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Como trazer a Educação 4.0 para dentro da sala de aula

A Educação 4.0 parte da ideia de que vamos aprender coisas diferentes de maneiras diferentes, uns com os outros

POR:
Débora Garofalo
Foto: Getty Images

Linguagem computacional, inteligência artificial, internet das Coisas (IoT) e tantas outras tecnologias estão cada vez mais presentes no dia a dia. Um exemplo disso está no nosso relacionamento com os bancos, setor em que a inteligência artificial está ganhando força nessa relação.

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Na Educação, nós vivemos as primeiras mudanças com ferramentas de colaboração que trabalham a linguagem de programação, inteligência artificial, entre outras, mas a principal mudança está na concepção learning by doing que é aprender junto, através da experimentação, construção de projetos e muita mão na massa. A Educação 4.0 parte da ideia de que vamos aprender coisas diferentes de maneiras diferentes, uns com os outros.

As escolas deverão fortalecer trabalhos que favoreçam o desenvolvimento de competências socioemocionais, colaboração e empatia. Além disso, a aprendizagem passa a ser mais envolvente, interativa, na qual os alunos aprendem juntos e os professores são parceiros na construção deste aprendizado.

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Um estudo realizado pelo The New Work Order, divulgado pela Foundation for Young Australians (FYA), aponta que as crianças devem ser estimuladas a aprender a lidar com:

Por onde começar

Temos visto uma grande preocupação com a construção de um ambiente inovador, onde algumas unidades escolares investem em máquinas e equipamentos. Ter uma boa infraestrutura é importante ao aprendizado, sem dúvidas, mas não é suficiente para proporcionar a construção do conhecimento. É importante ressaltar que possuir altos recursos tecnológicos não garante qualidade de ensino. É necessário desenvolver uma cultura voltada para a inovação, criatividade, inventividade, que possa trabalhar com resoluções de problemas, mão na massa e desenvolvendo atividades significativas com baixo custo.

A chave para o sucesso na implementação de uma educação inovadora é criar um ambiente que permita a participação dos atores envolvidos, para que conheçam o processo e possam contribuir com ele. Além de estimular essa colaboração, eles adquirem a sensação pertencimento e de autoria, que via tirá-los da passividade e os coloca no centro do processo de aprendizagem. As pessoas são o centro do processo da educação 4.0!

A partir daí é possível criar ambientes e projetos desafiadores que sejam propícios para o desenvolvimento, onde os alunos aprendam na prática e possam testar infinitas possibilidades. Para começar é preciso:

1. Favorecer situações de aprendizagem

Favoreça estratégias que contribuam para o desenvolvimento de projetos. Uma das propostas é trabalhar com questões norteadoras, que sejam capazes de aguçar a criatividade e despertar o interesse para explorar coisas novas. Dessa forma, o professor permite que sua turma possa testar, errar, refazer, reavaliar, aprendendo a fazer, através de um roteiro de trabalho.

2. Começar de modo simples

Desenvolva projetos simples, que fortaleçam a empatia, criando vínculos com o projeto em desenvolvimento. É uma ótima maneira de exercitar o espírito lúdico, criatividade, vivência, autonomia, conquistando a aprendizagem. Gosto muito de trabalhar com materiais não estruturados como sucatas e itens recicláveis, além de materiais eletrônicos de baixo custo como leds, resistores, baterias, motores de 3v, 9v, garras de jacarés, conectores, fios, suportes de baterias, microcontroladores como arduíno, produzindo projetos mão na massa com ações de pertencimento aos estudantes.

3. Inserir a Cultura Maker na escola

Através do pensamento maker é possível criar uma cultura de invenção e criatividade, empatia e colaboração ao trabalhar com metodologias ativas. Isso permite ao professor transformar ferramentas em agentes de modificação, através dos quais os alunos são ouvidos e se tornam parte vital do processo de aprendizagem. O movimento maker propôs nos últimos anos o resgate da aprendizagem mão na massa, trazendo o conceito “aprendendo a fazer”, que aplicada ao ambiente escolar, tem como o objetivo promover e estimular a criação, investigação e resoluções de problemas, usando ao máximo qualquer tipo de recurso. Uma oportunidade de reinventar e inovar a educação! Através da resolução de um problema é possível fazer protótipos, projetos de robótica, programação, pintura, eletrônica, animações, marcenaria e até costura. Em todos esses processos, o professor é mediador das atividades.

O movimento maker, “faça você mesmo”, propôs nos últimos anos o resgate da aprendizagem mão na massa, trazendo o conceito “aprendendo a fazer”. O movimento vem crescendo e a consequência direta é que o processo de aprendizagem – e não o produto – passa a ter destaque, colocando o aluno no centro do processo de aprendizagem.

Estudos realizados por pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, demostram que estudantes que vivenciaram a aprendizagem mão na massa tiveram um desempenho 30% mais alto do que colegas que seguiram o aprendizado de maneira convencional.

 

4. Ensino de Programação

O ensino de programação tem sido defendido por muitos educadores e especialistas para ser inserido ao currículo –  da Educação Infantil à Básica. Uma medida que seria correta, a meu ver, pelos inúmeros benefícios de se trabalhar com a linguagem de programação em sala de aula, desde a facilidade para resolver problemas, buscando soluções criativas e aprimorando o raciocínio lógico, até tornar as aulas atrativas, desenvolvendo autonomia, pensamento crítico, colaboração, trabalho em equipe e empatia.

Hoje temos softwares (programas) gratuitos – interativos e intuitivos –  que que possuem desde as atividades desplugladas, aquelas que realizamos sem o computador, a atividades de linguagem computacional. Alguns conhecidos são: Code.org,  Programaê e  Scratch

Introduzir a escola a esse contexto torna-se cada dia mais essencial, principalmente porque o uso dessas tecnologias possibilita interação, colaboração e personalização do ensino. Essa personalização pode ser trabalhada em sala de aula em todas as áreas do conhecimento. É preciso explorar novos recursos e ferramentas, mediando o espaço entre o aluno e a informação, de forma participativa e interativa, próxima da realidade no processo de construção e reconstrução do seu conhecimento ao trabalhar com as diversas facetas do processo de aprendizagem.

Convido você, querido professor, a participar dessa proposta, incorporando ferramentas digitais ao seu cotidiano e promovendo a revolução em sua sala de aula. Afinal, a Educação 4.0 já é uma realidade!

Um abraço,

 

Débora Garofalo é professora da rede Municipal de Ensino de São Paulo, Formada em Letras e Pedagogia, Mestranda em Educação pela PUC-SP, colunista de Tecnologias para o site da Nova Escola

 

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