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Como levar a programação para a sala de aula

Programar desenvolve raciocínio lógico, autonomia, pensamento crítico, colaboração, trabalho em equipe e empatia

POR:
Débora Garofalo

Crédito: Ilya Pavlov/Unsplash

Para alguns professores a palavra programação causa espanto. Foi assim também comigo e por isso adianto que não é algo de outro mundo e, em algumas situações, você nem precisa utilizar o computador.

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Para perder o receio e encorajá-lo a dar os primeiros passos, vamos abordar a importância de ensinar a programar na escola. O ensino da programação oferece muitos benefícios, entre eles, o desenvolvimento de habilidades como o raciocínio lógico, autonomia, pensamento crítico, colaboração, trabalho em equipe, empatia e capacidade de resolver problemas complexos.

Porque ensinar a programar na escola?

Felipe Fernandes, gamer e líder nacional do Code Club Brasil, enfatiza que estamos vivendo uma revolução digital que influencia diversos aspectos da nossa sociedade onde precisamos, além de estar preparados, preparar as próximas gerações para se apropriar e utilizar todo potencial que a tecnologia tem a nos oferecer.

Para Felipe, quando ensinamos programação nas escolas estamos contribuindo para esse futuro, capacitando os estudantes a usar criativamente o computador, a aprender a usar as máquinas como ferramentas e exercitar o pensamento computacional, fundamental na resolução de problemas. Problemas estes que podem ser desde uma solução simples, de melhoria de processos, a desenvolver um sistema que vá beneficiar muitas pessoas. Aprender programação desenvolve nas crianças esses superpoderes que sem dúvida vão beneficiar a elas e a comunidade na qual estão inseridas.

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Jocemar do Nascimento, pedagogo e coordenador do projeto de ensino de programação e robótica na FUNDETEC (Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico), salienta que, ao preparar os alunos para o mundo atual, é importante oferecer subsídios a esse alunos, para que eles não sejam apenas consumidores de conteúdo. É preciso fazer com que estes alunos entendam como as tecnologias são criadas e produzidas, dando a essas crianças um empoderamento da tecnologia, para que elas deixem de ser consumidoras e se transformem em produtoras de recursos digitais. E mesmo que os alunos não sejam produtores, isso faz com utilizem a tecnologia de forma mais consciente e que possam estar preparados para o mundo digital que a gente vive.

Para Jocemar a programação deve ser vista como linguagem que está na nossa sociedade, presente praticamente em todos os recursos digitais e o professor, ao trabalhar com a programação, oferece uma nova possibilidade de comunicação e interação.

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Como utilizar a linguagem de programação

Segundo Jocemar, a programação pode estar presente nas escolas de diversas formas e em qualquer disciplina. O professor pode utilizar a programação para produção de recursos didáticos, onde ele desenvolve e aplica esses recursos ou trabalha com os alunos para que os mesmos produzam os seus conteúdos, exercitando conhecimentos a partir da linguagem de programação.

Quando ensinada de forma contextualizada, a programação pode ser uma grande aliada para o processo de ensino e aprendizagem. Por exemplo: vamos imaginar que a aula seja sobre alimentação saudável. Com a linguagem de programação, eu posso pedir aos alunos para criar uma história animada, um jogo ou desenvolver em robótica algo sobre o tema. Um professor de matemática, por exemplo, pode utilizar a programação no campo das formas geométricas e das operações aritméticas, já um professor de língua portuguesa, pode usar a programação como suporte na alfabetização ou produção de textos, sendo vista como uma nova forma de abordagem, que aproxima o envolvimento do aluno com o conhecimento e sua interação com o objeto de estudo.

Crédito: Unsplash
Foto: Unsplash

Quais recursos estão disponíveis para trabalhar com os alunos

Atividades desplugadas

São atividades realizadas sem a ajuda do computador, onde é possível vivenciar de forma concreta a programação, estimulando a convivência, criatividade e antecipando fatos que irão auxiliar posteriormente em programações com softwares específicos.

E para iniciar a linguagem de programação com estudantes, uma sugestão é começar pelo Programaê, uma plataforma gratuita, que visa ensinar os primeiros passos na programação de forma lúdica e interativa, a partir de desafios com personagens que os estudantes já conhecem. A plataforma possui planos de aula e sequência didáticas que auxiliam o professor, inclusive em atividades desplugadas.

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Softwares

Para ensinar programação, o professor não precisa ser programador, basta ter interesse e vontade de aprender. Hoje temos ferramentas que foram desenvolvidas para o ensino de programação de crianças e jovens, gratuitas, intuitivas e que permitem muita interação.

O Code.org, tem por objetivo desmistificar e democratizar o aprendizado de programação. Para isso, possui uma série de atividades, justamente para professores que desejam ensinar programação, permitindo que os alunos possam dar continuidade nestes aprendizados em casa, fora do ambiente escolar, realizando uma extensão da sala de aula, podendo criar clubes de programação com os colegas.

Há também o Scratch.  Com ele, qualquer professor, mesmo sem conhecimento prévio, pode ensinar programação para crianças de forma simples e intuitiva. Por meio de blocos de comandos que se encaixam, o Scratch permite a criação de jogos, animações e histórias interativas que podem ser facilmente disponibilizadas no site do projeto e compartilhadas com crianças de outras escolas. A ferramenta ajuda a dar forma à imaginação e pode ser trabalhada de maneira offline.

Para os professores que já conhecem e trabalham com o Scratch, a novidade é a sua versão 3.0. Neste momento, está disponível para testes a versão beta do Scratch 3.0.  Em janeiro de 2019 estará disponível a versão final e offline do editor de programação. A nova versão tem como objetivo expandir a forma como as crianças podem criar e compartilhar e os professores podem fomentar a aprendizagem. É possível incluir imagens, novos suportes e capacidades de programação, funcionando sobre uma larga variedade de dispositivos, incluindo tablets.

E você querido professor, como trabalha a linguagem de programação com os alunos? Conte aqui nos comentários e ajude a fomentar práticas docentes.

Um abraço,

Débora Garofalo, Professora da rede Municipal de Ensino de São Paulo, Formada em Letras e Pedagogia, Mestranda em Educação pela PUCSP, colunista de Tecnologias para o site da Nova Escola

Felipe Fernandes é gamer e Agile Enthusiast, formado em análise de sistemas com experiências em diversos projetos do seguimento digital. Está como Scrum Master na Gazeus e é Líder Nacional do Code Club Brasil (ONG inglesa que recruta voluntários para ensinar crianças a programar em clubes de programação gratuitos).

Jocemar do Nascimento, Pedagogo, especialista em Novas Tecnologias na Educação, coordenador do Projeto de ensino de programação e Robótica na FUNDETEC, projeto aplicado na rede Municipal de Ensino de Cascavel-PR.

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