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Sala de aula | Ciências


Por: Sophia Winkel

Estamos criando um oceano de plástico?

Todo ano, 8 milhões de toneladas de lixo chegam ao mar. Saiba os impactos para a vida marinha

Tartaruga luta contra o emaranhado de lixo descartado. Crédito: Sergio Hanquet/Getty Images

Pense em como sua turma dos anos inicais reagiria a este dado: até 2050, haverá mais plástico do que peixes nos oceanos. Chocante, não? Descartamos lá cerca de 8 milhões de toneladas de lixo por ano, a maior parte feita de objetos de plástico. Para visualizar melhor, é como se esvaziássemos um caminhão de lixo no mar a cada minuto.

A gravidade do impacto ao meio ambiente preocupa o mundo todo. Recentemente, a Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro aprovou o projeto de lei nº 1691/2015, que bane canudos de bares e restaurantes. É a primeira cidade brasileira a adotar tal medida. Na Europa, há a proposta de proibir não só canudos mas também produtos plásticos não reutilizáveis, como cotonetes, pratos e talheres. Que tal convidar os estudantes a olhar para esse problema?

Maíra Proietti, professora do Instituto de Oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e coordenadora do Projeto Lixo Marinho, conta quais são os tipos de lixo mais ncontrados nas limpezas que acompanha na Praia do Cassino (RS): “Nos mutirões que fazemos com a comunidade e alunos da região, recolhemos muitos canudinhos, copos e sacolas lásticas”, afirma. Engana-se, no entanto, quem pensa que os plásticos descartados no mar provêm somente de quem mora ou visita o litoral. “As escolas que estão distantes da praia também precisam discutir esse assunto, pois 80% desses resíduos são de origem terrestre, chegando ao mar pelos rios”, explica Alexander Turra, do Instituto Oceanográfico da USP. Para explorar essa temática com os alunos do Fundamental 2, o professor pode realizar um mutirão de coleta de lixo na região, que pode ser feito até mesmo na própria escola.

MICROPLÁSTICO: Conheça os impactos dos microplásticos, como o glitter

1) O plástico não se decompõe. Em vez disso, quebra-se em pedaços cada vez menores, os chamados microplásticos

2) Ao atingir menos de 5mm, são denominados microplásticos. O glitter, muito popular no Carnaval, é um deles

3) Foram encontradas partículas em 114 espécies aquáticas. Mais da metade é consumida por nós. Os efeitos para a saúde humana ainda não são conhecidos

Crédito: Gary Bell/Getty Images

A temática pode ser introduzida pelo professor com três perguntas: o que é lixo marinho, de onde ele vem e o que fazer para resolver esse problema. “Isso faz com que a criança se veja como parte da solução, uma vez que, provavelmente, na segunda pergunta, ela se identifique como parte do problema. É interessante observar como os alunos internalizam essa discussão nas suas práticas do cotidiano, justamente aonde queremos chegar”, diz Alexander. É importante também que o docente compreenda a dimensão da questão. “O lixo marinho é um problema socioecológico, que envolve pobreza, gestão dos resíduos, comportamento, além do papel das empresas e das autoridades. Todos somos parte do debate”, resume.

Além disso, nem tudo que chamamos de lixo é lixo mesmo, mas, sim, resíduo e rejeito. “Resíduo é aquilo que pode ser reaproveitado ou compostado – ou seja, a maioria do que jogamos fora. Só uma pequena parte é rejeito e deve ser descartada, como chiclete e papel higiênico usado”, reitera Verônica Polzer, doutora em gerenciamento de resíduos. Outra dica é investigar os caminhos percorridos pelos resíduos desde o descarte. “Se a turma descobrir que existe coleta seletiva na região, por exemplo, poderá se mobilizar para manter os resíduos em sacos ransparentes e separá-los por tipos de materiais em casa, pois isso ajuda muito o trabalho das cooperativas”, comenta.

Segundo Verônica, o gerenciamento de resíduos passa primeiro pela redução do consumo, depois pela reciclagem e compostagem (para resíduos orgânicos), incineração de materiais e, por fim, pelo envio de rejeitos ao aterro. Nem sempre, porém, o lixo percorre esse caminho. Em 2015, das 218 mil toneladas diárias de resíduos sólidos geradas pelo Brasil, 20 mil toneladas acabaram em destinos inapropriados, inclusive, a natureza.

“Isso seria inimaginável na Europa. A Alemanha, por exemplo, investiu em infraestrutura, garantindo que os cidadãos separem o lixo e ele tenha destino adequado. O país foi o primeiro a
implantar a logística reversa, responsabilizando o produtor pela reciclagem dos produtos comercializados”, lista Verônica. Com isso em mente, incentive os jovens a fiscalizar se as empresas da região fazem a logística reversa.

Agora que já sabemos quanto lixo o Brasil descarta, quanto será que cada um produz em sua casa? Solicite aos alunos o registro de quanto resíduo é produzido por eles em uma semana ou um mês. Pode ser uma estimativa de volume ou peso, desde que leve em conta a quantidade e o tipo de lixo gerado. “Depois, desafie as crianças a separar o material em recicláveis, orgânicos e misturas. Com base nessa triagem, todos podem se comprometer a reduzir a geração de resíduos, em especial, do plástico. Os estudantes poderão compartilhar soluções interessantíssimas”, diz.

É importante não cultivar uma visão simplista e imaginar que o plástico é só lixo. Inventado há 150 anos, o plástico à base de petróleo passou a ser produzido em escala em 1950. Hoje, é encontrado em válvulas cirúrgicas, aviões e incubadoras, revolucionando da medicina à exploração espacial. Além disso, 40% dos material plástico é usado em embalagens descartáveis. Mesmo esse uso tem dois lados: na economia globalizada, embalagens plásticas reduzem o risco de contaminação e aumentam o tempo de vida dos alimentos. Não se trata, portanto, de demonizar o plástico, mas de repensar com os alunos o consumo e buscar soluções para minimizar o descarte dos resíduos.

LIXO MARINHO

Os efeitos do plástico nos oceanos

E O QUE PODEMOS FAZER?

Use sua própria sacola reutilizável nas compras e recuse embalagens desnecessárias

Adote garrafas e canecas reutilizáveis no dia a dia Evite copos, pratos e talheres descartáveis Utilize embalagens de vidro para armanezamento em vez de potes plásticos Adquira brinquedos de madeira


NA BNCC

Comparar características de diferentes materiais presentes em objetos de uso cotidiano, discutindo sua origem, os modos como são descartados e como podem ser usados de forma mais consciente. Habilidade EF01CI01