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Qual a probabilidade de elaborar bons planos de aula de Matemática?

Veja um plano para trabalhar Probabilidade já com os pequenos no 1º ano do Ensino Fundamental

POR:
Mara Mansani
Crédito: Getty Images

Pesquisar atividades na internet para desenvolver com a turma é uma ação que já está incorporada na nossa rotina quase que de maneira permanente, em qualquer etapa de ensino. Buscamos desde atividades prontas até uma base teórica para que possamos nos inspirar e produzir os nossos planos de aula. Apesar da rede mundial de computadores oferecer acesso a muitos materiais valiosos, nem sempre ficamos satisfeitos com a qualidade dos resultados da busca. Esse copia, recorta e cola, sem um objetivo claro, sem discriminação e reflexão, vai criando uma rede viciosa de atividades em práticas desconexas, sem um encadeamento pedagógico.

Mas não podemos generalizar! Como eu disse antes, há materiais didáticos de qualidade, que podem nos apoiar a inovar e incrementar nossas aulas, muitas vezes disponibilizados gratuitamente. É o caso da plataforma de planos de aula da Nova Escola! Já conhece?

São 1.500 planos de Matemática, do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental 1, elaborados por professores que conhecem e vivenciam a realidade da sala de aula.

Como já disse em outro post, participei da orientação dos planos de aula como mentora de alguns professores que fizeram planos incríveis para o 1º e o 2º ano. Meu grupo elaborou planos sobre resolução de problemas de Probabilidade e Estatística, mas na plataforma você encontra planejamentos para todas as áreas que compõem a Matemática.

Estamos agora no que eu considero a melhor fase: a pós-produção, a etapa de aplicação e desenvolvimento dos planos de aula com os alunos. E como estão sendo bons os resultados!

Para compartilhar um pouquinho dessa experiência com vocês, selecionei um plano de aula da minha área, probabilidade e estatística, porque é um tema considerado difícil por muitos professores. Lembrando que é a primeira vez que os professores precisam trabalhar esse tema com crianças pequenas, como as minhas turmas de Alfabetização.

Plano de aula 1: Situações possíveis e impossíveis

Elaborado pelo professor Leandro Vitoriano da Silva

O objetivo desse plano é que os alunos possam peceber situações em que um evento pode acontecer ou é impossível de acontecer, discutindo as possibilidades. Ou seja, é a construção da noção de aleatório pela criança.

Na etapa de aquecimento, as crianças foram levadas a pensar sobre os eventos e suas possibilidades com as perguntas propostas:

É possível que acabe a luz na escola durante a aula?
É impossível um peixinho viver fora d’água?
É impossível uma galinha botar um ovo de codorna?
Quando podemos falar que algo é possível de acontecer? E quando podemos falar que é impossível?

A turma adorou esse aquecimento, e durante semanas, escutei as respostas das crianças e anotei-as. Minha aluna Geovana, de cinco anos, por exemplo, começou a pensar em outras possibilidades um dia, no portão da escola:

- Prô, é possível ou impossível uma mãe se atrasar para buscar seu filho na escola? E é possível cair se eu subir bem alto em uma escada?

Preparar esse terreno foi muito importante. Muitas vezes, os alunos têm mais dificuldade de compreender o tema da aula de primeira, pois vamos direto ao conteúdo, sem tempo para estabelecer relações, possibilitar reflexões.

Na atividade principal, os alunos tiveram que identificar quais situações são possíveis ou impossíveis de acontecer, justificando sua resposta (veja na imagem abaixo). A atividade apresenta uma linguagem adequada para as crianças e está de acordo com suas vivências e sua realidade, o que torna a aula clara para a turma. Todos participaram socializando suas respostas, e meu papel foi o de fazer intervenções e indagar suas justificativas.

 

Um dos pontos positivos nos planos é que em todas as etapas há explicações sobre o papel do professor nas intervenções, o que nos dá segurança e objetividade. Isso sem falar no guia de intervenção, um documento que orienta sobre possíveis erros e dificuldades que os alunos podem ter.

Apliquei com a turma três atividades complementares disponibilizadas no plano, aliás, essas atividades aprecem em todos eles. Elas têm uma progressão de dificuldade, e a última é um desafio que exige mais reflexão e habilidade dos alunos para chegar à resposta. E foi exatamente assim, um crescente de questionamentos, descobertas e aprendizagens por parte dos alunos.

 Para Gabriel, na atividade acima, fazer amigos na escola é possível, mas não morrer é impossível. Imagem: Acervo pessoal

Outro ponto inovador nos planos é a amarração final da aula, feita através da sistematização do conceito aprendido e depois o encerramento. Muitas vezes em nossas aulas não fazemos esse fechamento nas nossas aulas, e ele é preciso!

A atividade final é chamada de raio-x. O propósito é realizar uma avaliação dos aprendizados dos alunos. Os resultados foram muito bons. Todos foram bem, sinal de que a habilidade da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) relacionada à atividade (Noção de aleatório - Classificar eventos envolvendo a aleatoriedade, tais como “acontecerá com certeza”, “talvez aconteça” e “é impossível de acontecer”) está sendo bem desenvolvida.

Participar da orientação e da elaboração dos planos de matemática da Nova Escola foi muito bom, mas ver a aprendizagem dos alunos na aplicação dessas atividades em sala de aula é melhor!

Pretendo aplicar todos em minhas turmas de 1º e 4º anos. Começamos por Matemática, mas logo haverá todas as disciplinas. Mal posso esperar!

E vocês, professores, já aplicaram algum dos planos de aula de Nova Escola em suas turmas? Compartilhem sua experiência nos comentários!

Um grande abraço e até a próxima semana,

Mara Mansani

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