Valorização do professor e carreira dominam debate sobre a Educação

Debate reuniu representantes de candidatos à presidência

POR:
Larissa Teixeira
Representantes dos candidatos à Presidência da República debatem Educação em São Paulo
Da esquerda para a direita: Nelson Marconi (PDT), André Stabile (REDE), Ana Maria Diniz (PSDB),  a presidente do conselho de administração do Cenpec, Anna Helena Altenfelder, a jornalista Renata Cafardo, do Estadão,  Selma Rocha (PT) e Daniel Cara (PSOL) Foto: Reprodução Facebook Estadão

A valorização da carreira docente com melhoria salarial, construção de um plano de carreira estruturado e o investimento em políticas de formação são propostas que aparecem em todas as campanhas e aparentam ser uma das prioridades dos candidatos à Presidência da República para Educação. Para discutir essas propostas e outras questões ligadas à área, os coordenadores da área de Educação das campanhas de Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), Lula (PT) e Marina Silva (REDE) estiveram presentes nesta quarta-feira (22/08) no evento “Educação contra as Desigualdades”, realizado em São Paulo pelo Cenpec em parceria com o jornal O Estado de S. Paulo.

LEIA MAIS Mentira na Educação, não! Conheça o novo projeto da NOVA ESCOLA

Os coordenadores de campanha dos demais candidatos foram convidados, mas não puderam comparecer ou não aceitaram o convite.

Durante o debate, foram sorteadas dez perguntas sobre temas variados, duas para cada participante. Ao final, cada um deles também respondeu a uma questão formulada por um membro do conselho de administração do Cenpec e uma pergunta feita por internautas, em um total de quatro respostas por partido.

Assista ao debate completo:

Confira a seguir os temas que cada um dos representantes abordou, de acordo com o sorteio:

Ana Maria Diniz (PSDB)

A coordenadora da campanha do tucano Geraldo Alckmin, Ana Maria Diniz, apontou que Educação integral é uma das prioridades da agenda para combater a evasão. No estado de São Paulo, já são cerca de 300 escolas em período integral, número que ainda é baixo quando comparado ao total - segundo ela, o sistema não foi implementado em toda a rede pelo “excesso de cautela e rigor orçamentário” do governo estadual. A proposta agora é replicar o modelo para todo o Brasil de uma forma mais rápida.

Outra questão levantada para a representante foi a dificuldade de acesso à creche. De acordo com Ana, é preciso interligar as áreas de saúde, assistência social e Educação para atingir todas as crianças mais vulneráveis do país e cumprir a meta do PNE de ter ao menos 50% das crianças em creches até 2024. “O papel da união é dar diretrizes para estados e municípios em um regime de colaboração, para que eles implementem as políticas públicas”.

Nelson Marconi (PDT)

Uma das questões feitas ao representante da candidatura de Ciro Gomes, Nelson Marconi, foi como valorizar a carreira docente. Segundo ele, há no Brasil pouco incentivo para que os jovens sigam na profissão. “Estados e municípios precisam criar planos de carreira para que os professores consigam se dedicar integralmente a uma única escola”, disse.

Marconi também defendeu a melhoria salarial, um aprimoramento dos cursos de pedagogia, a formação continuada aos docentes, um programa de mentoria de professores e um processo seletivo adequado na área. Para isso, ele apontou que é preciso realizar um ajuste fiscal e revogar a PEC dos gastos, que congelou investimentos na Educação e na saúde por 20 anos.

Para combater o problema do analfabetismo, a campanha do PDT defende o investimento na Educação de Jovens e Adultos (EJA) e na Educação integral para crianças e jovens. “Isso exige uma mudança nas regras do Fundeb para que sejam priorizados municípios com pior desempenho”, afirmou.

André Stabile (REDE)

O coordenador da campanha de Marina Silva, André Stabile, defendeu políticas públicas que atendam às demandas reais dos estudantes. De acordo com ele, é preciso intensificar a implementação correta das competências previstas na BNCC.

Stabile também foi questionado sobre a valorização salarial dos docentes. Na mesma linha do que defende a campanha de Ciro Gomes (PDT), a campanha da presidenciável acredita que o governo federal deve incentivar a construção de um plano de carreira estruturado.

“Não precisamos apenas de salários maiores, mas de residência pedagógica durante a formação docente, da reformulação dos cursos de pedagogia, de formas de contratação sólidas e de uma gestão escolar democrática”, disse. Para isso, o caminho seria reavaliar a PEC dos gastos para ampliar o investimento e investir em transparência para evitar a corrupção.

Daniel Cara (PSOL)

O representante do PSOL, Daniel Cara, destacou que é preciso destinar mais recursos para a Educação e aumentar a participação da União no Fundeb. “A meta é destinar 1,5% do orçamento do governo para o investimento em Educação básica”.

Ele também apontou que o estado precisa pagar o piso salarial, investir em políticas de formação e carreira, limitar o número de alunos por turma e garantir infraestrutura adequada às escolas. A primeira medida que deve ser tomada, segundo ele, é revogar a PEC dos gastos - proposta comum à boa parte dos presidenciáveis, como Ciro Gomes e Marina Silva.

Outro ponto chave da discussão, segundo Cara, é garantir a implementação correta do Plano Nacional de Educação (PNE). “Precisamos colocar o PNE no centro da agenda e fazer com que as metas sejam cumpridas. Se não investirmos na formação dos jovens, colocamos em risco o futuro do país”, disse. Por fim, Cara defendeu uma discussão mais abrangente sobre as diretrizes curriculares, já que, segundo ele, a atual BNCC não foi discutida amplamente com a sociedade e não é aprovada pelos professores.

Selma Rocha (PT)

A campanha do ex-presidente Lula entende o Plano Nacional de Educação como base para todo o sistema e aposta na revogação da Reforma do Ensino Médio. “A reforma como está hoje irá banalizar a formação de milhares de jovens e exclui-los do mercado de trabalho. É preciso investir em uma perspectiva de Educação integral, com ampliação da formação profissional integrada ao currículo geral”, disse a representante Selma Rocha.

Entre as propostas estão a criação de metas para acompanhamento dos alunos, a revisão da base nacional para envolver a sociedade e o aporte federal nas escolas mais pobres por meio do Fundeb, para minimizar as desigualdades regionais. Os jovens, segundo ela, devem ser ouvidos e convidados a participar das discussões sobre as políticas educacionais.

A representante do PT também defendeu a valorização da carreira docente e o investimento em ações de formação de professores, gestores e coordenadores.

.

Tags

Guias

Tags

Guias

Tags

Guias