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Desvendando o ensino de gramática com textos

Mazé Nóbrega, assessora pedagógica dos planos de aula NOVA ESCOLA, explica como abordar a análise linguística de acordo com as orientações da BNCC

POR:
Wellington Soares
Os professores-autores de Língua Portuguesa vivenciaram como seria ter uma aula nos moldes da que eles terão que elaborar. Foto: Mariana Pekin

Como trabalhar a gramática com base em textos  e não de maneira descontextualizada? Essa é uma das grandes inquietações dos professores de Língua Portuguesa desde que os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) entraram em vigor, na segunda metade da década de 1990. Com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), esse aspecto ganhou destaque já que o documento tem uma unidade temática chamada Análise Linguística e Semiótica. Mas, de acordo com Maria José da Nóbrega, assessora pedagógica dos planos de aula NOVA ESCOLA, esse destaque não invalida o que os PCNs defendiam: "A centralidade do texto permanece", ressaltou ela em palestra durante a Virada de Autores para os professores que serão responsáveis por elaborar o planos de aula de Língua Portuguesa de NOVA ESCOLA.

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Colocar esse direcionamento em prática ainda é difícil. Muitas vezes, um modelo mais antigo prevalece: longas listas de exercícios e explicações sobre regras e classificações tomam um espaço que deveria ser ocupado por reflexões sobre como esses aspectos funcionam em situações reais de comunicação. Veja, abaixo, algumas recomendações dadas por Maria José  Mazé, como é conhecida  sobre como fazer esse trabalho.

Cuidados no planejamento
O momento da preparação é essencial para que professor e estudantes não se percam e consigam discutir aspectos gramaticais

- Defina bem a finalidade da aula: tente elencar um único aspecto para ser o foco do trabalho. Ao trabalhar com texto, questões como coesão, coerência e interpretação estão sempre presentes. Ainda assim, manter em mente qual habilidade de análise linguística será trabalhada é fundamental para que o professor não perca o foco. "Se planejamos falar sobre substantivos, mas começamos a abordar verbos, adjetivos, concordância nominal e mais um monte de tópicos, o aluno pode ficar perdido sobre o que é que ele está aprendendo", disse a especialista.

- Prepare os textos antes da aula: tendo a finalidade da aula em mente, elabore a atividade de modo a garantir que ela será atingida. Na aula-teste realizada por Mazé com os professores-autores dos planos de aula, o objetivo era refletir sobre o papel dos substantivos dentro de um texto. Para tanto, ela distribuiu cópias do conto O Estrangeiro, de Gonçalo Tavares, em que todos as palavras dessa classe foram substituídas por lacunas. O público foi desafiado a completar os espaços em branco. "No planejamento, a professora precisou selecionar o texto, encontrar os substantivos e omiti-los", ressaltou. "Esse trabalho foi muito importante na situação para garantir o foco da atividade."

- Evite textos "escolarizados": Mazé prefere que os textos utilizados em sala tenham sido publicados com a finalidade de que alguém os lesse e não unicamente para o trabalho na escola. "Às vezes, pegamos um material cheio de X ou CH quando, na vida real, a ocorrência dessas letras é super rara", afirma a especialista.

- Antecipe as dificuldades dos alunos: a especialista recomenda que o professor pense, antecipadamente, em quais podem ser os elementos mais desafiadores para os estudantes. "Ao pensar em quais dificuldades as crianças ou os jovens podem ter, conseguimos planejar as intervenções que faremos e, assim, melhorar a qualidade delas", disse.

Mazé da Nóbrega, assessora dos planos de aula NOVA ESCOLA, defende que a gramática seja trabalhada com textos reais.

Sistematizar e exercitar
Estratégias para abordar aspectos da análise linguística

- Mazé sugere que as atividades de sistematização de aspectos gramaticais sejam divididas em três momentos (que podem ser três aulas): a descoberta da regularidade (quando os alunos fazem atividades em que analisam ou observam os conteúdos linguísticos que estão em estudo), a exercitação (momento em que os estudantes trabalham com esses conteúdos linguísticos, por exemplo, em produções textuais simplificadas) e as atividades de produção de texto ou revisão (quando a turma insere esses conteúdos em produções mais complexas).

- Durante a descoberta das regularidades, os alunos podem operar com textos eleitos pelo professor. Para isso, promova atividades em que os alunos precisem utilizá-las ou analisar como os autores dos textos escolhidos as usaram. A tendência é que eles consigam realizar as tarefas mesmo sem precisar de uma aula expositiva sobre o assunto. "As crianças dominam toda a gramática da língua desde os 5 anos de idade", diz Mazé.

- Estimule o trabalho em grupo. Em duplas ou conjuntos maiores, os estudantes precisam argumentar com os colegas sobre as respostas dadas para cada atividade. Depois, em uma discussão com a turma toda, eles podem apresentar as soluções encontradas e dar os argumentos que foram construídos anteriormente.

- Na conclusão da atividade, retome os aspectos linguísticos. Na aula-teste dada por Mazé, uma conclusão possível seria listar todas as palavras utilizadas pelos estudantes e refletir sobre o que elas teriam em comum. "No máximo, podemos abrir uma boa gramática e mostrar a definição de substantivo presente lá, mas já está de bom tamanho", diz a assessora.

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