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O que está sendo discutido na Educação?

Bonificação de professores, uso de celular em sala de aula e premiação de bolsistas. Veja o que está em jogo

POR:
Tory Oliveira

Mil bolsistas levam prêmios

Beneficiários do Bolsa Família recebem medalhas na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas

Oriunda de uma família de baixa renda, Samantha Constâncio, 13 anos, sonha alto: quer estudar Medicina na Universidade Harvard, nos EUA. A expectativa não é injustificada. A aluna de escola pública em Natal, no Rio Grande do Norte, atingiu a excelência em uma das áreas mais desafiadoras para os brasileiros: a Matemática. Filha de uma diarista, beneficiária do Bolsa Família e aluna do 9º ano, Samantha ganhou medalha de bronze na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), feito só atingido por 0,2% dos 18 milhões de inscritos de 47 mil escolas que participam anualmente da competição. Ela está no grupo de 999 alunos que superaram a extrema pobreza e receberam medalhas nas sete últimas edições da Obmep segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa). Outras 1.718 medalhas e menções honrosas foram para alunos de baixa renda.

FONTES: MDS / IMPA / DIANA MOREIRA


3 PERGUNTAS PARA: Claudio Landim

Para o matemático, há talentos em todo o Brasil

Claudio Landim é diretor adjunto do Impa e coordenador-geral da Obmep. Crédito: Divulgação

O que revela esse índice de beneficiários do Bolsa Família premiados?

Revela que o talento está em todo o Brasil. Mesmo aqueles com uma formação em Matemática não tão boa podem se sair bem, pois a prova exige mais capacidade de raciocínio e criatividade, visando sempre despertar o interesse pela disciplina.

Que lição podemos aprender com as histórias desses estudantes?

Esses casos ensinam que há crianças inteligentes e com capacidade de aprender em todo o país e que esses estudantes precisam ter acesso a uma boa formação. Com oportunidade, conseguirão mostrar a todos o que nosso país tem a oferecer.

Mesmo sem ganhar, o que se aprende na olimpíada?

Muitos descobrem que gostam de Matemática durante a olimpíada. Além disso, a distribuição de menções honrosas para 15 mil das 48 mil escolas participantes dá estímulos extraordinários para toda a comunidade escolar.


A bonificação de professores funciona?

Modelo de pagar docentes por resultados de alunos está em xeque no mundo. Brasil discute bonificação federal

*Para 30h semanais ** Valor médio ***Para 24h semanais

Parecia uma boa ideia: usar testes padronizados para avaliar a Educação e premiar escolas e professores de acordo com os resultados. A estratégia, inaugurada nos anos 2000 nos EUA, passou a ser replicada em outros países, inclusive no Brasil. E hoje está em discussão no Senado a alteração da Lei de Diretrizes e Bases para a implantação de um sistema federal de bonificação. Com o tempo, porém, os limites da iniciativa começaram a se acumular. A pesquisadora Diane Ravitch expôs no livro Vida e Morte do Grande Sistema Escolar Norte-Americano algumas consequências negativas da iniciativa, que nos EUA recebeu o nome de No Child Left Behind (Nenhuma criança deixada para trás). Uma delas é o fato de os docentes “ensinarem para o teste”, deixando de lado a aprendizagem em si. No ano passado, um relatório da Unesco concluiu que o bônus por desempenho não melhora a qualidade da Educação.

UNESCO APONTA EFEITOS COLATERAIS


Manipulação dos resultados

Na Coreia do Sul, professores levavam alunos com baixa performance para trabalhos de campo no dia da prova.

Redução do currículo

Professores da Educação Básica no Brasil focavam em Língua Portuguesa e Matemática, deixando de lado conteúdos não avaliados.

Ensino para o teste

Entre os docentes australianos, três de cada quatro admitiram que se sentiam pressionados a ensinar os alunos para o teste.

Mais ajuda para os melhores

Alunos perto de atingir a marca da proficiência recebiam mais atenção dos professores do Texas, nos EUA.

Fraude

Nos EUA, 178 professores e diretores da rede pública foram acusados de manipular os resultados.


Fonte: Global Education Monitoring report - Accountability in Education: meeting our commitments (UNESCO, 2017)


França proíbe celular em sala de aula

Ilustração: Orlandeli

O celular agora está proibido de entrar nas escolas francesas. O país vetou o uso dos telefones, tablets e outros objetos conectados à Internet no final de julho. Segundo o governo, essa é uma maneira de “desintoxicar” o ambiente escolar da distração causada pela tecnologia. A medida, uma promessade campanha do atual presidente, Emmanuel Macron, recebeu críticas por ser considerada inócua na prática. Desde 2010, os celulares já estavam banidos durante os momentos de aula, mas podiam ser levados para as escolas. Agora, os alunos precisarão deixar os aparelhos em casa.