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Somente 23% dos professores recomendariam a profissão aos jovens

O principal motivo do descontentamento é a desvalorização da carreira, aponta pesquisa

POR:
Paula Peres
Crédito: Pixabay

Se a satisfação com a carreira pudesse ter uma nota de 0 a 10, os professores dariam nota 7, com pequenas variações de acordo com a rede, a etapa de ensino e o tempo de carreira. Professores da rede particular, do Ensino Fundamental 1 e com até 10 anos de carreira estão mais satisfeitos, enquanto professores das redes estaduais e do Ensino Médio deram nota de aproximadamente 6,5.

Os dados são da pesquisa “Profissão Docente”, feita em parceria pelo Todos pela Educação e pelo Itaú Social. Realizada pelo Ibope Inteligência em parceria com a Conhecimento Social, a pesquisa traça um panorama da profissão com questões relacionadas ao salário e à valorização.

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Quando perguntados se indicariam a profissão docente aos jovens, 48% de mais de 2 mil professores disseram que não, e apenas 23% recomendariam. Desses, a maioria trabalha nas etapas iniciais da Educação Básica e tem até 10 anos de carreira.

Foram entrevistados professores da Educação Básica das redes públicas municipais e estaduais e também da rede privada de todo o país, de todos os segmentos (da Educação Infantil ao Ensino Médio). A amostragem foi produzida proporcionalmente entre os estados, de acordo com dados do Censo Escolar da Educação Básica.

Escolha e valorização da carreira

Entre os fatores que levaram os docentes a escolher a profissão, 52% indicaram a “aptidão ou o talento” para ser professor. Esse fator foi, inclusive, considerado o principal por 34% das pessoas que participaram do estudo. Por outro lado, 36% dos entrevistados indicaram motivos ligados à falta de escolha: falta de outras opções de curso ou emprego no local onde moravam.

As razões para baixa recomendação da carreira, feita por apenas 23% dos professores, estão relacionadas aos motivos que levaram os professores a escolher a profissão: oportunidade de impacto social, transmissão ou troca de conhecimento, aptidão, vocação, realização individual.

Já as razões para não recomendar a docência são mais numerosas. A maioria dos professores relacionou-as à desvalorização da carreira (indicada por 48% dos docentes), à má remuneração (31%), problemas de rotina e desgaste, falta de infraestrutura, entre outros fatores.

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Para 69% dos professores, dar oportunidades de qualificação aos professores que já estão atuando é uma das medidas eficazes para a valorização da profissão. Outras medidas que apareceram bem votadas: envolver a escuta dos professores nos debates políticos e decisões sobre políticas educacionais (67%); restaurar a autoridade e o respeito pela figura do professor frente aos estudantes e familiares dos alunos (64%), pagar melhor os professores (62%) e pagar melhor os professores que demonstram mais comprometimento com a profissão (remuneração por mérito, 53%).

Se o pagamento de bônus aparece como uma boa medida de valorização, na opinião dos docentes, o contrário (demissão de professores que não são comprometidos com a profissão) foi considerado adequado apenas por 22% dos entrevistados, e 36% acham válido tornar o acesso à profissão mais seletivo.

Formação e condições de trabalho

A maioria dos professores se formou na escola pública no Ensino Médio (72%), mas cursou o Ensino Superior na rede privada (53). Dos participantes, 79% continuaram estudando após a graduação, e a modalidade mais buscada foi a especialização.

Não há consenso sobre o papel da formação inicial nos desafios do início da docência. Enquanto 34% dos entrevistados discordam da ideia, 29% concordam. A concordância é maior entre os professores de etapas iniciais da Educação Básica, que cursaram Pedagogia e com mais tempo de carreira.

O aspecto da docência que foi pior trabalhado na formação, na opinião dos professores, foi o conhecimento sobre gestão de sala de aula: 43% disseram que não receberam formação adequada sobre o tema.

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Na avaliação das condições de trabalho, os professores indicaram a colaboração com os colegas de trabalho como o melhor fator, assim como a quantidade de escolas em que eles dão aula (46% consideram esses dois itens adequados). A maioria dos entrevistados (63%) dá aula somente em uma escola, mas há uma grande faixa de professores (13% das redes estaduais e 10% da rede privada) que leciona aulas para 15 turmas ou mais.

Na lanterna, o acesso à internet e os recursos tecnológicos digitais foram considerados inadequados por 60% dos docentes. Os recursos ou materiais pedagógicos foram desaprovados por 52% e a infraestrutura da escola considerada inadequada por 47% dos respondentes.

A carga de trabalho teve média de 31 horas semanais. Na rede particular, a média é um pouco mais baixa. Apesar de quase 60% afirmarem que há tempo remunerado para atividades extraclasse, grande parte dos professores usa mais de 2/3 de sua carga total para aulas. Esse índice é ainda maior na rede particular (39% disseram usar mais de 2/3 de sua carga horária e 48% disseram usar todo o seu tempo para aulas).

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Perfil de renda

Apesar do fator salarial ser um dos principais motivos pelos quais os docentes não indicam a carreira, os professores que responderam à pesquisa tinham, em média, uma renda familiar de 7,3 salários mínimos e uma renda pessoal de 4,8 salários mínimos. Uma ampla maioria (71% do total) indicou ser o principal responsável pela renda da casa.

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A renda dos professores mostrou-se crescente à medida em que as etapas de ensino avançam: maior é o salário do professor que leciona para turmas que estão mais perto de concluir a Educação Básica. A diferença salarial chega a aproximadamente R$ 900 entre Educação Infantil (R$ 4.138,87) e Ensino Médio (R$ 5.094,78).

Entre as redes de ensino, uma surpresa que já havia sido indicada pelo Inep em 2017: as públicas estão pagando um pouco melhor. A média salarial da rede privada (R$ 4.325,99) é inferior às das redes municipais (R$ 4.610,98) e estaduais (R$ 4.916,81).

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Apesar das médias salariais acima do piso, 29% dos docentes afirmaram realizar algum tipo de atividade para complementar sua renda, principalmente na rede particular (38%) e no Ensino Médio. Em média, o incremento chega a R$ 439 mensais.

O item mais citado para complementar renda foi “outras atividades educacionais”, marcado por 9% dos 29% que complementam renda. Os outros 20% se espalham em atividades diversas, como comércio ou vendas, prestação de serviços, produções artísticas, administração, empreendedorismo, atividades esportivas, entre outras.

A renda também parece não influenciar muito na satisfação com a carreira: professores que indicaram ganhar até três salários mínimos deram nota 7,2 em uma escala de 0 a 10, enquanto quem ganhava de 5 a 10 salários deu nota 6,8. Na faixa socioeconômica de 10 a 30 salários de remuneração, a satisfação volta a subir, com nota de 7,4.

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