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Blog de Alfabetização

Troque experiências e boas práticas sobre o processo de aquisição da língua escrita.

A mãe da minha aluna é professora. Como lidar?

Com mente aberta e diálogo, é possível aprender com seu colega e pai de seu aluno

POR:
Mara Mansani
Da direita para a esquerda: eu, minha aluna Bianca (de camiseta rosa), sua irmã mais nova e sua mãe, professora Débora. Foto: acervo pessoal

Nos últimos cinco anos, sempre passo por situações que são corriqueiras para nós, professores, mas também curiosas: todo ano tenho algum aluno que é filho de um colega de profissão, ou seja, de outro professor.

No início, inevitavelmente, bate uma insegurança, que logo passa. Filho de professor é aluno como qualquer outro, e as aulas não serão melhores ou piores por causa de sua presença em sala de aula. Mas com certeza essa situação causa alguns embates que precisam ser resolvidos com paciência.

O que mais encontrei em minhas experiências foram mães professoras que trabalhavam de uma maneira diferente da minha, com suas turmas. Por isso, queriam compreender o processo de aprendizagem de seu filho do meu ponto de vista. Isso rendeu e ainda rende boas conversas pedagógicas, trocas didáticas e compartilhamento de saberes. Aprendi muito com elas e incorporei várias de suas práticas em minha rotina de sala de aula.

Ano passado, em minha turma de 4º ano, fui professora da Bianca, filha de uma colega de profissão da mesma escola, a professora Débora. Nossa experiência foi além da relação professora e mãe. Trabalhamos juntas ao longo do ano construindo toda a programação e os projetos para os 4ºs anos de nossa escola, porque, por coincidência, ela também era professora de uma outra turma de 4º ano. Foi escolha da Débora que Bianca caísse na minha turma, para que não precisasse ser a professora da própria filha.

O resultado dessa parceria foi maravilhoso. Muita aprendizagem para todos: alunos e professoras! Até agora, foi a melhor de todas as experiências que já vivi com pais professores. Foi um ano leve, com muito trabalho e muita felicidade, e que marcou positivamente a vida escolar de Bianca.

Mas nem sempre os resultados desses encontros foram bons, principalmente em uma área sensível como a Alfabetização. Quando pais ou responsáveis, sendo professores, pensam de forma diferente e acreditam em outras metodologias de ensino, às vezes não falamos a mesma língua. É aí que acontece o conflito de entendimento pela criança, que pode até apresentar dificuldades de aprendizagem. Por isso é preciso sempre manter aberto o diálogo com esses pais professores, afinal o foco deve ser o aprendizado do aluno.

Nessa relação, há um mito entre professores e pais professores, de que filho de professor deve ser um ótimo aluno, até melhor que os demais. É preciso tomar cuidado com essa ideia, pois traz uma carga exagerada de cobranças e expectativas em cima desse aluno. Na verdade, não existe o aluno filho de professora. Existe apenas um aluno que precisa aprender da melhor maneira possível. Quando um filho é estimulado pela família, de professores ou não, a estudar, a participar das decisões, a ler, conhecer e interagir com as pessoas, com certeza terá mais chances de ir bem na escola.

Eu também vivo o outro lado da moeda: sou mãe de uma criança que tem outras professoras. No processo de alfabetização do meu filho, minhas colegas de trabalho tinham uma forma diferente da minha de alfabetizar. No início, não foi fácil entender, mas tive o cuidado de acompanhá-lo com humildade sem tentar inserir a minha maneira de ensinar, procurando sempre apoiar meu filho e o trabalho de suas professoras. Deu certo, e no fim das contas o processo foi tranquilo.

E vocês, queridos professores? Já tiveram essa experiência de dar aula para filhos de outros professores? E como é a sua relação com os professores dos seus filhos? O que deu certo nessa relação? Contem aqui nos comentários!

Um abraço e até semana que vem,

Mara Mansani

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