Haddad: é preciso mudar a formação dos professores

Candidato à vice-presidência pelo PT quer uma exigência de nota mínima no Enem para ingresso em cursos de licenciatura

POR:
Flavia Nogueira
Fernando Haddad durante sabatina do Todos pela Educação
Fernando Haddad durante sabatina do Todos pela Educação Foto: Reprodução/Facebook

O candidato à vice-presidência pelo PT, Fernando Haddad, afirmou que é preciso mudar a formação de professores. Durante a sabatina promovida pelo Todos pela Educação, em Paulo, Haddad disse que o ofício do professor é “sofisticadíssimo”.

“Professor do Ensino Básico tem 40, 50 alunos. Tudo é complexo em sala de aula. Temos que entender que (o Magistério) é uma profissão séria. Tem que mudar completamente. E o impacto disso vai ser enorme, as faculdades vão ter que se adaptar”, afirmou Haddad.

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Para o ex-ministro da Educação, não é possível fazer essa valorização dos professores “de cima para baixo”. É preciso “pactuar com CNTE, Undime” e outros programas, reforçou durante a sabatina. Ele aproveitou e comentou possíveis mudanças no processo. “É preciso fixar uma nota mínima no Enem para o ingresso em cursos de licenciatura.(...) Veja jovens que entram com 400, 450 pontos no Enem. Acha que com quatro anos (na universidade) essa pessoa vai poder ensinar? Se chegou ao final da Educação Básica com 400 pontos no Enem, vai ter condições de educar? Ela não vai passar no concurso, vai mudar a aula (na universidade), vai prejudicar todo mundo. Tudo errado”, acrescentou.

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Questionado se o sistema de bonificação para professores de acordo com os resultados dos alunos funciona, Haddad foi mais reticente. “Na literatura internacional, (o resultado) não é líquido e certo”, disse.

Para o candidato à vice-presidência, “o mais importante é o envolvimento do magistério com o aprendizado”.

Haddad reconheceu que esta questão pode “esbarrar na autonomia do professor”.

“As pessoas confundem o conceito de autonomia", disse Haddad. "Autonomia na Educação é a autonomia do educando, ele é o fim da Educação. Se a escola não está funcionando, não forma cidadãos críticos e criativos... Não adianta a escola ser autônoma se não formar cidadãos autônomos. E todo o esforço para garantir isso é bem-vindo”.

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O candidato afirmou que o professor tem de defender a própria carreira, mas não isso não pode “implicar no descompromisso com a Educação”.

Haddad afirmou também que a eventual “má compreensão” do professor em relação a estas mudanças tem que ser diluída “com conferência, seminário, formação, prova de ingresso para professores”.

O candidato à vice-presidência pelo PT citou várias vezes sua gestão no Ministério da Educação (entre 2005 e 2012) e fez várias menções de suas experiências com políticas educacionais durante sua administração da pasta.

“Foi um momento de ouro do MEC do ponto de vista técnico. A gente tinha uma equipe, tinha uma preocupação de não deixar a política menor tomar conta do ministério. Fazíamos política com P maiúsculo.”

O candidato também fez várias críticas ao governo atual e, mais especificamente, criticou a lei sancionada pelo presidente Michel Temer em 2017 para uma reforma do ensino médio, algo que chamou de “desastroso”.

“Não é o Presidente da República que determina o que vai acontecer na sala de aula. Uma reforma educacional não acontece por decreto. Tanto que não aconteceu nada. Pergunta pros alunos se aconteceu alguma coisa na vida deles. Não aconteceu nada desde esta medida provisória.”

O candidato ainda afirmou que o ensino médio é uma das prioridades do plano do PT para a educação.

Alfabetização

O candidato à vice-presidência também foi questionado sobre a alfabetização. Olavo Nogueira, diretor de políticas educacionais do Todos pela Educação lembrou que 55% das crianças com 8 e 9 anos de idade ainda não estão alfabetizadas e questionou qual seria a política do PT para lidar com este problema. Para Haddad, esta marca não é “razoável”.

“Até entendo o educador falar que cada criança tem seu tempo. É verdade, mas não é 100% verdadeiro se descasar isso de um compromisso com cronograma.”

Haddad lembrou de sua gestão no MEC ao discutir a questão da alfabetização.

“Sentava com alfabetizadores para discutir. Lançamos o plano de alfabetização na idade certa, foi um esforço enorme. Como muitas redes não compraram o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), acham que é uma camisa de força, reducionista.”

Veja a seguir a íntegra da sabatina com Fernando Haddad.

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