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Por que o cérebro precisa de descanso?

Os benefícios do tempo livre vão além da mente: ajudam todo o organismo a se restabelecer para encarar uma segunda jornada

POR:
Paula Peres
Crédito: Getty Images

Há quem valorize, mas também quem subestime o poder das férias. Pais de alunos pedem aos professores para passar atividades a serem feitas nos meses de férias, os próprios docentes aproveitam os dias sem aulas para estudar e planejar o próximo semestre. Manter a mente funcionando é ótimo. Mas descansar, além de bom, é necessário, segundo médicos e especialistas. Mas o que será que acontece na nossa cabeça antes e durante o período de descanso?

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De acordo com Li Li Min, neurologista da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, o cérebro tem redes que exercem diferentes funções: algumas que fazem a pessoa enxergar, outras que nos ajudam a nos organizar, lidar com dificuldades, elaborar estratégias. Em situações de estresse -- quando nosso organismo acha que estamos sob ameaça, de alguma maneira, ou sob pressão intensa --, “alguns circuitos particulares no cérebro são ativados, que são os de sobrevivência. O corpo fica de prontidão, alerta para enfrentar qualquer situação. Só que esse é um estado que você precisa ativar e desativar”, indica.

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O que acontece com o indivíduo que trabalha por longas jornadas, sem tirar férias, é que esse estado de alerta nunca é desligado. “Se você fica muito tempo nessa tensão, o seu organismo e o seu cérebro não conseguem voltar ao estado normal”, alerta Li Li Min. “Ligado nesse circuito de estresse, ele não consegue ativar as funções de criatividade ou elaboração, porque está focado na sobrevivência. Esse é um conflito perigoso”. Por isso descansar é tão importante.

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A doutora Gislaine Gil, coordenadora do curso Cérebro Ativo do hospital Sírio Libanês, em São Paulo, explica que essa é uma primeira vantagem das férias: a ausência de tensão. “Diante da pressão dos prazos de entrega de trabalhos e provas, aumenta a ansiedade de professores e alunos. A ansiedade aumenta  o índice de cortisol no nosso organismo, uma substância liberada pelo hipotálamo”. Com isso, temos uma sensação de desconforto e chegamos a sentir dores musculares e nas costas. Nas férias, com a ausência da ansiedade e consequentemente da cortisol, o humor da pessoa melhora, ela fica mais disposta e relaxada.

Mas há outras vantagens. Durante as férias, a qualidade do sono melhora, já que também se costuma dormir mais horas: não há tanta necessidade de acordar cedo ou tarefas que te deixam até tarde da noite acordado. Isso também é benéfico ao cérebro.

“O que regula o sono são algumas químicas cerebrais, chamadas de neurotransmissores. Entre elas, estão serotonina, noradrenalina e acetilcolina. A serotonina regula as ondas lentas do sono, e quem tem deficiência nesse neurotransmissor sofre de insônia”, indica Gislaine. Essa substância também possui efeitos no humor, na memória e no aprendizado, e para sua boa produção pelo nosso organismo, é necessária uma rotina de 6 a 8 horas de sono por noite.

“A noradrenalina estimula o sono mais profundo, chamado de REM, e está ligada a estímulos mentais e ao bom humor”, explica Gislaine. Já a acetilcolina controla atividades de áreas cerebrais ligadas à atenção e à aprendizagem, além de atuar auxiliando a comunicação entre os neurônios na formação de memórias. “Ela modula o sono em que acontece a aprendizagem”, resume a médica.

Um último benefício relaciona as férias ao cérebro: as atividades físicas. “Nas férias, as pessoas, principalmente crianças, estão mais propensas a praticar esportes e exercícios”, lembra Gislaine. Atividades físicas, por si mesmas, já são extremamente benéficas para o organismo e especialmente para o cérebro. Além de prevenirem uma série de doenças, elas ativam a produção da já mencionada serotonina e da dopamina, que é responsável pelas sensações de prazer e motivação. “É uma situação relaxante, mas que faz você aprender coisas que tenham a ver com o seu interesse, melhora a sua motivação”.

Os dois médicos concordam que um fim de semana de descanso é melhor do que nada, mas o ideal mesmo é que haja um período mais longo, de pelo menos sete dias, para recuperar as energias e se preparar para uma nova jornada de trabalho. “Nos primeiros dias de férias, nosso corpo ainda está no ritmo do trabalho. Demora alguns dias para desacelerar”, lembra Gislaine.

E atenção às atividades que você vai escolher praticar em seu período de descanso! “O estresse é um fenômeno biológico e natural. Às vezes, as pessoas tiram férias mas se colocam em situações totalmente desafiadoras para a sua mente e não relaxam. O organismo vai enfrentar aqueles dias como se fosse estresse, não vai desacoplar o cérebro para voltar ao estado normal”, comenta Li Li Min.

Gislaine concorda, mas acredita que cada um sabe, individualmente, quais são as atividades que ajudam a relaxar. “Tem gente que relaxa quando salta de pára-quedas, por exemplo. Se você me chamar para ir pescar, eu vou ficar extremamente frustrada e estressada, porque não é o que eu gosto”, brinca.

O que é importante ter em mente nos dias de descanso: relaxar e desligar do trabalho. “O principal conselho que eu daria é ficar um pouco longe do celular, de preferência deixá-lo desligado, para não cair na tentação de olhar coisas relacionadas com o trabalho”, sugere Gislaine. “Existe essa necessidade de não fazer absolutamente nada, de praticar o chamado ócio criativo”, indica Li Li Min.

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