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11 de Junho de 2018 Imprimir
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Os melhores professores precisam ser atraídos para as escolas mais desafiadoras

Novo relatório da OCDE investigou como países que têm boas notas no Pisa pensam a carreira docente

Por: Paula Peres

Ao levar os melhores professores para as escolas mais vulneráveis, um sistema de ensino pode reduzir desigualdades.

Professor, imagine que você, com seu bom currículo e uma vasta experiência em Educação, no dia de assumir seu cargo na rede de ensino, tem duas opções: uma escola com boa infraestrutura, bem localizada, bons índices nos exames e alunos de classe socioeconômica elevada e um salário razoável ou uma segunda escola mais distante do centro, com problemas de infraestrutura, resultados ruins, alunos mais pobres, mas que paga um salário melhor. Qual seria a sua escolha?

Para os especialistas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que assinam os relatórios “Effective Teacher Policies: Insights from PISA” e “Teachers in Ibero-America: Insights from PISA and TALIS” divulgados nesta segunda-feira (11/06), o mais adequado para garantir um sistema de ensino com equidade é levar os melhores professores para as escolas mais vulneráveis.

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De acordo com a OCDE, o Brasil está no grupo da Costa Rica e da República Dominicana de países que apresentam pouca diferença nas escolas em desvantagem socioeconômica com as demais. Os professores têm formação parecida, e as turmas têm em média o mesmo número de alunos. Porém, condições parecidas de ensino não garantem condições parecidas de aprendizagem, e acabam atribuindo a outros fatores, como a localização geográfica da escola e do estudante, as desigualdades educacionais.

“Em muitos países, o código postal de um estudante ou escola continua a ser um dos principais indicadores de sucesso educacional”, disse Andreas Schleicher, diretor de Educação e Habilidades da OCDE, durante o lançamento do relatório em Madri. “Essa evidência mostra que os países podem transformar desigualdades em oportunidades se atribuírem professores de alto nível, e não apenas mais professores, para as escolas mais desafiadoras”, concluiu.

Porém, não é isso que acontece no Brasil.

O estudo relacionou indicadores de pesquisas e exames como o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês), o relatório Education at a Glance e a Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis, na sigla em inglês) e apontou que, nas escolas brasileiras com alunos mais pobres, em média 20% dos professores de Ciências são contratados temporariamente por até um ano, enquanto essa porcentagem cai para 4% nas escolas com alunos de classes socioeconômicas mais elevadas. Isso quando há professores de Ciências.

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Outro indicador aponta que os docentes das escolas mais vulneráveis se vêem obrigados a lecionar disciplinas científicas sem ter formação na área com mais frequência do que os de escolas mais ricas. Sem formação adequada, é mais difícil garantir a aprendizagem da turma.

Países como Chile, Colômbia, México, Peru, Portugal, Espanha e Uruguai tentam diminuir essa desvantagem organizando turmas menores nas escolas com estudantes mais pobres, em busca de uma relação entre professor e alunos mais próxima.

Além disso, sabemos que os nossos professores de escolas públicas optam pelo local de trabalho, mas não recebem incentivos para buscar locais mais desafiadores (que poderiam ser salários maiores ou outros incentivos). Já países como o Japão e a Coreia do Sul têm políticas estruturadas que mudam os docentes de escola de tempos em tempos.

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A Coreia do Sul, por exemplo, tem um conjunto de medidas que visa diminuir a desigualdade entre escolas de regiões ricas e pobres: os professores devem trocar de local de trabalho a cada cinco anos, e recebem uma série de incentivos para trabalhar nas escolas mais desafiadoras, como salários maiores, turmas menores, maiores chances de receber uma promoção e a liberdade de escolher a escola no ciclo seguinte.

Tais medidas podem, de alguma maneira, aumentar a distância entre o professor e os alunos e suas famílias, mas, de acordo com o relatório, ajudam a garantir que todas as escolas tenham contato com professores em diferentes níveis de experiência, em vez de reproduzir a fórmula dos melhores e mais experientes professores para as escolas mais favorecidas.

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