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Plataforma cria trocas de experiências entre professores

Vivescer cria espaço para desenvolvimento pessoal, trilhas de desenvolvimento e compreensão dos dilemas da profissão

POR:
Flavia Nogueira

Foto: Getty Images

A profissão do professor é inspiradora, mas também pode ser muito solitária. Esta foi uma das conclusões do Instituto Península durante estudos para a criação de sua plataforma digital lançada nesta terça-feira, a Vivescer.

A plataforma visa desenvolver o professor em quatro dimensões: emoções, mente, corpo e propósito e também é um espaço para que educadores possam trocar experiências, discutir os desafios da profissão e compartilhar boas práticas de ensino em um formato de comunidade online exclusiva para estes profissionais e com o objetivo de melhorar a qualidade da Educação no país.

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No entanto, antes de o projeto ser colocado em prática, foi necessário fazer uma pesquisa e o Instituto Península, organização social que visa a melhoria da Educação brasileira, conversou com muitos educadores e constatou esta queixa recorrente entre eles: a solidão da profissão. De acordo com as observações do instituto, os professores se sentem sem ajuda em sala de aula para responder às situações desafiadoras dos alunos.

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Heloisa Morel, diretora do Instituto Península, conta que a ideia da criação de uma plataforma surgiu no final de 2016.

“Sabíamos que queríamos contribuir com os professores, porque eles são a razão de existir do Instituto, e já sabíamos que o Instituto acredita no desenvolvimento do ser humano para além do cognitivo, porque somos mais completos, não somos apenas a mente”, afirma.

A partir desta intenção, foi feita uma análise na qual pesquisadores do instituto conviviam com o professor durante 48 horas e constatou-se que a solidão é um dilema que a profissão enfrenta diariamente.

“Começamos a ver todos os dilemas, os sacrifícios que ele faz para chegar na sala de aula, muitas vezes a dificuldade que ele tem com determinados dilemas que os alunos vivem. O professor também é só um ser humano e é um cara com muita potência para ajudar a transformar a sociedade.”

Segundo o instituto, o conteúdo foi elaborado por educadores com base nos resultados destas observações e com base em pesquisas e consultas a diversos autores, entre eles o pensador norte-americano Ken Wilber, criador da Teoria Integral.

“O que a gente trouxe de maneira bem simples foi: antes de ser um profissional, o professor é um ser humano e se ele não estiver capacitado e empoderado em todas as suas dimensões, ele não vai poder exercer o melhor de sua capacidade profissional.  Não basta a gente dar mais ferramentas para este profissional que está lidando dentro da sala de aula com a complexidade do mundo, que vai muito além do processo de ensino e aprendizagem.”

Heloisa acrescenta que a intenção com o lançamento da plataforma é “ser este lugar de desenvolvimento pessoal, profissional e individual do professor e sabemos que queremos, através desta plataforma, criar uma colmeia de colaboração. Porque a gente sabe que ele (o professor) é integral, ou seja, ele tem múltiplas possibilidades, ele tem múltiplos desafios”.

“Queremos ser um ponto desta colmeia, que possa colaborar com este desenvolvimento. Nem desejamos ser o único, estamos fazendo associação com outros especialistas que são muito capazes e são profundos conhecedores dessa teoria para falar como (podemos) juntar esforços.”

Comunidade

A plataforma é de acesso gratuito mediante cadastro e quer formar uma comunidade de professores.

“A nossa intenção é que o Vivescer possa ser esse lugar onde o professor encontra outros professores para discutir os seus dilemas, para fazer sua trilha de desenvolvimento no tempo dele, na medida dele, para que ele se sinta empoderado como ser e também como professor”, diz Heloisa.

Ainda no processo de pesquisa entre professores, foi constatado que muitos não tinham tempo entre as aulas para ler conteúdos longos.

“São materiais sucintos, são sínteses, e o professor vai se aprofundando nos conteúdos ou mergulhando mais na experiência como uma espiral mesmo. Então, se ele quiser, pode ir a uma profundidade 1, diversificando os conteúdos. Ou pode escolher ‘primeiro quero ir até a profundidade 3 para depois ir para o próximo (conteúdo)’.  A plataforma é totalmente customizável.  O professor vai poder escolher sua experiência.”

E a escolha do trabalho com as emoções foi um pedido dos professores.

“O primeiro feedback dos professores foi: por favor, eu queria este espaço meu. Então a escolha do tema emoções foi um pedido deles, diante de temas que talvez eles se sintam mais solitários, dentro de toda esta complexidade que eles estão lidando”, diz.

Heloisa conclui afirmando que são os professores que vão determinar o futuro da plataforma.

“O que a gente tem é uma intenção genuína de colaborar com o desenvolvimento dos professores então todo o feedback é bem-vindo. Que ele realmente possa falar: ‘isso aqui não está me ajudando, mas eu sinto falta disso’. E ele possa construir um lugar, porque estamos fazendo isso para que seja bom para eles”, conclui.

 

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