Como na Olimpíada

Em escola do litoral paulista, parceria entre a professora regente e a de Educação Física revelou para uma turminha de 1ª série os encantos da ginástica artística

POR:
Meire Cavalcante

Pezinhos descalços, a criança respira fundo, corre para tomar impulso e salta sobre o plinto - aparelho de ginástica conhecido como cavalo. No final da acrobacia, ergue os braços e estufa o peito, como os atletas famosos. É a ginástica artística, vinda diretamente da Olimpíada para as aulas de uma turma de 1ª série da Escola Municipal de Ensino Fundamental José da Costa e Silva Sobrinho, em Santos (SP). A modalidade esportiva foi o fio condutor das aulas em uma parceira entre a professora de Educação Física Líliam Cristina Dias Domingues e a regente da classe, Luciana Barroso da Silva.

Para aprimorar movimentos e postura, a turma treinou quatro tipos de exercício. "Trabalhamos também valores como determinação, dedicação e disciplina", conta Luciana. Ela aproveitou a curiosidade dos alunos pelo assunto para propor pesquisas e treinar escrita e leitura, além de desenvolver conteúdos de Ciências, Matemática e Artes. "O corpo não é desligado da mente. Com o trabalho interdisciplinar, eles vêem que as aulas de Educação Física são mais que um recreio diferente", afirma Líliam.

A ginástica artística é uma forma divertida de envolver as crianças sem cobrar delas perfeição. "O importante é dar atividades com diversos graus de dificuldade para que todos realizem as tarefas de acordo com seus limites", diz Mario Albuquerque Tomaz, da Escola de Educação Física e Desportos da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Sobre o cavalo

 Neste exercício, o aluno desenvolve agilidade e força nas pernas e nos braços, além de equilíbrio. O local de onde a criança deve saltar, perto da base do plinto (conhecido como cavalo), é marcado com giz. Ela corre para dar impulso, pula, apóia as mãos e, em seguida, os pés.

A posição lembra um sapo. Pés juntos, ela cai sobre um colchonete, flexionando levemente os joelhos para amortecer o impacto. No final do exercício, junta os pés novamente e levanta e abre os braços, imitando os atletas nas competições de ginástica artística.

Em uma variação para aprimorar a noção de lateralidade, é feita uma escadinha com dois plintos. A garotada sobe primeiro com o pé direito ou com o esquerdo e repete a mesma seqüência.

Tentativa e erro 

Alexandre Battibugli
Foto: Alexandre Battibugli

Realizar a estrela exige coragem da criança. Antes que ela faça as primeiras tentativas, é necessário demarcar no chão o local onde devem ser posicionados o pé de apoio e as mãos. Os pequenos podem hesitar um pouco, mas com o tempo ganham confiança e conseguem jogar as pernas cada vez mais alto. No início, vale o seguinte treino para fortalecer e alongar os braços, o que é essencial para o exercício: a criança fica de costas e a um passo da parede. Coloca as mãos no chão e um dos pés na parede e, então, tenta escalá-la.


 

Alexandre Battibugli 


 

 

 

 

 

  

Alexandre Battibugli
Alexandre Battibugli

 

 

 

 

 

 

 

Alexandre Battibugli
Alexandre Battibugli

 

 

 

 

 

 

Alexandre Battibugli
Alexandre Battibugli

 

 Andando na linha  

Alexandre Battibugli 

Para treinar o equilíbrio, os pequenos primeiro andam sobre a parte mais larga do banco sueco ou em uma trave no chão. Para dificultar o exercício, peça a eles que passem por obstáculos colocados sobre a trave (sem saltar) ou que andem com os olhos fechados para a frente e para trás. Depois, coloque o banco de ponta-cabeça e utilize a parte mais estreita. Ali, o aluno deve apoiar as duas mãos, saltar e apoiar os pés. Depois, ele anda aos pulinhos ou flexiona bem alto os joelhos a cada passo.

 

 

 

 

 

 Construindo uma ponte  

Alexandre Battibugli
Alexandre Battibugli

A criança dá uma cambalhota no colchonete, fortalecendo a musculatura dos braços e treinando a coordenação motora ao tentar manter-se em linha reta. Os novatos podem primeiro deitar-se no colchonete, abraçar as pernas junto ao peito e balançar o corpo para a frente e para trás, como se fosse uma bola. Em seguida, o aluno se deita de costas, apóia a palma das mãos na altura das orelhas e eleva o tronco, adquirindo flexibilidade e força. Esse movimento se chama ponte.

 

Treinar ginástica artística...

  • Desenvolve concentração, equilíbrio, força, flexibilidade, velocidade, coordenação motora e lateralidade.
  • Permite conhecer o próprio corpo, o que melhora o desempenho em outras disciplinas.
  • Favorece a solidariedade e a cooperação. Como não há disputa, todos torcem para que os colegas se saiam cada vez melhor.

Para alunos com deficiência visual

  • É possível adaptar a atividade de equilíbrio no banco sueco para crianças com deficiência visual.
  • Para evitar quedas e ferimentos, o aluno pode andar sobre a trave colocada no chão. Depois que adquirir confiança, ele arrisca passos e pulinhos artísticos.

Quer saber mais?

Escola de Educação Física e Desportos (UFRJ), Av. Pau-Brasil, 540, 21941-590, Rio de Janeiro, RJ, tel. (21) 2562-6850, www.eefd.ufrj.br
Escola Municipal de Ensino Fundamental José da Costa e Silva Sobrinho, R. Lúcia H. Caiaffa, 375, 11095-420, Santos, SP, tel. (13) 3296-1747
Mario Albuquerque Tomaz, mtomazprofessor@hotmail.com

BIBLIOGRAFIA
Saúde!!! Com Dr. Esportes e Sua Turma
, Beatriz Monteiro da Cunha, 24 págs., Ed. Evoluir, tel. (11) 3816-2121, 21 reais
Compreendendo a Ginástica Artística, Myrian Nunomura e Vilma Leni Nista-Piccolo, 185 págs., Ed. Phorte, tel. (11) 3141-1033, 27 reais

  

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