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Secretário de Educação do Rio é exonerado e denuncia “politicagem” em redes sociais

Em troca de farpas nas redes, César Benjamin diz que articulação foi “feita pelas costas” e que Marcelo Crivella sequer teria ligado para falar com ele

POR:
Soraia Yoshida
O ex-secretário de Educação da cidade do Rio de Janeiro, César Benjamin, foi exonerado e denunciou manobra nas redes sociais   Foto: Wikimedia Commons/Wikipedia

O secretário de Educação do Rio de Janeiro, César Benjamin, foi exonerado pelo governador Marcelo Crivella, em decisão publicada nesta quarta-feira (11) no Diário Oficial. No mesmo despacho, o governador do Rio indicou Talma Romero Suane para substituir Benjamin. Nas redes sociais, o ex-secretário definiu sua saída como esperada e afirmou que a razão estaria no fato de não ceder “à politicagem e aos inimigos da educação”.

No post em seu perfil no Facebook, Benjamin afirma: “Toda a articulação para a minha saída foi feita pelas minhas costas. Não recebi sequer um telefonema. O prefeito agradeceu desta maneira a minha dedicação à causa da educação”. Sobre sua substituta, ele diz: “Talma Suane, minha chefe de gabinete, participou dessas articulações sem me avisar. Há algum tempo, depois da primeira crise, o próprio prefeito me disse que ela havia pedido o meu cargo, mas eu não acreditei. Quem age de boa-fé tende a acreditar na boa-fé dos demais”.

Na segunda-feira (09/07), Benjamin chegou a postar em seu perfil no Facebook que rumores sobre sua exoneração haviam chegado a seus ouvidos. “Está circulando a notícia de que serei demitido da chefia da SME na sexta-feira, quando as escolas entram em recesso. Nada sei sobre isso. Desde que começou a crise em curso, não dei nem recebi nenhum telefonema sobre esse assunto, não participei de nenhuma reunião, não fiz declarações. Continuei tocando minha agenda normalmente”, escreveu.

A saída de Benjamin estaria ligada às críticas feita ao chefe da Casa Civil, Paulo Messina. Na terça-feira (10/07), Messina postou o seguinte comentário sobre o então secretário da Educação: “Em vez de se preocupar em produzir frutos para a Cidade, comporta-se como que preocupado em produzir frutos para si. Isso não é governar; apenas divide a equipe e provoca o caos”, afirmou. Messina chegou a pedir demissão no início de julho, mas acabou ficando no cargo.

Benjamin e Messina já haviam se estranhado em outras ocasiões e um dos enfrentamentos teria terminado com a mediação do prefeito Marcelo Crivella, que os teria feito assinar um documento em que davam a conversa por encerrada. Agora se vê que não foi bem o caso.

 

Veja a seguir a íntegra da postagem do ex-secretário César Benjamin:

"Acabo de ver a notícia da minha exoneração e da nomeação da professora Talma Suane para a chefia da SME.

A minha exoneração era esperada, pois não cedi à politicagem e aos inimigos da educação. Retorno ao convívio da minha família e aos meus afazeres profissionais.

Toda a articulação para a minha saída foi feita pelas minhas costas. Não recebi sequer um telefonema. O prefeito agradeceu desta maneira a minha dedicação à causa da educação.

Talma Suane, minha chefe de gabinete, participou dessas articulações sem me avisar. Há algum tempo, depois da primeira crise, o próprio prefeito me disse que ela havia pedido o meu cargo, mas eu não acreditei. Quem age de boa-fé tende a acreditar na boa-fé dos demais.

Ontem, quando eu estava em agenda externa, Talma me mandou uma mensagem, dizendo que não estava se sentindo bem e iria para casa. Quando retornei à SME já não a encontrei. Ela já sabia que havia conseguido a nomeação, mas não teve coragem de olhar nos meus olhos. Sua gestão nasce sob o signo da traição.

Desejo tudo de bom à SME e às nossas crianças. Que tudo se ajeite da melhor maneira possível, numa Prefeitura tão fragilizada e confusa.

Atenciosamente,

Cesar Benjamin"

 

Leia a íntegra da postagem de Paulo Messina publicada dias antes da saída de Benjamin, em que cogitava sua demissão da Prefeitura do Rio:

 

“Pessoal,

Nos últimos dias, foi noticiado amplamente pela imprensa minha decisão de deixar o cargo de Secretário-Chefe da Casa Civil.

É fato que na quarta-feira, dia 04 de Julho, agradeci muito a oportunidade ao Prefeito Marcelo Crivella e pedi minha exoneração. Através da Casa Civil, foi possível trabalhar pela minha cidade de uma forma que nunca sonhei ser possível.

Durante os (breves) cinco meses em que pude desempenhar minha missão, conseguimos juntos fazer um plano de ajustes em várias secretarias e empresas públicas, e de geração de novas receitas de curto prazo, como o Mais Valia e Mais Valerá, a Reforma da Previdência e, claro, o que acredito ser a “bala de prata” para a situação fiscal do governo: a nova Lei do Concilia/Recupera. Associada ao protesto e à cobrança mais eficaz da Dívida Ativa, a Lei do Concilia, segundo informações da Fazenda, já aumentou a arrecadação – só nos últimos dias de junho – possibilitando que a folha pudesse sair com segurança no quinto dia útil de julho.

Os cortes que realizamos começaram na própria Casa Civil, onde dezenas de cargos comissionados foram demitidos, e carros oficiais devolvidos, representando redução considerável de despesas nos cofres públicos. Eu próprio escolhi não ter carro de nenhum contrato de aluguel, tampouco motorista, para dar exemplo. Em complemento a isso, a nomeação para as subsecretarias e coordenadorias de cargos técnicos, servidores de carreira da própria Prefeitura, trouxe confiança e mais empenho de toda a equipe.

Logo de minha entrada, o desafio do temporal na Quarta-Feira de Cinzas se apresentou, o que ensejou uma grande reforma na Comlurb, primeiro órgão a ser mexido, também propondo ao Prefeito quadros técnicos da própria empresa. As alterações provaram-se eficazes e a Comlurb começou a retomar sua produtividade histórica.

Seguiu-se um estudo financeiro junto com a equipe de Orçamento da Fazenda para que pudéssemos abrir o novamente o Tesouro, com um plano de recuperação fiscal que foi integralmente implementado, como já exposto acima.

Em diversas crises nesses cinco meses, a Casa Civil desempenhou um papel chave na coordenação dos órgãos, desde o caso do já citado temporal, que deixou a marca histórica de mais de 1.300 árvores caídas na cidade, à crise dos Ônibus da Liberdade, da Creche Institucional (que pôde ser retomada com apenas 1/3 do custo original), da Definição da Retomada das Obras Paradas (caso com o Tribunal de Contas do Município), do custo assumido pela Rio Tur sobre a Feira de São Cristóvão (nos absurdos 18 milhões por ano), da crise na Vila Kennedy e, claro, do recente episódio da grande reação da Cidade à Greve dos Caminhoneiros (e a consequente crise dos combustíveis e demais insumos).

O motivo de minha decisão em sair também já foi noticiado pela imprensa, mas registro aqui oficialmente. Depois do bizarro primeiro episódio, em maio deste ano, envolvendo um secretário do governo que usava redes sociais para proferir ataques contra o próprio governo, típico de seu comportamento errático ao longo de sua trajetória, e que, ainda mais bizarro, seguiu nomeado, os ataques continuaram de forma mais profunda e conspiratória. Em vez de se preocupar em produzir frutos para a Cidade, comporta-se como que preocupado em produzir frutos para si. Isso não é governar; apenas divide a equipe e provoca o caos.

Difícil permanecer num ambiente que se torna tóxico e não se tenha paz para desenvolver um trabalho profissional. A paz e a harmonia de toda a Equipe, trabalhando em sintonia, é fundamental para o sucesso de qualquer Governo. Foi uma das mais difíceis decisões a tomar, mas ficar já não era possível. Considerava minha missão completa, feliz com os resultados, tendo administrado o maior orçamento da Prefeitura (quase 8 bilhões de reais) e dezenas de contratos, sem responder por nenhum ato suspeito, sem ter realizado uma contratação emergencial sequer, sem ter sido interpelado por nenhum órgão de controle externo: nem Tribunal de Contas do Município, nem Ministério Público, ou Câmara Municipal.

Eis que surgem, nos últimos dias, movimentos na Câmara Municipal para fragilizar o Executivo, com denúncias e pedidos de impeachment. Neste momento em que se questionam as diretrizes que regem o governo, e frente a movimentos que buscam desestabilizar a prefeitura, minha iminente saída se tornou inoportuna, podendo até ser contextualizada agora, de forma maliciosa, como deslealdade e oportunismo, ou explorada politicamente contra o governo, dizendo que tornou-se fraco.

Justamente neste momento em que a Prefeitura ensaia sua recuperação fiscal, e dá os primeiros passos sólidos para afastar a crise, é estarrecedora a possibilidade de ser engolida numa crise política que só traria danos, muitos deles irreversíveis no curto prazo, para os cidadãos cariocas, bem como jogaria ralo abaixo todos os esforços dos últimos meses. Por conta disso, e com a concordância do Prefeito, continuarei à frente da Secretaria da Casa Civil.

Aproveito a oportunidade para agradecer imensamente a todos os servidores, de todas as pastas, com quem tenho a honra de poder trabalhar em conjunto e produzir. Sem eles, nada é possível. Homens e mulheres que entendem o real sentido das palavras “servidor público”. A eles, nossa gratidão e respeito. Vamos em frente continuar pavimentando o caminho sólido para a construção de uma cidade mais justa, equânime e para todos.

Abraços,

Paulo Messina”

 

 

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