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Nova Escola

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O final | Inspire-se


Por: Lívia Perozim

“A missão era ensinar minha mãe a escrever”

Amanda de Sousa conta como alfabetizou sua mãe por necessidade aos 13 anos e se descobriu professora

Minha mãe é deficiente auditiva e não se comunicava. Ela era muito constrangida, não saía, nós vivíamos isoladas. Ela só assinava o nome, copiando letra por letra. Com 13 anos, comecei a procurar emprego e vi que precisava de um adulto para tirar a carteira de trabalho. E ela não sabia assinar. Qual era a minha missão? Ensiná-la a escrever. Eu não sabia o que era didática e comecei com o que ela fazia comigo: bolo. Eu escrevia bolo e mostrava um bolo para ela. Ela punha a mão no meu queixo e eu punha a minha mão no dela para que ela sentisse a vibração. Eu falava “a, a, a” e escrevia “a, a, a”. A primeira coisa que ela aprendeu foi meu nome, Amanda. Depois, o dela, Aparecida. Esse processo durou uns dois anos. Hoje ela lê. Se vê uma receita na TV, ela fala “fubá”, “bolo”. E viaja sozinha. Quando comecei no meu primeiro emprego, meu chefe me perguntou: “Por que você não faz magistério?”. “Ser professora?”, eu disse. “Eu quero mais, eu quero mudar a vida das pessoas, fazer justiça.” E ele: “Talvez você faça justiça de outro jeito”

Amanda de Sousa, professora, 36 anos

Crédito da foto: Olga Vlahou