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Saeb: diferença entre estados chega a 50 pontos em Matemática

No 5º ano do Fundamental, proficiência do Paraná na disciplina chega à pontuação de 242,2; Maranhão alcançou apenas 191,1

POR:
Flavia Nogueira
Lápis quebrado em caderno com operações matemáticas
Foto Getty Images

A diferença entre notas de Matemática dos alunos do 5º ano do Ensino Fundamental dos Estados do Maranhão e do Paraná chegou a 51,1 pontos. Esse é um dos resultados que emergem do relatório divulgado nesta quinta-feira (30/08) pelo Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) em sua edição de 2017. Os piores resultados em termos de proficiência média em Língua Portuguesa e Matemática se concentraram em estados da região Norte e Nordeste do país.

A proficiência média nacional em Matemática foi de 224 pontos, equivalente ao nível 4 de proficiência, no qual o estudante reconhece retângulos em meio a outros quadriláteros e o maior valor em uma tabela cujos dados possuem até oito ordens, por exemplo. Entre os Estados brasileiros 15 ficaram abaixo da média. O Maranhão obteve a pontuação mais baixa, de 191,1 e o Paraná obteve uma pontuação de 242,2, a mais alta.

Em termos das diferenças de aprendizagem entre estudantes de nível socioeconômico mais baixo e mais alto, o estado do Ceará é o que apresenta a menor diferença e o estado de Roraima tem a maior diferença de aprendizagem.

De acordo com o Saeb, o Indicador de Nível Socioeconômico das escolas visa situar o conjunto dos alunos em estratos socioeconômicos, definidos pela posse de bens domésticos, renda e contratação de serviços pela família dos alunos e pelo nível de escolaridade de seus pais.

No 5º do Ensino Fundamental, em Língua Portuguesa a proficiência média nacional é de 215 pontos e, novamente, em 15 estados os estudantes ficaram abaixo desta média. Esta pontuação equivale ao nível 4 de proficiência, no qual o estudante consegue identificar o efeito de humor em piadas e assuntos comuns a duas reportagens, entre outras habilidades.

O Maranhão, apresentou o pior resultado, alcançando apenas 183,3 pontos. Os estudantes em São Paulo, por exemplo, alcançaram 230,3 pontos.

Considerando as diferenças de aprendizagem entre estudantes de nível socioeconômico mais baixo e mais alto, o estado do Ceará é o que apresenta a menor diferença. O estado do Amazonas apresenta a maior diferença de aprendizagem.

Mais de 5,4 milhões de estudantes fizeram testes entre o final de outubro e o começo de novembro de 2017 nas duas disciplinas. Mais de 70 mil escolas em todo o país foram visitadas. 

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Mais de 70 mil escolas visitadas

Provas realizadas entre 23 de outubro e 03 de novembro de 2017

Mais de 5,4 milhões de estudantes avaliados

No 5º ano do Ensino Fundamental foram 2.193.137 estudantes

No 9º ano do Ensino Fundamental foram 1.805.181 estudantes

Na 3ª e 4ª séries do Ensino Médio foram 1.459.747 estudantes

9º Ano do Ensino Fundamental

No 9º ano do Ensino Fundamental, a proficiência média nacional em Língua Portuguesa foi de 258 pontos e 15 estados ficaram abaixo desta média. O Maranhão obteve 233,1 pontos. Por outro lado, Santa Catarina chegou aos 269,3 pontos.

Avaliando as diferenças de aprendizagem entre estudantes de nível socioeconômico mais alto e mais baixo, o Ceará se destaca novamente com a menor diferença. O Amazonas tem a maior diferença de aprendizagem.

Na disciplina Matemática, no 9º ano do Ensino Fundamental, a proficiência média nacional foi de 258 pontos e 15 estados novamente ficaram com pontuação abaixo desta média. O Maranhão conseguiu apenas 228,4 pontos. A diferença entre Maranhão e o estado de pontuação mais alta, Santa Catarina, chegou a 44 pontos (alcançou 272,1 pontos).

Já nas diferenças de aprendizagem entre estudantes de nível socioeconômico mais baixo e mais alto, o Ceará novamente tem a menor diferença. E, desta vez, o Distrito Federal apresentou a maior diferença de aprendizagem.

Ensino Médio

O Ensino Médio teve uma proficiência média nacional em Língua Portuguesa de 268 pontos e 16 Estados ficaram com pontuação abaixo desta média. Neste caso, o Pará obteve a menor pontuação, de 245,1. O Espírito Santo obteve a maior pontuação, 283,7 pontos.

Nesta disciplina, Pernambuco é o estado que apresenta menor diferença de aprendizagem entre estudantes de nível socioeconômico mais baixo e mais alto. O Distrito Federal volta a apresentar a maior diferença.

Em Matemática, a proficiência média nacional foi de 270 pontos e 15 estados não alcançaram esta pontuação. Novamente o Pará ficou com a pontuação mais baixa, de 245,5. E o Espírito Santo novamente se destacou, alcançando uma pontuação de 291,6.

Pernambuco novamente apresenta nesta disciplina a menor diferença de aprendizagem entre estudantes de nível socioeconômico mais baixo e mais alto. E o Distrito Federal tem a maior diferença de aprendizagem.

Para Ernesto Martins Faria, diretor-fundador do Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), estes índices refletem os problemas socioeconômicos e de desigualdade do Brasil. “Se você olha as escolas que arrecadam menos impostos e, consequentemente tem menos investimento em Educação, são as dos Estados do Norte e Nordeste. O piso do professor, o montante de valor por aluno do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) acho que são mais baixos nestes estados. E não só isso. Mas, consequentemente, estes estados têm piores condições de infraestrutura e pior capital humano. O nível de formação de professores nestes estados é pior, o nível de experiência de gestão é pior”, afirma.

Estagnação no Médio

O Saeb também concluiu que, no Ensino Médio, “a situação nacional encontra-se praticamente estagnada desde 2009”.

De acordo com os resultados compilados pela avaliação, os estudantes brasileiros apresentaram nível 2 de Proficiência média em Língua Portuguesa e Matemática. Na avaliação de Língua Portuguesa, cerca de 70% dos estudantes do país que participaram do Saeb apresentaram resultados insuficientes. O mesmo ocorreu em Matemática.

Em suas conclusões gerais, os avaliadores declararam que “as evidências demonstram que o Ensino Médio tem agregado muito pouco ao desenvolvimento cognitivo dos estudantes brasileiros, em média”.

Segundo Ernesto Martins Faria, nem é possível afirmar isso, pois Língua Portuguesa e Matemática são disciplinas básicas e o Ensino Médio precisa ter um papel muito mais amplo. O problema, para ele, vem de outros níveis. “O ensino médio vai seguir recebendo alunos com alta defasagem de aprendizado por um bom tempo. E a escola tem que estar preparada para sanar parte desta defasagem, mas não está conseguindo”, afirma.

No entanto, não se pode imaginar que a reprovação é uma solução, porque vai afastar o jovem da escola, segundo Ernesto. “Acho que há um gargalo muito grande de como trabalhar com alunos com defasagens. Professores especialistas em geral têm uma dificuldade (do tipo) ‘Eu sei dar a minha aula de Física. Tem um cara que não sabe matemática básica, o que eu faço?’", diz. Segundo ele, é necessário ter em mente que os alunos chegarão com nível baixo a essa etapa. "O Ensino médio tem que se estruturar para garantir o que é básico e até ajudar os professores especialistas a conseguir oferecer conhecimentos de nível mais baixo.”

Mapa do Brasil mostra resultados para Língua Portuguesa no Ensino Médio- Saeb

Na avaliação de Língua Portuguesa, 16 estados ficaram abaixo dos 258 pontos relativos à proficiência média.

 

Mapa do Brasil mostra os resultados de proficiência média nacional em Matemática no Saeb

Na avaliação de Matemática, 15 estados ficaram abaixo dos 270 pontos relativos à proficiência média.

 

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