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7 dicas para debater notícias falsas em sala de aula

Sair da “bolha” das redes sociais e checar as informações é fundamental para combater a disseminação de conteúdo duvidoso, aponta Pollyana Ferrari

POR:
Naiara Albuquerque
Foto: Getty Images

É cada vez mais recorrente receber correntes, memes, áudios e imagens em grupos de WhatsApp, no Facebook e no Twitter. Além das brincadeiras e do teor descontraído, pode existir um lado negativo em compartilhar informações que podem ser notícias falsas. A expressão vem do original em inglês Fake News, que se tornou popular durante as eleições presidenciais norte-americanas em 2016, mas vem desde os idos de 1890.

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Nos últimos dois anos, as notícias falsas adquiriram um caráter mais sofisticado. Em março de 2018, após a morte da vereadora Marielle Franco, correu um boato nas redes sociais e grupos de WhatsApp de que ela teria sido casada com um traficante, engravidado aos 16 anos e sido eleita graças ao crime organizado. Demorou alguns dias para que a história fosse devidamente verificada e desmentida pela agência Aos Fatos.

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A necessidade de professores abordarem a temática das notícias falsas em sala de aula é essencial para combater a desinformação, de acordo Pollyana Ferrari, professora de hipermídia e narrativas transmídias da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Ela é autora do livro "Como sair das bolhas", que trata do comportamento hoje assimilado de interagir muitas vezes em ambiente “homogêneos, sem opiniões divergentes”. "Eu acho que tem um exercício do professor de ouvir o outro lado e sair da zona de conforto", afirmou a professora durante bate-papo transmitido pelo Facebook de NOVA ESCOLA (confira o vídeo completo ao final da página). Durante a conversa, Pollyana deu dicas para que professores possam transformar essa conversa em um aprendizado importante em sala de aula.

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1. Desconfie de todas as notícias

É sempre importante checar o site ou veículo responsável por uma publicação. Segundo a professora Pollyana Ferrari, algumas perguntas podem ser feitas para checar uma notícia: "Qual é a fonte? Quem responde por essa publicação?". Além disso, muitos dos sites que divulgam notícias falsas não têm domínio no Brasil (com.br) e o texto é cheio de adjetivos, explica a professora. "Desconfie de tudo. E se você quer compartilhar, procure checar a informação primeiro", diz.

2. Como checar uma informação 

Com o avanço da tecnologia, as notícias falsas têm se aprimorado. "Existe um mercado de notícias falsas, gente que produz esse conteúdo para imitar as notícias reais", chama a atenção a professora. A resposta a essa onda crescente de produção foi o surgimento de agências especializadas em checagem de conteúdos. No Brasil, as mais conhecidas são Agência Lupa, Aos Fatos, Agência Publica e a coalizão Comprova (formada por 24 veículos de imprensa para investigar conteúdos que circulam nas redes). Voltado somente para a área de Educação, o projeto Mentira na Educação, não! – iniciativa de NOVA ESCOLA, com apoio do Instituto Unibanco, Instituto Alan, Futura e Facebook – verifica, discute e analisa informações que chegam até os professores e educadores de todo o país. Todas essas iniciativas podem ser compartilhadas com os alunos na sala de aula, garantindo que eles tenham contato com os padrões de checagem utilizados por esses veículos. Pesquisar uma frase ou informação em um buscador online, como o Google, também garante que o indivíduo veja em quais outros sites e jornais a notícia foi compartilhada. E aí, de novo, avisa Pollyana, vale ver qual é a procedência da informação.

3. Qual é o papel de quem dissemina notícias falsas

Uma das maiores dificuldades em desmentir uma notícia falsa é a velocidade com que elas ganham audiência. O volume de pessoas que compartilham notícias sem checar se a informação realmente é procedente faz parte do problema. Como explica a professora de hipermídias da PUC, "quem compartilha também é responsável". Por isso, antes de compartilhar uma informação é sempre importante checar a credibilidade da fonte (em qual site a notícia foi publicada). É só questionar: o site é conhecido? É um veículo de imprensa de respeito? Tem um histórico de publicar notícias falsas?

4. Qual é a hora certa para falar sobre notícias falsas

Ainda que seja um conteúdo complexo, é possível trabalhar as notícias falsas desde o Ensino Fundamental. A professora Pollyana Ferrari explica que é importante tratar o assunto desde cedo. Assim, quando o aluno chegar ao Ensino Médio, ele estará mais familiarizado com o assunto e contará com um senso crítico mais desenvolvido. Para que a importância desse aprendizado fique clara desde os anos iniciais do Fundamental, o componente familiar é importante. "É um bom momento para inserir esse tema nas reuniões de pais", diz Pollyana.

5. Como trazer o assunto para a sala de aula

Em todas as disciplinas, a temática das notícias falsas pode ser abordada. Buscar por fatos concretos, como pesquisas e bases de informação, ajuda o professor a expor o assunto. É também importante explicar aos alunos a diferença entre informação e opinião e como isso se dá no debate público e no contexto da notícia falsa. Segundo a professora Pollyana Ferrari, pedir aos próprios alunos para trazer “correntes”, memes ou áudios recebidos por eles no WhatsApp pode ser um bom exercício para desconstruir uma notícia falsa. "A partir de uma imagem enviada pelo grupo da família, é possível analisar o material ", afirma a pesquisadora. E, com bastante diálogo, incentivar a pesquisa entre os alunos para que vejam como é possível checar a origem de uma notícia.

6. Qual é o tom certo para tratar o assunto

Conversar sobre o fenômeno das notícias falsas em todos os lugares possíveis é a dica da pesquisadora Pollyana Ferrari. Segundo ela, quem faz o papel de checagem de fatos pode ser considerado “alarmista”, mas "é necessário falar sobre assunto”. “Em uma democracia, fato é fato. Opinião a gente relativiza, cada um tem a sua", diz. “E essa discussão nunca foi tão importante”.

8. Como sair da bolha e ver o mundo

Entender a diversidade e a complexidade do mundo não é tarefa fácil, mas é um bom exercício para sair da zona de conforto. "Quanto mais ouvimos o outro lado, a opinião que nem sempre é parecida com a nossa, menos suscetível estaremos às notícias falsas", afirma. A necessidade de se discutir o assunto em um ano eleitoral é imprescindível, afirma a pesquisadora. 

 

 

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