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Especialistas | Helena Singer


Por: Helena Singer

Inovar para enfrentar a vulnerabilidade

A escola e a família precisam apoiar os alunos na criação de espaços seguros para a conscientização sobre esse grave problema

Cresce a preocupação com a vulnerabilidade dos adolescentes revelada em diagnósticos de depressão, levando a um número crescente de casos de automutilação e suicídio. Se esses casos são extremados, certamente não são dissociados do uso cada vez mais precoce e generalizado de drogas, ilícitas e lícitas, inclusive, as prescritas. Essa situação torna ainda mais urgente transformar o ambiente e as dinâmicas escolares. É preciso trazer para a escola essas questões, abrindo o currículo para os interesses dos estudantes. Algumas já introduziram aulas sobre os aspectos fisiológicos das drogas, mas isso é insuficiente em um mundo em que os adolescentes acessam e compartilham velozmente a informação. Uma forma mais ativa e interdisciplinar da questão, com os estudantes compartilhando e debatendo as pesquisas que eles já fazem sobre o tema terá certamente grande efeito. Mais importante ainda é criar na escola um ambiente seguro e acolhedor para que esses temas sejam debatidos. Os próprios estudantes podem organizar essas discussões, prevendo, inclusive, o anonimato para tirar dúvidas. É muito importante que a gestão garanta que o que for compartilhado nesse espaço não significará punições. Os pais não podem ficar de fora desta conversa. As experiências dos adolescentes com as drogas envolvem a escola tanto quanto a família. A escola porque, em geral, são experiências do grupo, é nele que circulam os incentivos, informações e as oportunidades. Mas a família também está envolvida, já que, muitas vezes, depende dela a autorização para a participação nos eventos, assim como os recursos e o transporte.

Quando pais, escolas e os próprios adolescentes não se integram para enfrentar juntos a questão, cada um deles se sente impotente diante do filho que está consumindo drogas muito cedo, dos estudantes que chegam à escola entorpecidos ou dos colegas que estão se colocando em riscos cada vez maiores.

A grande inovação é apoiar os próprios alunos a criar e liderar iniciativas de conscientização e cuidado, cada um assumindo sua responsabilidade em relação aos mais novos e podendo contar com os adultos para apoiar os mais vulneráveis.

Helena Singer é doutora em Sociologia e líder da Estratégia de Juventude para a América Latina na Ashoka. Foi assessora especial do MEC

Crédito: Tomás Arthuzzi/Nova Escola