Educador Nota 10 que concorre à Câmara não tem diploma

Wemerson Nogueira ganhou o Prêmio Educador Nota 10 em 2016, mas ele é acusado de falsificar documentos para prestar concurso

POR:
NOVA ESCOLA
Wemerson Nogueira foi Educador do Ano na edição de 2016 do Prêmio Educador Nota 10

Wemerson Silva Nogueira, vencedor do Prêmio Educador Nota 10 em 2016 e finalista do Global Teacher Prize, nunca participou de aulas nos cursos de graduação. Em resumo: ele não tem diploma universitário.

Vamos esclarecer: não é crime um brasileiro não ter diploma de graduação em um país cuja taxa de analfabetismo ainda é de 7%. Mas há um sério problema quando a pessoa é aprovada em concurso público após participar do processo seletivo com documentos falsificados. A Corregedoria da Secretaria Estadual de Educação do Espírito Santo concluiu nesta sexta-feira (24/08) que Wemerson não realizou qualquer aula dos cursos de graduação na Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), responsável pela emissão do diploma. Com a decisão, Wemerson será denunciado por ter apresentado documento fraudado de conclusão de curso e pode perder o cargo na rede estadual e ter de devolver os salários recebidos.

NOVA ESCOLA entrou em contato com a Secretaria Estadual de Educação do Espírito Santo e Wemerson, mas não obteve retorno até o momento do fechamento desta reportagem.

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O suposto educador lançou recentemente sua candidatura a deputado federal pela Rede, sob o número 1810. Após publicação da decisão pela Gazeta Online, Wemerson chegou a comentar nas redes que é vítima de “perseguição política”. “Estão com medo que eu GANHE essa eleição por (sic) tenho um projeto muito lindo com meus alunos”. Na postagem, ele chegou a usar as hashtags #professornota10 e #deputadofederal.

Em reportagem de maio do ano passado, NOVA ESCOLA noticiou a suspeita sobre o caso. Ele teria apresentado um diploma ilegítimo numa seleção de professores da Secretaria de Educação do Espírito Santo (Sedu). O diploma da Unimes teria saído do polo de Ensino à Distância (EaD), que não tinha autorização do Ministério da Educação (MEC) para oferecer o curso de Licenciatura em Química. O advogado da Unimes, Ricardo Ponzetto, afirmou à reportagem que Wemerson nunca foi aluno da instituição. “Não temos nenhum registro dele como estudante. E a assinatura presente no documento é grosseiramente falsa”, afirmou Ponzetto.

Naquele momento, tanto Wemerson quanto a universidade se apresentavam como vítimas de falsários. O caso estava sob investigação da Polícia Civil, que recebeu da Unimes a documentação.

Em nota oficial, o professor afirmou que ele é quem foi enganado pela Unimes. “Me dediquei dia após dia aos estudos, até me formar. Posso provar que estudei, sim, e tenho documentos e evidências que comprovam isso e, jamais usaria de má fé para me beneficiar”, afirmou na nota. Questionado sobre as evidências, Wemerson informou que não poderia mostrá-las, pois seguia orientações do advogado. “Entendo que a universidade se diz vítima, mas eu também fui”, afirmou.

NOVA ESCOLA chegou a publicar uma nota com sua posição sobre o assunto:

“NOVA ESCOLA é apoiadora do prêmio Educador Nota 10 e destacou, em reportagem especial de outubro de 2016, o trabalho de Wemerson. Assim como a Fundação Victor Civita, organizadora do prêmio, NOVA ESCOLA mantém a avaliação de que o trabalho de Wemerson é de extrema qualidade e foi merecedor do prêmio Educador Nota 10 de 2016.

Esperamos que o caso seja resolvido o quanto antes e que os fatos sejam esclarecidos. Se Wemerson for inocente, excelente. Se não for, será um caso triste para todas as pessoas que acreditam em uma Educação pública, de qualidade, para todas as pessoas. E então, infelizmente, ele terá de responder pelas suas ações.”

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