5 perguntas sobre o ebola

POR:
Bruno Mazzoco

Nova epidemia põe a comunidade internacional em estado de alerta. Esclareça as principais dúvidas da turma sobre a doença

Desde a confirmação do primeiro caso, em fevereiro, novo surto da doença já vitimou mais de 4 mil pessoas. Além dos países africanos que concentram os principais focos da doença, já foram confirmados casos nos Estados Unidos e Espanha. Utilize as questões para ampliar os conhecimentos da turma.

1. Quando surgiu o ebola?
O vírus foi descoberto em 1976, quando ocorreu a primeira epidemia, no antigo Zaire, hoje República Democrática do Congo. Sem nenhum conhecimento prévio sobre a doença, um médico local fez chegar uma amostra de sangue contaminado ao cientista Peter Poit, do Instituto de Medicina Tropical, em Antuérpia, na Bélgica. Na mesma época, 31 pesquisadores de um laboratório alemão foram contaminados após trabalharem com macacos infectados. Piot decidiu, então, ir à África para entender como ocorria a contaminação pelo novo vírus, batizado com o nome do rio que corta a região próxima aos primeiros casos da doença.

A partir da observação dos costumes da população local, a equipe de cientistas notou que a contaminação se dava principalmente pelo uso de seringas não esterilizadas e pelo contato com os corpos de vítimas da doença na preparação das cerimônias fúnebres. Após estudos em outros países que também viviam surtos de contaminação, os pesquisadores descobriram cinco gêneros do vírus, todos da mesma família, a Filoviridae.

Acredita-se que durante séculos o vírus tenha ficado restrito aos morcegos, seus hospedeiros originais. Seu contato com humanos provavelmente ocorreu pela ingestão de carne ou pela mordida de animais infectados.

2. Quais são as características da doença? Como o vírus funciona no corpo humano?
A contaminação se dá pelo contato com qualquer fluido corporal do infectado (humanos ou animais) com mucosas ou feridas na pele. A ação do vírus no corpo humano é semelhante à da raiva, doença também advinda originalmente de morcegos e que, se não tratada, pode causar a morte em questão de dias.

O vírus do ebola permanece incubado por 21 dias e depois passa a atacar as células que revestem os vasos sanguíneos. A partir desse momento, começam a aparecer os sintomas: febre alta, dores de cabeça, dores no corpo. Podem ocorrer também náuseas, vômitos e diarreia. Com o tempo, o vírus ataca órgãos como os rins, fígado, pulmão e coração, causando a morte por falência múltipla de órgãos em 50% dos casos. Esse também é o estágio em que a doença se torna contagiosa. Por isso, a medida mais eficaz no combate à propagação do vírus é o isolamento do paciente. Em sua variante mais perigosa, a doença possui até 88% de letalidade.

3. O que motivou essa nova epidemia?
Essa é a primeira vez que o foco da doença ocorre na região Noroeste da África. Os principais países atingidos são Libéria, Serra Leoa e Guiné.

Fatores como a alta concentração populacional das regiões afetadas, aspectos sociais e culturais – como lavar os cadáveres antes do funeral – e a falta de informação contribuem para a disseminação da doença nos países afetados.

O novo surto de ebola começou com a morte de um garoto em uma aldeia remota na Guiné. Em alguns dias, a doença se espalhou, provocando a morte de toda a família do garoto, das enfermeiras que o trataram e de todas as pessoas do vilarejo que entraram em contato com eles.

4. Existe a possibilidade de ocorrer uma epidemia mundial?
A possibilidade de que isso ocorra é remota. Embora seja letal, o vírus tem uma estrutura simples, incapaz de sofrer mutações, segundo especialistas. Além disso, os esforços para conter o avanço da doença mobilizam diversos países, que contam com condições mais favoráveis para o isolamento de pessoas suspeitas de estarem contaminadas.

5. O ebola tem cura?
Sim, mas seu mecanismo ainda é desconhecido. O tratamento da doença ainda é basicamente o mesmo da época de sua descoberta, na década de 1970: o paciente é mantido isolado e é constantemente hidratado para manter os níveis de sais como potássio e sódio sob controle. Depois, é torcer para que o corpo produza os anticorpos necessários para matar o vírus.

Pesquisadores americanos e canadenses desenvolveram um soro ainda em fase de testes, batizado de Zmapp, que consiste em uma dose concentrada de anticorpos, que "ganha tempo" para que o corpo do doente produza suas próprias defesas.

Países como os Estados Unidos, Canadá e Inglaterra estão fazendo testes para o desenvolvimento de vacinas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a expectativa é que medicamentos preventivos estejam disponíveis no início de 2015.

 

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