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Sala de aula | Matemática


Por: Sophia Winkel

Como trabalhar estatística a partir das eleições

Aproveite que a disputa eleitoral está chegando para aproximar Matemática e democracia na sala de aula

Ilustração: Rachel Denti

Com as eleições cada vez mais perto, os veículos de comunicação intensificam a divulgação de pesquisas de opinião, intenção de voto e aprovação dos governos. Esses dados podem despertar a curiosidade dos alunos: afinal, como essas pesquisas são feitas? Para que servem esses dados?Como escolhem os entrevistados? Essa pode ser uma grande oportunidade para aproveitar o tema e investigar sobre estatística com os alunos dos anos finais do Ensino Fundamental.

“É comum as turmas do Ensino Fundamental 2 não terem tido contato com estatística. Ainda que os PCN trouxessem o tratamento da informação já nos anos iniciais, esse trabalho não costuma ocorrer em sala de aula”, conta Roberta Buehring, professora da Rede Municipal de Florianópolis e doutoranda em ensino de estatística na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Antes de iniciar o trabalho com os estudantes, é importante checar se eles estão por dentro de alguns conceitos básicos. Há cinco critérios fundamentais que devem ser desenvolvidos com os alunos durante a alfabetização estatística: a língua materna, operações matemáticas básicas, linguagem estatística, senso crítico global e a noção da veracidade das informações obtidas.

Tais conceitos devem ser trabalhados ao longo da escolarização, dos anos iniciais do Ensino Fundamental até o Ensino Superior, observando-se a complexidade exigida em cada etapa.

A ideia é trabalhar a presença das estatísticas no dia a dia de forma paralela ao tema das eleições, mostrando que elas são apresentadas nas notícias, nos debates políticos de candidatos e que têm o poder de influenciar a decisão dos eleitores – ou seja, são assunto sério!

A PESQUISA ELEITORAL EM SALA DE AULA

Apresente a importância da estatística no contexto das eleições

Ilustração: Rachel Denti

1) Contextualize

O ponto de partida de toda pesquisa
estatística é uma pergunta:
o professor precisa identificar com
a turma alguma curiosidade ou
dúvida sobre o processo eleitoral. Introduza o tema por meio de uma conversa sobre democracia,
sistema político, voto nulo, em branco, etc. Leve reportagens, gráficos e informações para contextualizar e instigue os
alunos a formular as questões que
desejam investigar em campo.

2) Explique as pesquisas

Ajude a turma a ir a campo. Neste ponto, é fundamental explicar as diferenças entre pesquisa censitária e amostral e também o conceito de população para a estatística (um grupo com uma característica em comum). Os alunos podem, por exemplo, identificar pela faixa etária quem são os eleitores e entrevistar só essas pessoas, criando uma amostra, portanto, da população de eleitores daquela comunidade escolar.

Ilustração: Rachel Denti

3) Saia da sala de aula

Elabore com os estudantes, individualmente ou de forma coletiva, os questionários/enquetes que serão aplicados
para a população que se deseja pesquisar. Se possível, leve os alunos
a campo, aproveitando o momento de aplicar
os questionários
para sair da sala de aula. Assim, as aprendizagens se tornam mais significativas e os jovens podem entender como a estatística, nesse caso, pode ser também uma ferramenta de cidadania.

4) Trabalhe com os dados

Com os dados coletados,
é hora de tratar as
informações: tabular a
pesquisa, transformar valores absolutos em porcentuais, construir gráficos e tabelas
estatísticas. O uso de recursos tecnológicos, como computadores e tablets, é sugerido para essa etapa.

5) Construa os gráficos

É também crucial discutir com os alunos o tipo de gráfico escolhido para apresentar as informações
e quais as intenções por trás dessa escolha. Retome observações feitas na análise dos gráficos e
proponha à turma a apresentação de todos os elementos que compõem um gráfico, como título e legenda, entre outros.

Ilustração: Rachel Denti

6) Estimule a visão crítica

Muitos trabalhos de tratamento da informação terminam aqui. Depois da construção dos gráficos, dá-se o conteúdo por  aprendido. No entanto, esta é a parte mais  importante da proposta:  entender o que a turma elabora a partir dos dados, as conclusões que é capaz de  extrair e as opiniões formuladas. Tudo isso pode ajudar os  alunos a exercitar o pensamento crítico.

7) Discuta e questione

É indispensável, portanto, que o professor abra espaço para discussões sobre os dados encontrados, possivelmente adotando uma postura interdisciplinar para buscar respostas aos questionamentos levantados pelos alunos. 

 

8) Vá além dos números

Instigue os alunos a ir além dos dados. Por exemplo: analisando os votos brancos das eleições passadas e comparando com os dados levantados agora, é possível
prever o que acontecerá? As alternativas do formulário e o local escolhido para as entrevistas podem ter impactado as respostas? Afinal, o objetivo central do trabalho é possibilitar que os alunos argumentem sobre a realidade com base na análise de dados e que enxerguem a população tomando decisões também
com base nos dados disponíveis.

CONSULTORES: ROBERTA BUEHRING (UFSC), CARLOS BIFF (PUC-SP) E ELVYS DA SILVA (GRUPO MATHEMA)


Na BNCC

Planejar e realizar pesquisa envolvendo tema da realidade social, identificando a necessidade de ser censitária ou de usar amostra, e interpretar os dados para comunicá-los por meio de relatório escrito, tabelas e gráficos, com o apoio de planilhas eletrônicas. Habilidade EF07MA36