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Como a aula de Arte aumentou a autoestima e diminuiu preconceitos

Conheça o projeto Eu sou uma Obra de Arte: Etnias do Mundo, do professor Jayse Antonio de Pernambuco, que conversa com várias disciplinas

POR:
NOVA ESCOLA
Foto: Getty Images

Trabalhar com a autoestima dos alunos através da arte e do conhecimento das várias etnias do mundo: esta foi a proposta do professor Jayse Antonio, da Escola de Referência em Ensino Médio Frei Orlando, em Itambé, Pernambuco. 

O projeto EU SOU UMA OBRA DE ARTE: Etnias do Mundo, criado em 2014 pelo professor de Arte, nasceu de uma conversa em sala de aula, quando ele notou que seus alunos tinham dificuldades em responder uma parte do questionário do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

"Eles não queriam se identificar como negros ou pardos. Conversando com eles eu percebi que, na verdade, se tratava da questão do preconceito. Eles não queriam marcar como negro porque, segundo eles, era encarado como algo inferior, eles poderiam ter algum prejuízo."

Foi neste momento que o professor teve a ideia de mostrar que a diversidade é bonita. Jayse incentivou os alunos a pesquisarem sobre várias etnias diferentes na internet e, para complementar, o professor comprou o livro Face a Face – Uma Jornada por Povos do Mundo de Alejandro Szanto Toledo, no qual o autor percorreu vários continentes fotografando pessoas de muitos países.

"Eu levei para a sala de aula e mostrei: 'Olha como é bonito ser indiano! Olha os traços de um alemão, de um africano!' E eles perceberam que na sala deles tinha muita diversidade."

A proposta de Jayse foi a de fazer uma série de fotografias dos alunos iguais às do livro, com cada aluno representando uma etnia. O resultado foi uma exposição de fotos e um vídeo e o aumento da autoestima dos alunos.

"O que vi mais de imediato foi a aceitação, porque eles tinham o preconceito. Tínhamos muitos alunos que utilizavam alisadores no cabelo, maquiavam-se para esbranquiçar a pele porque tinham um certo preconceito com a pele negra e mestiça. E quando eles viram que no mundo todo tem pessoas bonitas de várias formas que não só o loiro, perceberam que era para se orgulhar de suas características físicas."

Jayse também notou que o bullying diminuiu e a frequência do alunos aumentou.

"A aceitação e a autoestima são fundamentais para aprendizagem. O aluno que se gosta, que se aceita, ele gosta de estar em um ambiente que o aceite. E isso foi reverberando, observamos que foi encadeando o processo de aprendizagem mais efetivo mesmo."

Clique aqui e baixe o projeto

Veja o vídeo do projeto abaixo.

Apresentação/Justificativa

Esse material tem como objetivo ajudar os professores a visualizarem uma maneira criativa e interdisciplinar de implementação da Arte em seus componentes curriculares.

O projeto EU SOU UMA OBRA DE ARTE: Etnias do Mundo, foi considerado pelo MEC como o melhor projeto pedagógico do Ensino Médio do Brasil no ano de 2014.

Por conta de seu baixo custo e por seu fácil diálogo com outras disciplinas, ele pode ser facilmente replicado em qualquer seguimento de Ensino Básico ou Superior.

Em consonância com a BNCC

Igualdade, diversidade e equidade

No Brasil, um país caracterizado pela autonomia dos entes federados, acentuada diversidade cultural e profundas desigualdades sociais, os sistemas e redes de ensino devem construir currículos, e as escolas precisam elaborar propostas pedagógicas que considerem as necessidades, as possibilidades e os interesses dos estudantes, assim como suas identidades linguísticas, étnicas e culturais.

O Brasil, ao longo de sua história, naturalizou desigualdades educacionais em relação ao acesso à escola, à permanência dos estudantes e ao seu aprendizado. São amplamente conhecidas as enormes desigualdades entre os grupos de estudantes definidos por raça, sexo e condição socioeconômica de suas famílias.

Diante desse quadro, as decisões curriculares e didático-pedagógicas das Secretarias de Educação, o planejamento do trabalho anual das instituições escolares e as rotinas e os eventos do cotidiano escolar devem levar em consideração a necessidade de superação dessas desigualdades. Para isso, os sistemas e redes de ensino e as instituições escolares devem se planejar com um claro foco na equidade, que pressupõe reconhecer que as necessidades dos estudantes são diferentes. De forma particular, um planejamento com foco na equidade também exige um claro compromisso de reverter a situação de exclusão histórica que marginaliza grupos – como os povos negros e indígenas.

• Contextualizar os conteúdos dos componentes curriculares, identificando estratégias para apresentá-los, representá-los, exemplificá-los, conectá-los e torná-los significativos, com base na realidade do lugar e do tempo nos quais as aprendizagens estão situadas; • decidir sobre formas de organização interdisciplinar dos componentes curriculares e fortalecer a competência pedagógica das equipes escolares para adotar estratégias mais dinâmicas, interativas e colaborativas em relação à gestão do ensino e da aprendizagem;

• Selecionar e aplicar metodologias e estratégias didático-pedagógicas diversificadas, recorrendo a ritmos diferenciados e a conteúdos complementares, se necessário, para trabalhar com as necessidades de diferentes grupos de alunos, suas famílias e cultura de origem, suas comunidades, seus grupos de socialização etc.;

• Conceber e pôr em prática situações e procedimentos para motivar e engajar os alunos nas aprendizagens;

• Criar e disponibilizar materiais de orientação para os professores, bem como manter processos permanentes de formação docente que possibilitem contínuo aperfeiçoamento dos processos de ensino e aprendizagem;

Competências gerais da BNCC trabalhadas no projeto

Competência 3 - Senso estético

Competência 4 - Comunicação

Competência 8 - Autoconhecimento e autocuidado

Competência 9 - Empatia e cooperação         

                              

Disciplinas que podem ser trabalhadas

Artes, Matemática, Geografia, Biologia, Sociologia, Filosofia, História

Jayse Antonio é arte educador formado pela Universidade Federal da Paraíba, com especialização em Psicopedagogia. Foi duas vezes vencedor do Prêmio Professores do Brasil (2014 e 2017) na categoria Ensino Médio. É professor do estado de Pernambuco na escola Escola de Referência em Ensino Médio Frei Orlando, município de Itambé, onde ministra aulas de Arte e Filosofia aos alunos do 1º ao 3º anos.

 

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