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Blog de Alfabetização

Troque experiências e boas práticas sobre o processo de aquisição da língua escrita.

Quando uma receita de bolacha vira galeria de fotos e tutorial em vídeo

Na alfabetização, a mistura de atividades tradicionais com formatos inovadores são chave para envolvimento

POR:
Mara Mansani
Crianças de touca higiênica na cabeça mexem em uma forma com massa de biscoito espalhada. Uma das crianças olha para a frente da foto e sorri
A criançada adora literalmente colocar a mão na massa! Foto: acervo pessoal.

As crianças gostam muito de fazer experimentos culinários. É sempre uma alegria, todos querem participar! Esse tipo de atividade é sempre uma ótima oportunidade para explorar a escrita na alfabetização: tanto o processo de aquisição da base alfabética quanto a aprendizagem sobre gêneros textuais (no caso, textos instrucionais), suas características e funções.

Já fiz, com meus alunos: pães, bombons, pratos típicos brasileiros... Mas dessa vez, minha turma do 1º ano escolheu fazer bolachinhas decoradas (os cariocas que me desculpem, mas aqui em São Paulo nós amamos o nosso regionalismo da bolacha).

Mas imagine como é fazer bolachinhas com 32 crianças ao mesmo tempo! Parece impossível, mas deu tudo certo no final, e foi uma deliciosa atividade! Para isso, fizemos várias outras atividades de preparação, nas semanas que antecederam a produção: falamos sobre higiene na manipulação dos alimentos, simulamos um treinamento com o papel de cada um na produção, apresentei a receita, lemos várias outras receitas, levantamos as características desse gênero, etc.

No dia tão esperado, todos estavam muito ansiosos. Fizeram e comeram sua própria produção! As bolachinhas ficaram deliciosas.

Nos dias seguintes à produção, passamos à etapa da escrita da receita. A proposta foi escrever a receita para registrar o que a turma aprendeu, e para ensinar a família e outras pessoas a fazer as bolachinhas.

Dessa vez, propus aos alunos que eles registrassem a receita de diferentes maneiras: o texto escrito na forma tradicional; através de fotografias da produção, em que as crianças deveriam escrever as legendas; e uma terceira possibilidade era um vídeo com o tutorial da receita. Mas isso tudo sem perder a proposta de escrever alfabeticamente.

Para a primeira produção textual, que era a receita tradicional, escrevemos coletivamente. Eles fizeram um revezamento: cada um tinha um trecho da receita que deveria ser ditado para os escribas que estavam à lousa. Na lousa, chamei somente os alunos que ainda estão consolidando a base alfabética para escreverem os trechos. A cada trecho escrito na lousa, todos copiavam em suas folhas individuais. No processo, eu fui mediando a prática, fazendo perguntas sobre as características do texto instrucional, ajudando a turma a refletir sobre a melhor maneira de escrevê-la.

A segunda proposta, de escrever o texto combinando com imagens (as fotografias), foi individual. Cada aluno recebeu as fotos dos passos da receita, e escreveu as legendas explicativas para as imagens. Foi mais fácil escrever a receita nesse formato porque as imagens ajudaram muito a turma a identificar os passos e o que deveria ser descrito. Sem contar que eles já haviam produzido as bolachinhas e escrito a receita uma vez.

A terceira proposta (gravação de tutorial em vídeo) ainda vai ser realizada. A ideia é escolher dois alunos para fazer a gravação, que deve acontecer com a participação de todos. A direção será dada pelo texto escrito. É a primeira vez que proponho essa forma de registro na alfabetização. Vamos ver no que vai dar! Os tutoriais que ensinam a fazer receitas e outras coisas na internet já fazem parte de nossas vidas, mas é importante que os alunos compreendam que todas as formas de linguagem estão interligadas.

É interessante notar que mesmo na alfabetização as crianças são capazes de produzir em diferentes linguagens, e que essas produções são ótimas propostas para engajar os pequenos na aprendizagem. Como eu disse no post da semana passada, nós professores somos sempre aprendizes. Mesmo depois de tantos anos realizando essa atividade, aprendi uma nova maneira de desenvolvê-la.

E vocês, queridos alfabetizadores? Quais foram as práticas mais recentes que vocês incorporaram em sala de aula? Compartilhem nos comentários!

Um grande abraço e até semana que vem,

Mara Mansani

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