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Faltam para:   

Por dentro do universo mirim

Organização detalhada dos materiais e propostas de atividades diversificadas facilitam a formação das crianças menores

POR:
Luciana Zenti

Na sala de Patrícia Ximenes, na Escola Municipal de Educação Infantil Janete Clair, em São Paulo, duas crianças são escolhidas como "ajudantes do dia". No canto da classe, uma lista com os nomes dos ajudantes distribuídos pelos dias do mês organiza a seleção. Quando a atividade termina, eles ganham a incumbência de auxiliar a professora na arrumação. Mais que essa ajuda, a iniciativa serve para desenvolver uma competência essencial na Educação Infantil: a autonomia.

Decisões como essa fazem parte da rotina de Patrícia, que inclui em seu planejamento todos os pequenos detalhes que podem tornar as aulas mais produtivas. Às segundas-feiras, ela faz a organização semanal. No início do ano, uma reunião com a equipe de professores produz uma diretriz dos objetivos gerais e os conteúdos a ser trabalhados. O documento traz ainda orientações práticas, sugerindo estratégias e recursos. Na hora de organizar o trabalho, Patrícia leva em conta os interesses das 41 crianças, o tempo disponível e as atividades permanentes da escola. Verifica se há material para o que pretende propor, se o tema é adequado para a faixa etária e onde é possível colher mais informações.

Para Regina de Assis, relatora das Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Infantil, é essencial estar familiarizado com os processos de desenvolvimento da criança até 6 anos. Para isso, é preciso usar diferentes fontes de pesquisa. "Estar embasado numa teoria ou mais evita o trabalho de orelhada", diz a especialista. Regina Scarpa, coordenadora pedagógica da Educação Infantil do Colégio Nossa Senhora do Morumbi, em São Paulo, afirma que, na elaboração de um projeto ou atividade, é preciso lembrar que a criança tem um jeito de ser muito próprio. "O tempo de concentração é menor e o pensamento é influenciado por múltiplos fatores, como a vivência, a fantasia e a imaginação", diz. Ela destaca pontos que devem ser levados em consideração:

- Diversidade de propostas e atividades que incluam a dimensão lúdica e imaginativa do pensamento;

- Ter sempre uma intenção e um objetivo claro a ser atingido;

- E a regra de ouro: ser flexível.

Saber adaptar-se às situações imprevistas faz com que o trabalho ganhe em qualidade. O desenvolvimento rápido das crianças, a necessidade de estar sempre em movimento e a curiosidade por novos temas exigem um replanejamento permanente. "É importante que o professor de Educação Infantil converse com a turma o tempo todo. Tudo o que a criança diz ou cala deve ser anotado", ensina Regina de Assis. "É preciso estar sempre com as antenas ligadas."

O período de adaptação
Muitas crianças que iniciam a Educação Infantil vivem pela primeira vez a experiência de estar por algumas horas longe da família e da proteção que a própria casa representa. Por isso, é importante que nos primeiros quinze dias de aula a garotada receba atenção especial para facilitar a adaptação. Nessa hora, vale tudo: promover brincadeiras para entrosar os colegas, fazer um passeio pelas dependências do colégio, mostrar as salas de aula, o parquinho, o banheiro. "Toda a rotina deve ser voltada para conhecer a criança e promover sua socialização", ensina Regina Scarpa. Na Nossa Senhora do Morumbi, as mães são convidadas a permanecer na escola até que seja construído um vínculo com o novo espaço, os adultos e os colegas.

Organização e registro
Promover um trabalho em que a família participe é essencial. Zilda Rodrigues Alves, da Escola Municipal de Educação Infantil Vila Vintém, no Rio de Janeiro, costuma se aproximar dos pais nos primeiros dias. Eles são chamados para uma reunião e participam de uma entrevista individual. Durante a conversa, Zilda preenche um questionário com informações sobre a criança. Os dados ficam disponíveis no arquivo da escola. Todo ano o questionário é refeito, o que ajuda a acompanhar o desenvolvimento dos pequenos.

Ter um trabalho organizado pode ajudar no sucesso da atividade. E organização começa por planejamento. Zilda, por exemplo, depois que define os projetos que vai trabalhar ao longo do ano, separa uma caixinha de materiais (recortes de papel de várias cores e tamanhos, palitos de fósforo e picolé, algodão etc) para cada etapa. Mas nem sempre um planejamento bem feito é suficiente. Patrícia conta que muitas vezes surgem situações imprevistas e a aula toma um rumo totalmente inesperado. Ela só consegue propor outras atividades, no entanto, porque anota todos os dias o que acontece. "O registro serve como um espaço de reflexão", endossa Regina Scarpa.

Patrícia se acostumou a fazer as anotações no próprio quadro-negro. Assim as crianças podem acompanhar as descobertas e a professora pode copiar as informações num bloquinho no final da aula. Em casa, ela tem ainda uma agenda, em que registra a programação semanal, um quinzenário, que repassa para a coordenadora pedagógica, e um caderno de registros, para anotar a avaliação das crianças. "É bom ter as coisas marcadas para não repetir os erros", diz.

 

A Educação Infantil é importante porque

- propicia a utilização de diferentes linguagens, como a corporal, a musical, a plástica, a oral e a escrita

- faz com que a criança desenvolva uma imagem positiva de si mesma e seja mais independente

- ensina a conhecer o próprio corpo e os hábitos de cuidado com a saúde

- estabelece vínculos afetivos e de troca com adultos e outras crianças, fortalecendo a auto-estima

- desenvolve atitudes de ajuda e colaboração, bem como o respeito à diversidade

- estimula a expressão de emoções, pensamentos e necessidades

 

Quer saber mais?

Escola Municipal de Educação Infantil Vila Vintém, R. Gal. Gomes Castro, 360, CEP 21721-000, Rio de Janeiro, RJ, tel. (21) 3331-2980
Escola Municipal de Educação Infantil Janete Clair, R. Dr. Azevedo Sodré, 114, CEP 04937-080, São Paulo, SP, tel. (11) 5831-2358
Colégio Nossa Senhora do Morumbi, Av. Giovanni Gronchi, 4000, CEP 05724-000, São Paulo, SP, tel. (11) 3746-8234

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