliveira dirigiu. Antecipa estilísticos do neo-realismo italiano, que traz à tona um retrato comovente da infância em Porto, cidade natal do cineasta.
  • Acto de Primavera (1963): nele, Oliveira mescla documentário e ficção ao filmar a encenação de uma peça da Paixão de Cristo do século 16 feita por camponeses do norte de Portugal.
  • O estranho caso de Angélica (2010): na obra, o cineasta retoma técnicas fazendo um filme que desafia a ideia da morte da película.

Manoel de Oliveira também investiu em adaptações literárias. Angela sugere conhecer "Vale Abraão" (1993), "O Princípio da Incerteza" (2002) - ambos baseados em romances de Agustina Beça-Luís, uma das principais escritoras portuguesas -, e "Singularidades de uma rapariga loura (2009), baseada num conto de Eça de Queirós.

No cenário mundial, Oliveira ficou conhecido por "O convento" (1995), também baseado em Bessa-Luís, que teva a participação de Catherine Deneuve e John Malkovic, e "Um filme falado" (2003). "Ainda sugiro assistir 'Os canibais' (1988), uma espécie de ópera satírica de horror. É um dos meus filmes favoritos", fala Ângela.

A última produção do cineasta é "O Velho do Restelo" (2014), em que aparecem reunidos no século 21 o personagem Dom Quixote, o poeta Camões e os escritores Teixeira de Pascoaes e Camilo Castelo Branco. O grupo conversa sobre o passado e o presente.

Quer saber mais?

SITES INTERNACIONAIS - They Shoot Pictures, Don't They? | À pala de Walsh| Público

Consultoria:

Ângela Prysthon, professora do programa de pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

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