BNCC: como a escola deve usar a tecnologia na alfabetização?

Especialistas falam sobre o uso da tecnologia do processo da alfabetização proposto pela Base Nacional Comum Curricular

POR:
Naiara Albuquerque

A alfabetização vem se tornando, cada vez mais, um processo que tem o apoio da tecnologia em sala de aula. Aos poucos, o papel e o lápis vão divindo o espaço com os computadores, lousas eletrônicas e muitos outros materiais multimídia.

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Mas como esse a tecnologia deve ser usada durante os primeiros anos de alfabetização? Qual o papel da escola nisso? "Existe uma diferença clara entre ler e escrever no meio digital e impresso", explica Mazé Nobrega, consultora em metodologia de Língua Portuguesa. A educadora, junto a Sônia Madi, especialista em alfabetização, leitura e escritura responderam esses questionamentos em torno do uso da tecnologia na Alfabetização durante Aulão de NOVA ESCOLA transmitido pelo Facebook.

Assista ao Aulão na íntegra:

Não adianta fugir. Para Mazé, as mudanças propostas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) trazem um momento importante para as escolas e professores refletirem sobre o uso dessas tecnologias dentro da sala de aula durante o processo de alfabetização. "Cada tecnologia surge como uma desconfiança, mas estão aqui para ficar", reforça a especialista.

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O papel da escola 

A tecnologia media a realidade que vivemos. Para as crianças, o primeiro contato e a familiarização com a os dispositivos tecnológicos pode acontecer em casa, mas pode ser também na escola. A BNCC, que expõe algumas diretrizes a serem seguidas pelas escolas, enfatiza o uso da tecnologia em sala de aula por ser considerado uma ferramenta parte do cotidiano. Essas mudanças provocadas pela tecnologia também afetam outros campos, como os gêneros textuais que deverão ser abordados nas escolas.

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Além dos clássicos, que já estavam presentes nos Parâmetros Nacionais Curriculares (PCNs) — como é o caso do conto, da notícia e da tirinha, novos gêneros também foram incorporados. Vídeos, pinturas, áudios e desenhos, por exemplo, são considerados textos multissemióticos e multimidiáticos, e fazem parte do conteúdo que deve ser lecionado durante a alfabetização.

É também papel da escola refletir sobre algumas práticas conhecidas, mas que podem ser exaustivas para as crianças, como as atividades de repetição textual, que podem ganhar novos ares com a tecnologia: "Hoje, ainda é possível ver as crianças passando textos a limpo. No ambiente digital essa atividade é muito mais confortável", diz Sônia. A especialista também explica que com o uso dessas ferramentas tecnológicas as crianças podem aprender de outras formas, colaborando com os colegas no mesmo texto no computador, por exemplo.

É muito comum notar a facilidade com que crianças aprendem a mexer em celulares e dispositivos eletrônicos. No entanto, é recomendável ponderar o uso desse tipo de tecnologia, como explica Mazé Nobrega. "As crianças são nativas no uso da tecnologia para algumas coisas. Não para usar o Word e fazer um Power Point, por exemplo", diz. É por isso que, segundo as especialistas, refletir e pensar sobre o uso dessas práticas no ambiente escolar é imprescindível. "Qual o papel da escola? é para ensinar ou promover situações de uso?", questiona Sônia Madi.

Além do plano ideal, pode ser comum que as escolas não tenham  ferramentas tecnológicas disponíveis para o uso do aluno. Mas é importante que os professores e agentes se unam para pedi-las, explica Mazé Nobrega. "Se eu não tenho esses dispositivos móveis é necessário criar demanda e reclamar. Afinal, está na Base e temos que cumprir", alerta.

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