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Chegou a hora de largar a fralda

Pais e professores precisam atuar em conjunto para identificar os sinais de maturidade das crianças e auxiliá-las a usar o vaso sanitário

POR:
Beatriz Santomauro
FASE DE CRESCIMENTO Representar a troca de fralda com brinquedos ajuda os pequenos a entender o processo. Foto: Ivan Amorin
FASE DE CRESCIMENTO  Representar a troca de fralda com brinquedos ajuda os pequenos a entender o processo. Foto: Ivan Amorin

A criança tem cerca de 2 anos, demonstra alguma segurança nos movimentos motores, possui autonomia ao falar e sabe controlar os esfíncteres, as estruturas musculares que regulam a retenção e a eliminação das fezes e da urina. Já avisa que quer fazer xixi e demora um tempinho para fazer cocô. Quer imitar os irmãos ou amigos mais velhos, pede para sentar no vaso sanitário e passa mais horas com a fralda seca.

Nós, adultos, por termos ultrapassado esse desafio há tanto tempo, às vezes nos esquecemos do elevado grau de exigência que é dar adeus às fraldas. O pediatra norte-americano T. Berry Brazelton, considerado um dos maiores estudiosos dessa passagem, resume o tamanho do desafio na introdução do livro Tirando as Fraldas. "Primeiro, as crianças devem sentir um movimento intestinal em curso. Então, devem conter esse movimento, ir aonde lhes dizem para ir, sentar-se - e fazer. Então, dar a descarga. Depois disso tudo, elas têm que assistir aquilo desaparecer para sempre. Nunca mais verão aquela parte delas novamente!" 

Brazelton é enfático ao afirmar que esse processo não pode ser forçado: é essencial esperar que a criança mostre sinais de maturidade para a retirada das fraldas (o quadro abaixo indica as principais pistas sobre esse momento). Nessa fase, pai, mãe e professores precisam se unir num trabalho de equipe, que pode durar de poucos dias a vários meses.

Passagem sem trauma 

A idéia é apoiar essa etapa sem deixar que a ansiedade e a pressão atrapalhem. "Com família e educadores de acordo quanto ao momento de início da retirada da fralda, é importante que os procedimentos sejam incorporados em casa e na creche", diz Beatriz Ferraz, coordenadora da Escola de Educadores, em São Paulo. Cabe à instituição de Educação Infantil se organizar para que esse processo seja vivido como uma boa experiência (leia na página 56 um projeto institucional sobre o tema).

O papel do educador é de um observador atento. Leva a turma ao banheiro regularmente, convidando todos a se sentar no vaso e entender sua função. E age junto às famílias para encaminhar a criança rumo ao desenvolvimento.
cuidados

"No começo do ano, perguntamos se os pais acham que seus filhos já estão preparados para iniciar a retirada de fralda. Se acreditam que sim, combinamos de tentar a mudança de hábitos", afirma Maristela Schupecheki Ferreira, professora do maternal da CMEI Professor Antônio Nunes Cottar, em Ponta Grossa, a 113 quilômetros de Curitiba.

CRIANDO VÍNCULOS Na CMEI Professor Antônio Nunes Cottar, a turma divide dificuldades em rodas de conversa. Foto: Ivan Amorin
CRIANDO VÍNCULOS Na CMEI Professor Antônio Nunes Cottar, a turma divide dificuldades em rodas de conversa. Foto: Ivan Amorin

No ambiente escolar, os cuidados incluem conversas com a turma, exercícios de troca de fralda com bonecos e preparação do banheiro para os pequenos. A CMEI onde Maristela trabalha tem vasos baixos. Uma boa dica é recomendar aos pais que adaptem os de casa com tampas menores, mais adequadas para a idade. "Isso ajuda as crianças a se sentir à vontade. Essa medida também transmite segurança, mostrando a eles que podem fazer xixi e cocô sem o risco de cair no vaso", explica.

Outra idéia é estabelecer uma rotina constante de idas ao banheiro. Para evitar a espera da turma, a professora Maristela divide tarefas com sua assistente. "Enquanto uma leva a criança ao banheiro, a outra fica na sala, brincando com massas de modelar e blocos de encaixe, ou envolvida em atividades de música, movimento e leitura", conta.

Vale discutir ainda uma estratégia bastante usada por muitas creches e famílias na passagem da fralda ao vaso: a introdução do penico. Embora não seja necessário - afinal, é mais uma coisa à qual a criança vai ter de se adaptar -, ele pode ser usado para dar mais confiança desde que fique sempre no banheiro, tanto por motivos de higiene como para acostumála ao espaço correto.

A criança está pronta? 

Os pequenos começam a demonstrar interesse pela retirada das fraldas aos 2 anos. Muitas vezes, esse processo é mais familiar para os educadores do que para os pais. Por isso, além de auxiliar as crianças a atravessar essa fase, é preciso orientar também os adultos. O principal é saber reconhecer quando cada um está pronto para utilizar o vaso. O pediatra T. Berry Brazelton enumera alguns sinais de maturidade, que devem ser observados com atenção:
- A criança já aprendeu a andar e tem paciência para ficar sentada.
- Presta atenção no que os adultos dizem e mostra que entende.
- Compreende que tem desejos e capacidade de dizer não.
- Sabe o lugar dos objetos e começa a guardá-los corretamente.
- Imita os mais velhos com gestos ou na maneira de andar.
- Faz xixi e cocô em horários previsíveis e tem mais consciência do próprio corpo.

Compreensão com os "acidentes" 

Os discursos e as ações da instituição e da família podem estar bastante ajustados, as crianças conseguem ficar secas na creche, mas, chegando em casa, relaxam e pedem as fraldas. Ou, por causa da chegada de um irmão, voltam a fazer xixi fora do lugar. Diante dessas situações, oriente os pais a ir com calma. Fornecendo informações sobre as atitudes dos pequenos durante o dia, recomende que não dêem muito líquido antes de dormir e peça que não retirem as fraldas à noite até ter alguma certeza de que elas não serão molhadas. E não os deixe se esquecer da maior tarefa de nós, adultos: estimular a criança a realizar essa passagem por conta própria. Assim, a confiança infantil ganha um forte impulso.

Quer saber mais?

BIBLIOGRAFIA
Tirando as Fraldas
, T. Berry Brazelton e Joshua D. Sparrow, 118 págs., Ed. Artmed, tel. 0800-703-3444, 23 reais

CONTATOS
Beatriz Ferraz
CMEI Professor Antônio Nunes Cottar
, R. Dourado, 55, 84043-010, Ponta Grossa, PR, tel. (42) 3229-3337

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