Colunistas | Felipe Bandoni

Nota de participação ou de controle?

Buscar outros meios de avaliar o aluno é louvável, mas é preciso ter critérios claros e justos

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Participei certa vez de uma reunião em que professores de um 7º ano apresentaram seus instrumentos de avaliação. “Quais notas compuseram a média do último bimestre?”, perguntou a coordenadora. Além de citarem as provas, chamou a atenção o fato de que todos atribuíam uma “nota de participação”.

Logo ficou claro que a equipe tinha diferentes entendimentos sobre o que seria essa nota. Alguns contaram que ela se referia à qualidade dos comentários e perguntas durante as aulas. Outros falaram que era a pontualidade na entrega das lições de casa. Outros, ainda, mencionaram a organização dos cadernos. Uma professora, buscando sintetizar as respostas, disse que a nota “refletia o comportamento geral do aluno”.

Contudo, em algumas disciplinas, a coordenadora notou uma discrepância muito grande entre as notas da prova e as de participação: a turma ia muito mal na primeira, mas muito bem na segunda, resultando em aprovação para a maioria. Em outros casos, alunos que iam muito bem nas provas acabavam reprovados por serem considerados indisciplinados.

Investigando melhor, a gestora percebeu que, enquanto a nota da prova era clara e objetiva, a de participação não era. Não havia registros e – o que é pior – não havia critérios claros. Alguns professores utilizavam apenas sua memória das aulas. A coordenação, que monitorava apenas as médias, não detectava essas discrepâncias. Mas elas não passavam despercebidas por alguns estudantes, que se sentiam perseguidos. A nota de “participação” parecia um instrumento de punição ou uma maneira de “calibrar” a média final, o que é claramente injusto.

É legítimo e bem-vindo que um docente proponha avaliações alternativas às provas. E é possível analisar de maneira bem objetiva a expressão oral, a qualidade das perguntas feitas e até mesmo o comportamento esperado em sala de aula. Só que, para isso, é preciso ter critérios claros e informar aos alunos o que se espera deles em cada situação. Clareza e transparência são fundamentais para ajudá-los a avançar, inclusive no que está além do conteúdo.