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5 perguntas sobre Cursos Online Abertos e Massivos (Moocs)

Carreira

POR:
Wellington Soares

Alberto Cairo, professor da Universidade de Miami, responde a cinco dúvidas sobre os Moocs, cursos que podem ter até milhares de alunos por sala

5 perguntas sobre Cursos Online Massivos e Abertos (Moocs). Crédito: André Menezes

O crescimento de dois portais de cursos online surgidos em 2012 parece estar redesenhando o que se conhece como Educação a Distância. As plataformas Coursera e edX, das quais participam algumas das mais importantes universidades do mundo, oferecem um novo tipo de experiência de aprendizado virtual: os Moocs (Cursos Online Abertos e Massivos, da sigla em inglês). Veja abaixo respostas dadas por Alberto Cairo, professor da Universidade de Miami e criador de cursos desse tipo, a cinco perguntas sobre o assunto.

O que são os Moocs?
ALBERTO CAIRO São cursos online nos quais qualquer pessoa interessada no tópico de que ele trata pode se inscrever. São completamente gratuitos e os materiais utilizados costumam estar todos disponíveis gratuitamente na plataforma do curso. A principal diferença entre um Mooc e cursos presenciais é que a interação dos alunos com o conteúdo não é simultânea, ou seja, nem todos os estudantes estão em sala de aula ao mesmo tempo. Os materiais estão disponíveis por um determinado período de tempo e o aluno pode participar das atividades quando quiser. A principal diferença para um curso a distância tradicional é quantidade de estudantes que muda radicalmente. Por isso, a dinâmica de trabalho acaba sendo diferente.

É possível aprender com cursos desse tipo?
CAIRO Sim, mas a experiência é diferente. Fazer um Mooc é muito parecido com ler um livro ou assistir a um vídeo educativo. O sucesso depende muito mais da disciplina interna do que em cursos presenciais, em que ela é imposta, pelo menos em partes, pelo instrutor. Nos cursos massivos online, é você que precisa determinar, por exemplo, quais serão os horários em que vai estudar.

Qual o perfil do aluno desse tipo de curso? Eles exigem mais dedicação do estudante?
CAIRO Como temos até milhares de estudantes por turma, o perfil do aluno é muito variado, logicamente. Mas tenho identificado que as pessoas com maior sucesso são aquelas que já têm o hábito de se autodisciplinar e, por isso, são capazes de organizar seu próprio tempo. Como consequência, os Moocs não funcionam muito bem com pessoas mais novas que, em média, não sabem ainda como organizar bem o tempo. Para elas, os cursos tradicionais são muito melhores.

Quanto à dedicação, depende muito do aluno e da quantidade de conteúdo do curso. Se imaginarmos um Mooc com a mesma duração de uma aula universitária, ele demandaria do aluno uma quantidade de tempo parecida. Já a demanda por organização é maior. Por isso alunos mais maduros, que costumam saber se organizar de uma maneira mais eficiente costumam se sair melhor em cursos desse tipo.

Como fica a interação entre alunos e professores?
CAIRO A interação com professores é difícil porque há muitos alunos. Nos cursos que ofereço, tento me envolver o máximo possível com meus estudantes: entro nos fóruns e mando mensagens sempre que possível. Nas atividades propostas, escolho algumas aleatoriamente e as uso para exemplificar os problemas mais comuns que vejo nos trabalhos de todos os estudantes.
Mas além dessa interação vertical, entre aluno e professor, há também uma interação horizontal, que ocorre entre os próprios alunos. É comum nos Moocs que parte da atividade seja comentar nos fóruns de discussão e os trabalhos feitos pelos colegas. Parte desses comentários é pautada por um roteiro de perguntas que, baseado nas leituras feitas pelos estudantes, apontam os pontos que os alunos precisam observar. Assim, os estudantes se ajudam entre si.

Os cursos online ameaçam os cursos presenciais?
CAIRO A resposta a essa pergunta tem duas partes. Os cursos presenciais massivos, em que 200 alunos passam horas em uma sala ouvindo o professor, estão sim sendo ameaçados por cursos online. E esse fenômeno é absolutamente positivo, porque nos ambientes virtuais há interação maior do que nesses modelos de curso. É muito mais interessante que esse mesmo professor grave um vídeo com sua exposição, coloque-o na internet e depois convide os alunos a discutir sobre esses conceitos que ele entregou nos fóruns online do que deixa-los assistindo a essas aulas sem nenhuma interação.

Entretanto, cursos em que há um número menor de alunos por sala de aula e a interação com o professor é constante não estão ameaçados, pelo menos por enquanto, por cursos online. Quando há 20, 30 estudantes por sala, o professor pode agir quase como um mentor, um treinador que age diretamente com os alunos para fazer com que eles desenvolvam suas habilidades. Essa relação tão próxima não pode ser desenvolvida em um Mooc.

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