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Como os seus alunos podem salvar os museus ameaçados no Brasil

O Museu Nacional, o mais antigo do país, pegou fogo. O que você e seus alunos podem fazer a partir de agora?

POR:
Leandro Beguoci
Bombeiros e Defesa Civil trabalham após incêndio no Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, na zona norte do Rio   Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A essa altura, você provavelmente já sabe da história em detalhes. O Museu Nacional, o mais antigo do Brasil, com um dos maiores acervos de história, antropologia e ciências do mundo, pegou fogo. A instituição fundada há 200 anos não resistiu a décadas de orçamento apertado e descaso administrativo.

O que você provavelmente não sabe é que o Museu Nacional é, sobretudo, uma instituição educativa. Vinculado à UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e, portanto, ao MEC (Ministério da Educação), o museu funcionava como um centro de pesquisa e educação. Todo ano, estudantes de pós-graduação se encantavam com seu acervo que incluía ossos de dinossauro, múmias e até meteoritos. Embora museu evoque a ideia de algo antigo, uma instituição capaz de congelar o tempo, o Museu Nacional era vivo. Muito conhecimento era produzido ali todo dia.

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E é neste ponto que você e os seus alunos entram. A BNCC (Base Nacional Comum Curricular) do ensino fundamental foi pensada, também, para incentivar a pesquisa, para incentivar o aprendizado ativo. Duvida? Veja as competências gerais da BNCC. As competências incentivam a construção de repertório cultural e pensamento científico, crítico e criativo. E museus, dos maiores aos menores, são espaços privilegiados para exercitar essas competências.

Melhor do que isso, uma visita ao museu pode ter efeitos que duram a vida inteira. Quando ela é feita com um objetivo pedagógico claro, ela tem efeitos que vão muito além de um dia, de uma tarde numa instituição. Ela alimenta a imaginação, atiça a curiosidade, abre portas que os estudantes sequer desconfiavam. Vários grandes cientistas são capazes de descrever com detalhes a sua primeira visita a um museu. E talvez, no futuro, um deles se lembre que foi você, educador, quem lhe apresentou tanto conhecimento organizado. E, sendo mais otimista, talvez um deles vire deputado, senador, e coloque os museus na agenda.

Por fim, não há nada pior para um grande museu do que a indiferença. As instituições precisam de visitantes, de gente que se interesse por elas, que mostre aos governos que, sim, muitas pessoas se importam com essas organizações. Museu só é uma instituição viva quando ele entra na rotina da sociedade - e a escola é o lugar em que a sociedade se encontra para aprender.

Obviamente, a escola, sozinha, não vai resolver o problema de manutenção dos museus. Mas ela pode dar um passo importante ao se integrar a eles e ajudá-los a ganhar ainda mais relevância.

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Por causa disso, NOVA ESCOLA escolheu alguns museus, em várias partes do país, alguns pouco visitados, para você levar seus alunos. Aproveite enquanto eles ainda existem. Na atual situação financeira do país, não se sabe por quanto tempo eles vão resistir.

Fachada do Museu Paraense Emilio Goeldi, em Belém   Foto: Divulgação

Belém

Museu Paraense Emilio Goeldi
No centro da capital do Pará, o museu é uma preciosidade com seus bichos livres, pesquisas sobre línguas indígenas e conhecimento sobre a Amazônia. É parada obrigatória para qualquer pessoa interessada nesta grande região do Brasil.

Visitantes no Boque da Ciência do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em Manaus    Foto: Caroline Rocha/Divulgação

Manaus

Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia
O INPA é um monumento aos herois da pesquisa científica no Brasil. Por causa dele e dos seus pesquisadores, conhecemos ao menos uma parte da enorme biodiversidade da floresta. Toda criança brasileira deveria ir ao INPA ao menos uma vez na vida.

Detalhe de exposição no Museu do Homem do Nordeste, no Recife   Foto: Divulgação

Recife

Museu do Homem do Nordeste
Você sabia que ainda hoje há índios no Nordeste e que eles NÃO se parecem com os índios amazônicos? Essa é uma entre tantas descobertas que você fará neste museu. Como diz em seu site, “reúne acervos que revelam a pluralidade das culturas negras, indígenas e brancas desde nossas origens até os diferentes desdobramentos e misturas que formam o que hoje é chamado genericamente de cultura brasileira”. Imperdível.

Fachada do Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro   foto: Wikimedia Commons/Wikipedia

Rio de Janeiro

Museu Nacional de Belas Artes
Quadros do tamanho de um apartamento. Imagens que você só conhece dos livros didáticos. Bem vinda, bem vindo ao Museu Nacional de Belas Artes no Rio, um dos museus mais impressionantes e menos visitados do país.

E você? Tem alguma sugestão? Deixe sua dica nos comentários.