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O início | Conte


Por: Tory Oliveira

Como uma coordenadora usa cartas para se aproximar de professoras

Há 15 anos em uma escola em São José dos Campos (SP), Sibéria Carvalho escreve mensagens para orientar recém-chegadas

COMUNICAÇÃO: Sibéria escreveu cartas para estreitar os laços com as novatas, como a professora Júlia. Crédito: Roosevelt Cássio.

Há quanto tempo você não recebe uma carta? De linguagem acessível e cheia de afeto, a correspondência foi usada pela coordenadora pedagógica Sibéria Carvalho para orientar as professoras que chegaram à EMEF Professora Rosa Tomita, em São José dos Campos (SP), em 2017. Sibéria, que está há 15 anos na escola, conta que as recém-chegadas tinham boa vontade e disposição para aprender, mas a pouca experiência com alfabetização e a falta de intimidade com a coordenação eram desafios. Sibéria complementou as formações já realizadas na escola com a escrita de cartas com elogios e orientações para melhorar o trabalho com o Fundamental 1. “Precisava me aproximar das professoras. A carta foi um registro pedagógico eficaz, que as incentivou. O desenvolvimento dos alunos na escrita, por exemplo, foi superior ao do ano passado”, comemora ela, que já escreveu 18 cartas. A iniciativa foi finalista do Prêmio Educador Nota 10 de 2018.


Opinião de especialista

Como aplicar as mensagens na orientação

Doutora pela Faculdade de Educação da Unicamp e coordenadora de projetos do Instituto Abaporu de Educação e Cultura, Rosaura Soligo escreveu sua tese de doutorado em forma de cartas. E também usou esse formato no livro Cartas Pedagógicas sobre a Docência.

1) Correspondência é ferramenta democrática
Pode-se abordar qualquer assunto. Cria intimidade entre quem envia e quem recebe e permite transmitir conteúdos densos em tom afetivo.

2) E-mail também funciona como carta?
Sim, basta usar a tecnologia com o espírito de uma carta. Em vez de escrever no corpo da mensagem, por exemplo, mande o texto como anexo.

3) Respostas devem ser espontâneas
Na rotina de uma escola, seria muito exigir isso dos docentes. A tendência, caso o trabalho seja bem orientado, é as cartas-respostas chegarem naturalmente à coordenação.


QUAL A TÉCNICA?

Mensagem deve ser personalizada
Ela pode ser dirigida tanto a um educador específico quanto a um grupo de docentes. O importante é que seja direta e personalizada aos destinatários.

Faça um diagnóstico do que está acontecendo
Saber a situação de alunos e professores é fundamental para um trabalho eficaz. Dê orientações claras e realistas e reconheça o
que já foi feito.

Não se prenda a um compromisso temporal
Escreva conforme identificar a necessidade de usar as cartas. Não é preciso estipular uma frequência para o envio das mensagens.


"A carta aproxima pelas palavras carinhosas. É a primeira vez que dou aula para o Fundamental. Recorro a ela quando tenho dúvidas"

JÚLIA DA RESSURREIÇÃO, PROFESSORA DO 2º ANO

"Sou professora de primeira viagem na alfabetização. Com a carta, me senti segura e bem acompanhada"

JOSELY LOURENÇO, PROFESSORA DO 2º ANO


Cuidado com os detalhes

Cartas devem ser parte da formação

Linguagem atenciosa: Use palavras carinhosas e de incentivo.
Isso ajuda a mostrar preocupação com o trabalho realizado.

Ofereça soluções: Contemple as dúvidas levantadas pelos professores ao
longo do período avaliado e proponha orientações práticas e claras.

Mostre-se disponível: Mesmo com esse recurso, é importante mostrar que você
está disponível pessoalmente caso seja necessário.

Ilustrações: Pedro Hamdan