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BNCC na Educação Infantil: como garantir os direitos de aprendizagem

Para especialista Maria Virgínia Gastaldi, a grande mudança no segmento está na definição de seis aspectos fundamentais para as crianças de 0 a 5 anos

POR:
Wellington Soares
A especialista Maria Virgínia Gastaldi apresentou aos professores-autores de Educação Infantil os pontos de destaque sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do segmento. Foto: Mariana Pekin

Desde a aprovação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), os Campos de Experiência -- uma das categorias que organizam a disciplina -- têm sido o foco das discussões sobre o segmento. Mas de acordo com Maria Virgínia Gastaldi, consultora sobre Educação Infantil para diversas redes de ensino, a grande inovação do documento está em outra categoria: os direitos de aprendizagem. "Os direitos são o carro-chefe, na minha visão. São eles que vão mudar nossas práticas". Durante uma palestra realizada na Virada de Autores dos planos de aula NOVA ESCOLA, ela também ressaltou que o novo documento aprofunda e atualiza outros referenciais, como as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI).

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Em Educação Infantil, a BNCC tem uma organização um pouco diferente da presente no Ensino Fundamental: há a definição dos direitos de aprendizagem e os campos de experiência substituem as áreas de conhecimento. Dentro de cada campo, em vez de habilidades, há objetivos de aprendizagem e desenvolvimento. Para Virgínia, o foco nos campos de experiência é perigoso pois pode remeter à divisão de áreas ou disciplinas, que não é adequada para esta etapa. "Passamos por eles ao usar os direitos como a principal referência", destaca. Contudo, ela não defende que eles sejam deixados de lado. "O professor precisa tê-los em mente e sempre retomá-los para ter certeza que as experiências que ele propõe às crianças também os contemplam."

Conheça, abaixo, cada um dos seis direitos de aprendizagem e entenda melhor como efetivá-los:

1) CONVIVER
O que diz a BNCC: Conviver com outras crianças e adultos, em pequenos e grandes grupos, utilizando diferentes linguagens, ampliando o conhecimento de si e do outro, o respeito em relação à cultura e às diferenças entre as pessoas.

Como garantir esse direito: situações em que os pequenos possam brincar e interagir com os colegas são fundamentais, mas não apenas elas. Jogos, por exemplo, são importantes para que as crianças convivam em uma situação em que precisem respeitar regras.

2) BRINCAR

O que diz a BNCC: Brincar cotidianamente de diversas formas, em diferentes espaços e tempos, com diferentes parceiros (crianças e adultos), ampliando e diversificando seu acesso a produções culturais, seus conhecimentos, sua imaginação, sua criatividade, suas experiências emocionais, corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas, sociais e relacionais.

Como garantir esse direito: as brincadeiras são essenciais e devem estar presentes intensamente na rotina da criança. Elas precisam ser planejadas e variadas: dirigidas e não dirigidas, em espaços abertos ou fechados, e assim por diante. Nos cantos temáticos, os pequenos também constróem a autonomia ao escolher suas atividades favoritas, criar as próprias regras e brincar livremente.

3) PARTICIPAR

O que diz a BNCC: Participar ativamente, com adultos e outras crianças, tanto do planejamento da gestão da escola e das atividades propostas pelo educador quanto da realização das atividades da vida cotidiana, tais como a escolha das brincadeiras, dos materiais e dos ambientes, desenvolvendo diferentes linguagens e elaborando conhecimentos, decidindo e se posicionando.

Como garantir esse direito: um exemplo clássico dado por Maria Virgínia Gastaldi durante a palestra, foi a construção de casinhas de brinquedo. "O professor planeja como vai fazer, separa os materiais e pede ajuda de familiares para montá-la. Quando leva, pronta, à escola, fica surpreso porque os alunos não se interessam ou se estragam o brinquedo", disse. Aqui, o importante é envolver os alunos em todas as etapas, permitindo que eles ajudem a decidir como será a estrutura, quais materiais serão usados, qual será a cor, e assim por diante.

4) EXPLORAR

O que diz a BNCC: Explorar movimentos, gestos, sons, formas, texturas, cores, palavras, emoções, transformações, relacionamentos, histórias, objetos, elementos da natureza, na escola e fora dela, ampliando seus saberes sobre a cultura, em suas diversas modalidades: as artes, a escrita, a ciência e a tecnologia.

Como garantir esse direito: aqui, é fundamental permitir que as crianças explorem sozinhas os materiais. "Não é por meio de 'aulinhas', em que o professor senta na frente da sala e diz: isso é madeira, isso é isopor", destaca a especialista.

5) EXPRESSAR

O que diz a BNCC: Expressar, como sujeito dialógico, criativo e sensível, suas necessidades, emoções, sentimentos, dúvidas, hipóteses, descobertas, opiniões, questionamentos, por meio de diferentes linguagens.

Como garantir esse direito: rodas de conversa e momentos de fala são imprescindíveis para que as crianças tenham esse direito garantido. Além disso, criar conselhos e assembleias em que os pequenos votam e argumentam sobre decisões que afetam o coletivo ajudam nessa tarefa.

6) CONHECER-SE

O que diz a BNCC: Conhecer-se e construir sua identidade pessoal, social e cultural, constituindo uma imagem positiva de si e de seus grupos de pertencimento, nas diversas experiências de cuidados, interações, brincadeiras e linguagens vivenciadas na instituição escolar e em seu contexto familiar e comunitário.

Como garantir esse direito: boa parte das atividades ajudam a garantir esse direito, mas há estratégias para pensar especificamente sobre ele. Com os bebês, Virgínia cita como exemplo situações em que eles podem ficar em frente a espelhos e se observar. Os momentos de banho, alimentação e troca de fraldas também são ricos para essa aprendizagem: ao se sentir cuidado e ao aprendendo a cuidar de si, a criança desperta a consciência sobre seu corpo. "Quando anunciamos para um bebê onde vamos tocá-lo e o que faremos com ele, criamos a primeira oportunidade para que se reconheça como pessoa e não objeto", destaca a especialista.

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